As obras de misericórdia
São catorze as normais
Que eu tenho na memória
E não as esqueci mais
Quando eu as estudei
Naquele tempo era assim
Pois sempre delas cuidei
Como das flores no jardim
São sete as corporais
Que as acho interessantes
Mas as sete espirituais
É que são mais importantes
Dar comer a quem tem fome
Esta ideia é de louvar
Tudo isto nos consome
Só nos resta praticar
Vestir os nus, e da Pousada
Toda a gente acha bem
Há pessoas mal tratadas
Por este mundo além
Os enfermos ir visitar
E os presos na cadeia
E bons conselhos lhes dar
Não será boa ideia?
E os mortos sepultar
É obrigação e consciência
É bom os acompanhar
Até à última residência
Terminaram as corporais
Que são tanto engraçadas
Há quem consome de mais
E há famílias desgraçadas
Vamos às espirituais
Para um rumo traçar
Ver se as coisas vão normais
Ou se é preciso alterar
Primeiro dar bons conselhos
E ensinar os ignorantes
Mas muitos querem vê-los
É la fora mais distantes
Para as injúrias sofrer
Temos que ter paciência
Todos temos que meter
A mão na consciência
O próximo com suas fraquezas
Todos devíamos ajudar
Mas isto é tal tristeza
Há quem os quer explorar
Quando eu era criança
Aprendi no catecismo
Já houve tanta mudança
Agora não há fascismo?
Eu já não ouço falar
Em misericórdia haver
Além de muito pagar
Poucas as querem fazer
Ó “Virgem Imaculada”
Rainha do mundo inteiro
Hoje ninguém faz nada
A não ser por bom dinheiro
Despeço-me da mocidade
Que estão na flor da idade
Tem muito que aprender
Para os da terceira idade
Por falta de caridade
Tem muitíssimo que sofrer
Vou pedir ao meu anjo da guarda
Que ele é muito competente
Que ele vá sempre na estrada
Ajudando a toda a gente
Sou um pobre pescador
Disto tenho a certeza
Mas tu ó rico leitor
Não caias em tal fraqueza
Boas Festas do Natal
Dirigidas a todo o povo
Para todos em geral
E também um Ano Novo
Cedros – Cascalho