Decorreu na passada segunda feira, no auditório da Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, na cidade da Horta, o lançamento da nova revista literária açoriana, a “transeatlântico”.
O lançamento contou com a presença do seu diretor, Nuno Costa Santos, do coordenador editorial, Carlos Alberto Machado e com Vítor Rui Dores, que teve a seu cargo a apresentação deste exemplar.
O número zero da transeatlântico tem 112 páginas, conta com uma distribuição regional e nacional. O responsável pelo seu design é Pedro Ponciano. A editora responsável pela sua edição foi a Companhia das Ilhas situada na vizinha ilha do Pico, que nasceu em 2012 e já conta com cerca de 50 títulos feitos, dando sempre uma particular atenção aos Açores.
Foram impressos nesta primeira edição 500 exemplares, que pode ser adquirida por 10 euros. A periodicidade de saída será anual, mas Carlos Machado afirmou que tem condições para poder vir a ser semestral.
O diretor da revista, Nuno Costa Santos nasceu em 1974 e é um dos escritores portugueses mais versáteis, também chamado de “o Woody Allen luso”. É escritor e guionista para cinema, dramaturgo, humorista, autor de programas radiofónicos e televisivos. Criou e atuou em programas de TV como como Zapping, Melancómico e Serviço Público e é colaborador permanente da revista Ler, onde assina o espaço Provedor do Leitor. Também já deu aulas de escrita criativa e ainda escreveu uma série de livros em géneros tão díspares como a biografia cronicada Trabalhos e Paixões de Fernando Assis Pacheco, a poesia Às Vezes é um Insecto que Faz Disparar o Alarme ou o Inclassificável Melancómico – o Livro. É um cronista de excepção agora na revista Sábado, lugar que conquistou após no início do ano ter-se imposto a um desafio: escrever uma crónica diária na net.
Santos afirma, numa frase escrita na contracapa desta revista, que “esta é uma revista que quer incentivar a escrever, de modo ficcional ou ensaístico, sobre o que são os Açores hoje – nas suas novas entranhas. Nas suas personagens, nas suas tensões biográficas, nos seus sonhos e ilusões, nos seus conflitos e acidentes. Mas também nos seus costumes, nos seus pequenos hábitos e nas suas expressões verbais”.
A revista reúne assim, diferentes autores, de forma a mostrar a união e a identidade cultural dos Açores, através de uma divulgação elegante, ponderada e verdadeiramente lírica. Carlos Santos garantiu que um dos grandes inspiradores desta revista foi Vitorino Nemésio e que ela pode ser vista com um lado provocador, de modo a traçar um possível retrato literal, ficcional, poético ou sonhado, de uma região especial e partilhada de corpo e alma.
Neste número zero colaboraram Alexandre Borges, Bianca M, João Pedro Porto, Joel Neto, Leonardo, Luís Filipe Borges, Luís Rego, Maria das Mercês Pacheco, Mariana Matos, Mário T Cabral, Paula de Sousa Lima, Renata Correia Botelho, Rogério Sousa e Rui Jorge Cabral.
Nesta revista destaque para a entrevista realizada, à 15 anos atrás, por Nuno Costa Santos, ao escritor açoriano Daniel de Sá, que faleceu no ano passado. Ainda a salientar a participação de Miguel Real como escritor convidado, um trabalho de Vasco Medeiros Rosa acerca de um texto pouco conhecido de Vitorino Nemésio e o portfólio da autoria de Duarte Belo, com fotografias de grotas dos Açores.