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25
junho

Vestígios Arqueológicos na Baía da Horta são “únicos a nível nacional”

Escrito por  Marla Pinheiro/foto: DR
Publicado em Reportagem
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O rebuliço da obra do Porto da Horta não passa despercebido a ninguém. Todos podemos ver a plataforma a ganhar forma, as máquinas gigantescas a manejar os materiais de grandes dimensões, à medida que a obra vai galgando o mar, e há até quem não dispense uns minutos diários, na primeira fila em que se transformou o muro da Avenida 25 de Abril, para observar este espectáculo. Mais despercebidos passam os pequenos barcos, ali ao lado, onde uma equipa de mergulhadores trabalha cerca de 8 horas por dia. Mais despercebidos sim, mas não menos importantes. Trata-se da equipa de arqueólogos subaquáticos do Centro de História de Além Mar. A sua função? Garantir que o património que se esconde por baixo das águas da baía não é aniquilado pelo progresso da obra.

O Centro de História de Além Mar é um Centro de Investigação da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade dos Açores. No Faial, através da equipa coordenada pelo arqueólogo José Bettencourt, está a desenvolver um trabalho de arqueologia preventiva, no quadro da empreitada da primeira fase de reordenamento do porto da Horta.

Em conversa com o Tribuna das Ilhas, José Bettencourt explica, em traços gerais, o trabalho da equipa: “o que estamos a fazer é implementar as medidas de minimização do impacto da obra, que foram definidas em fase de estudo de impacte ambiental, numa altura em que se identificou um sítio arqueológico e outros vestígios importantes na zona onde está a ser implantado o projecto”, adiantou.

Durante o estudo de impacte ambiental, os mergulhadores do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores que asseguravam a sua componente de biologia encontraram três presas de marfim. A partir daí, e ainda antes da adjudicação da obra, foi decidida, como medida para minimizar o seu impacto, a realização de sondagens na zona onde esse material foi descoberto. Assim, em Abril do ano passado, a equipa liderada por José Bettencourt iniciou os seus trabalhos, que decorreram durante cinco meses em 2009, e este ano já prosseguem há dois meses. “Estamos a fazer sondagem por escavação num sítio arqueológico, recolhendo e registando os materiais que estão relacionados com um naufrágio, que, pelos dados que temos, deve ser de um navio inglês que terá naufragado no início do século XVIII”, explica o arqueólogo.

Estes fornecem informação histórica sobre a navegação no Atlântico nos séculos XVII e XVIII, “altura em que a cidade da Horta se começa a afirmar como o grande porto de escala nos Açores, vindo de certa forma substituir Angra”, explica. Assim, os vestígios materiais encontrados vêm comprovar aquilo que as fontes escritas já referiam.

Para o responsável pelos trabalhos, o valor patrimonial dos materiais que jaziam na baía da Horta “é único a nível nacional”.

Horta precisa de um discurso museográfico ligado ao mar

O arqueólogo destaca ainda que estes materiais têm um “potencial museográfico muito elevado”, se incluídos num discurso museográfico sobre o porto da Horta e sobre a cidade marítima que não deve ser desperdiçado, até porque podem contribuir para valorizar a oferta turística da ilha.

José Bettencourt entende que seria importante criar no Faial um “discurso museográfico sobre a relação da Horta com o mar”, discurso esse praticamente inexistente. O investigador não dúvida de que isso poderia ter um papel importante na “criação de uma identidade marítima da cidade da Horta” junto da sua população. Para José Bettencourt, os faialenses possuem essa identidade marítima, no entanto esta “não tem pontos de apoio em termos culturais”. “À excepção da fábrica da Baleia, não conheço na Horta nenhuma instituição museográfica ou com exposições sobre o passado marítimo da cidade, e acho que é uma falha em termos de produto, quer para consumo interno, quer para vender para o exterior”, opina.

Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 25.06.2010

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