O PSD/Açores lamentou que as bancadas do PS, BE e PCP tenham rejeitado uma iniciativa legislativa dos cidadãos, "a primeira da história da Autonomia dos Açores", que visava estabelecer um regime jurídico de apoio aos mordomos, impérios e irmandades na realização das festas populares de culto ao Espírito Santo".
"Esta primeira iniciativa legislativa dos cidadãos devia ter sido bem recebida e bem aproveitada por todos, mas foi maltratada pelo Governo e desconsiderada pela Esquerda", disse o deputado José Andrade.
Segundo o social democrata, que sublinhou o voto favorável da sua bancada, "o Parlamento e o Governo existem para servir os cidadãos. Nós não estamos acima das pessoas, mas sim ao lado delas em benefício do interesse coletivo. E aí está uma grande diferença entre o PSD e o PS", considerou.
José Andrade explicou que o projeto em causa "não visava nem condicionar nem regulamentar, e muito menos institucionalizar, a festa do povo, mas sim, tão somente, assegurar um apoio da Região para manter a tradição".
"Esta iniciativa legislativa, subscrita por mais de 1500 cidadãos, pretendia, antes de mais e acima de tudo, reconhecer, em diploma próprio, a singularidade das nossas festas populares em louvor do Espírito Santo. E só por esta dignificação legislativa da tradição popular a iniciativa já teria valido a pena", defendeu.
José Andrade referiu ainda que o Governo Regional, "que põe e dispõe do Orçamento da Região para tudo e para alguns, devia também dar o seu contributo, com equidade e com transparência, para a preservação da tradição mais representativa da identidade cultural do povo açoriano, mas o PS e os outros partidos da esquerda assim não entenderam".
O deputado criticou ainda a postura do Secretário Regional da Educação e Cultura, que "entendeu manifestar a discordância do governo pela aprovação da iniciativa com argumentos quase ofensivos", designadamente, que "o Espírito Santo não precisa de ser apoiado porque não está em risco de desaparecer, como se o governo não apoiasse outras tradições populares que são cada vez mais numerosas"; que "quem quer festa deve pagá-la, como se o governo não apoiasse inúmeras festas todos os anos em todas as ilhas"; e que "não se pode roubar a festa ao povo, como se quem apoia devesse mandar".
"O que hoje assistimos no parlamento regional foi uma falta de consideração pelas festas populares dos Açores e uma falta de respeito pela capacidade legislativa dos cidadãos", concluiu José Andrade.
“A ilha dentro de mim” é o mote do sarau músico-literário que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores acolherá hoje, na Cedar’s House, pelas 21:30 horas, numa parceria conjunta com a Escola Secundária Manuel de Arriaga, entidade organizadora, no âmbito da realização da XXIII edição dos Encontros Filosóficos.
Enquadrado no projeto Parlamento Presente, este sarau contará com dois momentos distintos, enaltecendo a poesia açoriana e a música clássica, no âmbito do tema dos Encontros do presente ano: “Migrações e o Direito à Felicidade”.
“Carta de João Valente (raminhense da Terceira) a seu irmão embarcado na Califórnia”, de Álamo de Oliveira, “Quatro Poemas de antemanhã IV”, de Pedro da Silveira, “Mãe Ilha”, de Natália Correia e, ainda, “A concha”, de Vitorino Nemésio, compõem o leque dos vários poemas açorianos que nos chegarão pelas conhecidas vozes de Victor Rui Dores e Maria do Céu Brito, e pela aluna Margarida Salema.
O momento musical, na segunda parte deste sarau, contará com a interpretação de “Der Lindenbaum”, de Franz Schubert, pelo tenor Kurt Spanier, acompanhado ao piano por Olga Gorobets, que interpretará, ainda, “Claire de Lune”, de Debussy, “Noturno op. 9.2” e “Valse op. 64.2”, de Chopin.
O Parque Natural do Faial em parceria com o Conservatório da Horta irá dinamizar, no dia 12 de março uma tarde musical nos centros ambientais do Complexo do Monte da Guia, Casa dos Dabney e Aquário do Porto Pim.
A tarde musical conta com a participação de alunos e professores do Conservatório Regional de Música da Horta. Na sessão, os discentes e professores do conservatório tocam instrumentos de sopro e cordas a solo e/ou acompanhados. Se as condições meteorológicas o permitirem o grupo de ballet, deste conservatório, participará com uma coreografia junto ao Aquário do Porto Pim.
O público em geral terá a oportunidade de desfrutar, aproveitando para passear junto ao mar e ouvir boa música, prestigiando futuros artistas locais. A entrada é gratuita nestes centros ambientais, das 14h00 às 17h30.
A atividade “Música no Monte da Guia” pretende promover um encontro para famílias através da música, desenvolvendo uma convivência cultural numa tarde de sábado.
Natural da ilha do Faial, onde nasceu a 5 de outubro de 1928, Mário Mesquita Frayão é um homem das letras, das artes e da Cultura. Aos 15 anos, fez a sua estreia no Teatro Amador, ao qual se manteve ligado ao longo de toda a sua vida, em movimentos como a Associação Cultural Académica, o Grupo Dramático Faialense, o Amor da Pátria e, presentemente, o grupo de teatro da Unisénior.
O cinema e a poesia foram outras das suas paixões, assim como o jornalismo, pelo que se tornou co-fundador do jornal “Tribuna das Ilhas” e seu primeiro diretor no período entre 19 de abril de 2002 e 30 de junho de 2006.
Em 2005, foi nomeado pela Presidência do Governo Regional dos Açores, júri efetivo para apreciação das candidaturas aos apoios a atribuir pela Administração Regional na área da Literatura.
Em termos cívicos passou pelos órgãos sociais de diversas coletividades da ilha do Faial, nas mais variadas áreas, com um carinho especial pela Sociedade Filarmónica Unânime Praiense, onde, ainda hoje, se mantém como seu Presidente da Assembleia-Geral e principal embaixador. A nível político, e com a perspetiva de participar no desenvolvimento da sua ilha, foi deputado municipal pela CDU, no mandato 2009-2013.
Em 2012, foi agraciado pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, com a medalha de mérito Cívico.
“Crónicas e outras estórias” é uma compilação de alguns dos escritos que, ao longo de anos, foram sendo publicados nas páginas deste jornal.
Foi com um auditório a “abarrotar” que Mário Mesquita Frayão, com o seu estilo bem caraterístico, deu a conhecer a sua mais recente obra literária “Crónicas e Outras Estórias".
Trata-se de uma compilação de várias crónicas que Mário Frayão escreveu nos últimos anos e que “revisitam” a Horta do século XX, numa dedicatória emocionada a sua esposa, Ilda Frayão – sua companheira, mãe das suas filhas, professora de inglês.
Com o bom humor como tónica dominante, aliás, caraterística intrínseca deste homem das letras, a sessão de apresentação que decorreu na Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, foi pautada por momentos de boa disposição, sobretudo quando o autor presenteou os presentes com algumas das suas “estórias”.
A apresentação deste livro esteve a cargo de Alzira Silva que manifestou a sua alegria em “ partilhar este momento, entre amigos, com a consciência de que o que há de mais especial na vida são os afetos e as culturas em que eles se desenvolvem/manifestam/vivem.”
“Este livro é bem um produto resultante deste binómio - afetos/culturas - revelando o enquadramento cultural da Horta e de um modo geral do Faial, no século XX, com todas as suas caraterísticas e todos os seus tipos sociais que, se saltassem destas crónicas para um romance, bem poderiam ocupar algumas páginas de um Eça de Queirós, com menos elementos descritivos, é certo, mas com comparável vivacidade. Sobretudo, com muitas pinceladas bem coloridas de humor em cenários pitorescos e bem retratados”, frisou Alzira Silva.
Alzira Silva, amiga do autor reconheceu-lhe o caráter íntegro, generoso e solidário.
“Terei igualmente de falar do cidadão, antes de falar do autor. O cidadão ativo, interventivo, atento, apoiante de causas, defensor intransigente da sua terra – ouvi chamarem-lhe “alma gémea da nossa ilha” - porém integrado no mundo atual, pensador incessante, com uma sólida formação ideológica, deputado municipal comprometido com a sua comunidade, independente eleito nas listas da CDU”, afirmou.
Outra faceta que Alzira Silva abordou foi a “faceta de cinéfilo, o ator de teatro – encenador também – e de televisão, com raro talento histriónico, que teria sido um dramaturgo de sucesso se as voltas da vida tivessem sido outras…”
“ O Senhor Mário não perdeu nenhuma vocação; acumulou vocações, construindo esse ser multifacetado, versátil, culturalmente mais rico”, acrescenta.
Alzira Silva relembrou ainda “o jornalista que vive no Senhor Mário, fundador e diretor do Semanário Tribuna das Ilhas, colaborador da imprensa. Esse jornalista é a síntese do homem, do cidadão, e do ator, mas com aquela pitada de humor que acompanha todas as suas palavras e o seu sorriso. O jornalista desemboca no contador de estórias. Contudo, o jornalista foi mais do que um contador de estórias. Foi e é um comunicador nato, conversador estimulante, espírito incisivo que retira de um grande manancial de informação o que de facto interessa reter para compor uma estória.”
Sobre a sua faceta de autor, Alzira Silva sublinha que “de escrita leve, escorreita, cromatizada, ágil, vibrante. Não há enfado nem rotina nos seus percursos humorísticos – e o humor atravessa todas as suas crónicas de um modo totalmente integrado e inseparável como se ela – crónica – não sobrevivesse sem ele – humor – e ele humor – não existisse sem ela – crónica.”
Os cenários que ilustram “Crónicas e Outras Estórias” são os da ilha (quase sempre o Faial), da sua infância, da juventude, do adulto, das estórias contadas pela família e pelos amigos… “que Mário Fraião reinventa, com cumplicidade e respeito, mas com o seu toque pessoal, buliçoso, eu diria com a porção de sal indispensável para oferecer o sabor certo à surpresa, ao prazer, ao encantamento.”
A finalizar, Alzira Silva frisou que estas crónicas devem ser recebidas “como um repositório cultural, espelho de vivências de uma época, com tipologias diversas em movimento evolutivo.”
O próprio autor afirmou: “são contributos, embora parciais, para a recuperação do ambiente e da forma de viver de tempos passados neste nosso pequeno burgo.”
“Muitas das suas crónicas transportam-nos a um espaço e a um tempo tenuemente equilibrado (para os nossos dias) entre o imaginário e a realidade; outras são tão autênticas que conseguimos ver as figuras e ouvir os sons e colher a informação histórica que vive nos quadros compostos com propriedade; … E assim reconstituímos a Horta, as suas personagens e os seus lugares, os seus filamentos culturais que transparecem nas conversas, nos espaços, nos acontecimentos” - revela a apresentadora da obra.