A Santa Casa da Misericórdia da Horta (SCMH) é um dos maiores empregadores da ilha do Faial. Conta com 122 funcionários do quadro, 21 contratos a termo, 19 prestadores de serviços, 20 colocados ao abrigo de programas de apoio ao emprego.
A Escola Profissional da Horta (EPH), uma das suas valências tem ao serviço 13 funcionários e 46 prestadores de serviços.
Atualmente a SCMH tem 358 utentes, distribuídos pelas valências de Lar de Idosos (55); Centro de Cuidados Continuados (53); Lar Residencial para portadores de deficiência (12); Centro de Atividades Ocupacionais (33); Serviço de Apoio ao Domicílio (150) e Centros Comunitários (85).
Já a EPH tem 206 formandos integrados em seis cursos técnico-profissionais, dois em cursos Reativar e dois em cursos de qualificação de ativos.
Ao todo são 367 irmãos que abraçam esta causa que agora é presidida por Fernando Dutra que sucede assim a Eduardo Caetano de Sousa.
Tribuna das Ilhas esteve à conversa com o novo Provedor.
Porque se candidatou à presidência da Provedoria (SCMH)?
Já fui membro efetivo de duas mesas administrativas, o que me levou a pensar, inicialmente, que já tivesse dado o meu contributo voluntário e gratuito à Misericórdia da Horta. Todavia, quando o anterior Provedor manifestou a sua intenção de não se recandidatar, um grande número de Irmãos considerou que a minha colaboração é ainda importante e, nesse contexto, face ao dinamismo e à vontade encontrada na equipa que me acompanha, senti-me à vontade para exercer as funções que de, ora em diante, ocupo.
Foi fácil, num momento em que o associativismo atravessa sérias dificuldades em reunir meios humanos, formar uma lista?
Posso afirmar convictamente que foi muito positiva a resposta que recebi de todos os Irmãos com os quais contatei para fazer parte dos novos órgãos sociais da SCMH. Responderam de forma pronta, interessada e empenhada em dar o seu contributo para a valorização da Misericórdia. Neste sentido, foi possível reunir uma lista renovada, todavia, no futuro, será de extrema importância empenharmo-nos todos no rejuvenescimento dos irmãos existentes e na sua aproximação e envolvimento no funcionamento da Santa Casa.
Uma vez que já fazia parte da mesa administrativa, tem conhecimento da situação financeira da SCMH. O que nos pode adiantar sobre este assunto?
A situação financeira da SCMH, como de tantas outras instituições, requer um cuidado permanente na sua gestão diária, porque dela dependem diretamente mais de duas centenas de trabalhadores e cerca de 400 famílias da ilha do Faial, às quais prestamos apoio.
A área social é por natureza deficitária, sabemos disso, contudo, consideramos que há que procurar gerir da melhor forma possível os recursos existentes ao serviço da Misericórdia para fazer face aos novos desafios e aos compromissos financeiros e morais que foram assumidos nos últimos anos, nomeadamente com a realização de um conjunto de obras que trouxeram outro enquadramento à Instituição, mas também uma série de novos encargos de ordem financeira, como a reabilitação da EPH, a construção do Centro de Cuidados Continuados (CCC) e a reabilitação do Lar de São Francisco (LAF).
Quais as principais dificuldades desta instituição?
Todas, desde escassez de recursos humanos para dar resposta a todas as solicitações que nos pedem diariamente, escassez de recursos materiais para satisfazer a procura, escassez de recursos financeiros face à falta de meios próprios de gerar novas receitas até à própria escassez de estruturas que permitam enquadrar todos quantos nos procuram e precisam do serviço que prestamos. Neste sentido, seria importante que a comunidade olhasse para a SCMH com uma nova perspetiva, de ser uma entidade que tem deveres é certo, em primeiro lugar morais dada a sua natureza canónica, mas também com direitos. Com o direito de ser assistida, apoiada na sua ação e reconfortada na missão que presta. É importante que as pessoas não se lembrem apenas da Misericórdia quando precisam dela!
Que objetivos traçou para o seu mandato?
Em Instituições desta natureza e com o espírito de voluntariado que caracteriza os seus corpos sociais, é importante, desde logo, uma nova forma de gestão funcional, que permita uma descentralização e uma especialização de conhecimentos, em função da própria formação dos seus membros. Pretende-se promover um trabalho em equipa, que favoreça não só a eficiência dos serviços mas a própria valorização do espírito de Irmandade.
Em termos patrimoniais, é fundamental introduzir uma nova dinâmica que permita rentabilizar os bens existentes, a maior parte dos quais em mau estado de conservação e consequente desvalorização, alienando aquilo que for conveniente e sirva os propósitos da Misericórdia e conservando outros que, por vezes, servem de habitação particular a famílias com fracos recursos.
Ao nível da exploração agropecuária, e dentro dos prédios rústicos existentes, será necessário dinamizar e potenciar esta área, indo, se possível, para além da produção para auto-consumo.
Substituir uma figura das misericórdias como Eduardo Caetano de Sousa é uma grande responsabilidade. Como se sente?
Não nos devemos sentir coartados na nossa ação só porque outros cumpriram o seu papel e a sua missão antes de nós. O Sr. Eduardo Caetano de Sousa esteve ligado a esta instituição ao longo de 41 anos, algo que, de ora em diante e por imposição legal, jamais voltará a acontecer. A sociedade deve por isso reconhecer o seu papel como irmão e como mesário da SCMH, que atravessou um período da nossa história coletiva, que se torna por isso irrepetível e com desafios diferentes dos de hoje. Ninguém substitui ninguém, todos são importantes para o percurso de uma Instituição com 500 anos de história, havendo sempre formas diferentes de se alcançar objetivos diversos.
O que vai mudar nesta instituição sob a orientação do novo Provedor?
Em primeiro lugar é importante que a instituição se abra, cada vez mais, à comunidade onde se encontra inserida e que esta se sinta também responsabilizada por ter ao seu alcance a possibilidade de usar a Misericórdia quando as circunstâncias a tal conduzam.
Em segundo lugar, é imprescindível que exista uma maior co-responsabilização de todos, desde os funcionários aos elementos dos vários corpos sociais, bem como da comunidade e dos familiares que acompanham os seus utentes diariamente.
Por último, a gestão dos recursos financeiros e materiais ao serviço da Misericórdia, que deve exigir de todos uma atenção e cuidados permanentes.
A falta de apoios governamentais e os cortes de que foram alvo, já vieram a lume por diversas vezes. Neste momento qual o ponto da situação?
A SCMH depende, ao nível do seu funcionamento, de diversos parceiros institucionais, tendo o Governo Regional dos Açores como o maior parceiro social, não só ao nível das atividades que desenvolve mas também em termos financeiros. Sabemos que na área social e da saúde, e pensando numa lógica regional, nem sempre é fácil gerir estruturas como aquelas que a SCMH possui, como por exemplo o CCC ou o Lar Residencial, onde, recentemente, vimos reforçado com a instalação de uma sala de Snoezelen (sala multi-sensorial que tem como objetivo a estimulação sensorial e/ou a diminuição dos níveis de ansiedade e de tensão). Por vezes temos tido alguns atrasos, sobretudo na área da Saúde, que nos colocam constrangimentos de variadíssima ordem, mas temos encontrado no Governo, um parceiro e nunca um adversário.
Leia a entrevista completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 30 de janeiro de 2015