Morreu ontem, aos 79 anos, José de Almeida , líder histórico da Frente de Libertação dos Açores. O independentista faleceu no hospital de Ponta Delgada, onde estava internado há mais de uma semana, vítima de doença prolongada.
A sua última aparição pública foi a 6 de junho, já debilitado, onde demonstrou continuar a defender a independência dos Açores, afirmando que “a luta pela independência vai continuar a ser um caminho”.
Na sessão promovida pela FLA para assinalar o aniversário do 6 de junho de 1975, o separatista congratulou-se pelo encontro que era “uma manifestação de força” e de “definição a dizer nós somos açorianos, e queremos ser, e vamos ser, independentistas”.
O dia 6 de junho de 1975 foi marcado por uma manifestação que juntou cerca de 10 mil pessoas em Ponta Delgada, na maioria lavradores, com diversas reivindicações e contra o regime instituído em Lisboa. A Frente de Libertação considerou este protesto como apoio à causa da independência dos Açores, e nunca deixou passar me branco a data.
O presidente do Governo, Vasco Cordeiro, já manifestou o seu “grande pesar” pela morte do histórico da FLA, um açoriano que sempre lutou pelas “convicções profundas em que acreditava.
Apesar das divergências ideológicas, Vasco Cordeiro não deixou de salientar a sua “coerência, a determinação e um grande amor pelos Açores”.
De visita às comunidades açorianas no Canadá, o presidente indicou as suas “sentidas condolências” à família, quer a “todos aqueles para quem ele era uma referência” política e civicamente.
A presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores também não deixou passar em branco o falecimento de José de Almeida, manifestando “as suas condolências à família de José de Almeida”. Ana Luís caracterizou a atuação política do professor como destemida e “frontal”.
A líder do parlamento açoriano não deixou de referir a “coragem e profundo amor aos Açores” em episódios da história autonómica da região, bem como o seu “respeito pela liberdade de pensamento” que lhe eram característicos.
A representação parlamentar do PPM na Assembleia Legislativa já transmitiu também o seu “mais profundo pesar” pela morte de José de Almeida, indo propor ao parlamento açoriano um “voto de pesar” e a atribuição da “Insígnia Autonómica de Valor, a mais alta condecoração açoriana”.
O PPM justifica esta proposta com o papel dito de antigo líder do FLA na “restauração de um modelo de autogoverno para os Açores, em 1976” e por “tudo o que representou o 6 de Junho”. O PPM refere ainda não defender a independência dos Açores mas sim “um aprofundamento do modelo de autogovernação” através da criação de uma “estrutura política de natureza federal”.
A cerimónia fúnebre realiza-se amanhã na Igreja de Nossa Senhora das Mercês.