O gastrónomo micaelense António Cavaco esteve no Faial na passada sexta-feira para apresentar a segunda edição do livro Sabores das Ilhas, que decorreu no auditório do Teatro Faialense. A obra, com prefácio do antigo reitor da Universidade dos Açores Avelino Menezes, resulta do programa com o mesmo nome emitido pela RTP/Açores em 2011 e 2012, que foi também transmitido na RTP/Internacional e na RTP/África, apresentado por António Cavaco.
Do ecrã ao papel, Sabores das Ilhas transformou-se num roteiro gastronómico que apresenta não só as receitas típicas açorianas como também indica os restaurantes onde podem ser degustadas.
A apresentação do livro esteve a cargo de Victor Rui Dores, que destacou o facto da obra estar também recheada de “apontamentos histórico-etnográficos” sobre as ilhas. Lembrando que a culinária “faz parte do património cultural” dos Açores, Rui Dores abordou as especificidades da gastronomia açoriana, bem como a sua evolução e influências.
Falando sobre a pertinência da obra, o seu autor explicou que pretendia que esta fosse registada “para que deixasse alguma coisa à nossa memória coletiva”. António Cavaco agradeceu a colaboração de José Serra, Emanuel Carreiro e Rui Machado, que com ele trabalharam no programa e também participaram na produção do livro.
Na apresentação a obra marcou presença o vice-presidente da Câmara Municipal da Horta. Luís Botelho destacou a importância do livro na dinamização e divulgação da restauração faialense. Também o diretor regional do Turismo destacou esta vertente da obra, chamando a atenção para o contributo de António Cavaco para “a promoção do arquipélago além fronteiras”. João Bettencourt destacou também a importância destes registos para “a consolidação dos usos e costumes” das ilhas.
A diretora regional da Solidariedade Social esteve hoje no Atelier de Culinária do Projeto Moviment’Arte, que funciona na cozinha comunitária da Conceição.
Natércia Gaspar veio inteirar-se das atividades deste projeto da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF), que desde 2010 trabalha as competências pessoais, sociais e profissionalizantes de cidadãos com deficiência.
Na ocasião a diretora regional anunciou a renovação do projeto durante o ano de 2014, com um apoio de 45 mil euros do Governo Regional. Para Natércia Gaspar, a renovação do Moviment’Arte “demonstra a importância que a APADIF tem tido, sobretudo neste projeto, não só na promoção das competências pessoais, sociais e profissionalizantes destas pessoas, mas por todo o trabalho que tem desenvolvido no Faial para envolver as outras instituições e sensibilizando a comunidade para a questão do reconhecimento dos direitos da pessoa com deficiência”.
O projeto Moviment’Arte conta atualmente com 35 utentes. No Atelier de Cozinha participam, para além destes utentes, alunos de uma turma de UNECA da Escola Secundária Manuel de Arriaga.
A deputada do CDS-PP/Açores Graça Silveira esteve esta manhã no Museu da Horta, para se inteirar junto do seu diretor, Luís Menezes, da evolução do processo para a criação do Espaço Museológico da Horta dos Cabos Submarinos, que foi aprovada pela Assembleia Regional precisamente na sequência da apresentação de um projeto de resolução da bancada popular.
À saída da reunião, Graça Silveira explicou que se quis inteirar do ponto da situação da implementação prática de todo este processo, “nomeadamente em relação a uma série de equipamento de telecomunicações da altura que estava no museu e foi todo inventariado, algum dele até recuperado”. Sobre este assunto, a deputada congratulou-se com o facto de ter sido remetido um processo ao diretor regional da Cultura no sentido de classificar este equipamento como sendo de interesse público regional, aguardando-se agora uma reunião entre este responsável político e o Grupo de Amigos da Horta do Cabo Submarino.
“Outra questão fundamental é o estabelecimento de protocolos de cooperação com entidades internacionais e outros espaços museológicos de cabos submarinos”, refere Graça, chamando a atenção para a importância de se criarem sinergias com outros museus que permitam a partilha de experiências e de equipamentos e que sejam até contributos para a instalação do espaço museológico na Horta. “Se não houver a ambição de uma projeção a nível mundial deste espaço, muito se perderá do alcance deste património. Sabemos que existe a vontade de fazer uma rede mundial de museus de cabos submarinos e há interesse de que a Horta participe, pois era aqui o nó das telecomunicações”, refere, chamando a atenção para o facto destes protocolos terem de ser estabelecidos “ao nível da presidência do Governo”.
“Ficámos muito bem impressionados com a disponibilidade do diretor do Museu em participar em todo este processo e esperemos que esta iniciativa se concretize em breve”, desejou a deputada.
Graça Silveira lembra que os antigos cabografistas têm já uma idade avançada, por isso alerta para a urgência de fazer evoluir este processo, aproveitando a experiência e contributo que eles podem dar para a criação de um espaço museológico interativo. Nesse sentido, entende que “a questão da Trinity House tem de se resolver rapidamente”. A verba disponibilizada no Plano e Orçamento da Região de 2014 para o Museu da Horta dos Cabos Submarinos, de cerca de 25 mil euros, destina-se, precisamente, a intervenções naquele local, onde funcionou o Operating Room onde as três companhias operavam, e que acolherá este espaço museológico.
Sobre a intenção anunciada de se aguardar pelas obras da creche O Castelinho, para que a Trinity House possa servir de apoio àquela instituição durante esse período, Graça considera que tal não é necessário: “aquele edifício tem duas partes. A Join Station, atrás, está efetivamente a ser utilizada para apoio”, explica, acrescentando que isso não implica que se intervenha na Operating Room da Trinity House. “É aí - e só aí - que os Amigos da Horta dos Cabos Submarinos querem instalar o espaço”. Assim, entende a deputada, a Trinity House deve ser cedida ao grupo com a maior brevidade para que este processo possa avançar.
Sobre a verba reservada pelo Executivo a esta intervenção, a deputada reconhece que “é relativamente pequena mas a ideia é uma recuperação muito pouco interventiva”. “Segundo sei, o edifício está em excelentes condições de segurança, não precisa de uma intervenção estrutural, portanto não são necessárias obras de grande envergadura”, refere, lembrando que já existe um projeto para a criação do espaço, o que representa menos um custo em todo o processo.
Graça lembrou que a proposta do CDS foi aprovada por unanimidade no parlamento regional, “o que demonstra que existe um reconhecimento transversal a todas as cores políticas da importância de um espaço desta natureza na Horta”.
O Plano Integrado dos Transportes (PIT) dos Açores começará a ser implementado nas ilhas do Triângulo já em março. Todas as medidas deste plano, cuja operacionalização será feita gradualmente ao longo da presente legislatura, irão arrancar primeiro nas ilhas do Faial, Pico e São Jorge, antes de serem alargadas ao resto do arquipélago. A operacionalização do PIT, cuja coordenação estará a cargo de um Grupo de Missão a ser criado para o efeito, vai custar cerca de 3 milhões de euros e pretende assegurar uma “efetiva coordenação entre todos os meios de transporte, assegurando uma interligação de horários, logística, parâmetros operacionais e gestão de informação”. A primeira apresentação pública do PIT acontece hoje, quarta-feira, a partir das 20h30, no Terminal Marítimo de Passageiros da Horta. Esta tarde, o Plano foi apresentado à comunicação social pelo secretário regional do Turismo e Transportes.
A pertinência da criação de um PIT nos Açores surge nesta altura, segundo Vítor Fraga, pelo facto das infraestruturas e dos meios associados aos Transportes na Região terem já imprimido as “condições necessárias ao desenvolvimento do setor”. Nesta fase, importa garantir a articulação entre transportes aéreos, marítimos e terrestres nos Açores, e é a isso que o PIT se destina, estabelecendo como prazo para a sua efetivação a atual legislatura, que termina em 2016. Esta articulação permitirá, segundo Fraga, “aumentar a capacidade de mobilidade das pessoas e bens”, através da redução do custo de acesso, e da facilidade de interligação e da comodidade nas ligações no interior das ilhas, inter-ilhas e para o exterior, de modo a atingir “a excelência operacional” dos transportes nos Açores.
O PIT será implementado de acordo com três eixos: infraestruturas e equipamentos, quadro regulamentar e instrumentos facilitadores. Quanto a infra-estruturas, prevê a remodelação de aerogares no Corvo e Graciosa e várias obras nos portos, destacando-se a construção do novo cais de São Roque do Pico. Estas obras, a par das que já foram realizadas, conjugam-se assim com a recente renovação da frota da SATA, a aquisição dos novos barcos para o Triângulo e a anunciada compra de dois navios com capacidade para 650 passageiros e 150 viaturas, que irão operar em toda a Região e durante o ano inteiro.
Uma das ferramentas para articular todos os transportes na Região será a criação de um “Balcão Único”, onde se pretende facilitar “o planeamento e a aquisição de bilhetes para viagens intermodais”, que impliquem a utilização de diferentes meios de transporte.
Neste sentido, e numa primeira fase, a SATA vai passar a vender nos seus balcões bilhetes para viagens marítimas no Triângulo.
O PIT prevê ainda a implementação do Serviço de Bagagem e Carga Integrada, no âmbito do qual qualquer passageiro pode “levantar a sua bagagem no destino final, aquando de uma deslocação intermodal”. A ideia, segundo Fraga, é reduzir tempos de espera e aumentar o conforto dos passageiros, permitindo também “otimizar as rotas de carga aérea com o objetivo de abreviar o tempo de entrega no destino”.
No que diz respeito às infra-estruturas, o PIT não faz qualquer referência à ampliação da pista do Aeroporto da Horta. Questionado sobre este assunto, Vítor Fraga reiterou a convicção do Governo Regional de que o papel da Região neste processo é apenas o de pressionar a ANA e o Governo da República para a concretização da obra.
O PIT prevê a revisão das Obrigações de Serviço Público para transporte aéreo de passageiros inter-ilhas e para o exterior da Região. No transporte inter-ilhas, o secretário explica que se pretende aumentar as ligações e reduzir os seus custos, garantindo também mais articulação com transportes marítimos e terrestres.
Já quanto às ligações com o Continente e a Madeira, o governante lembrou que a revisão “está dependente da decisão do Governo da República”, adiantando no entanto que a Região pretende melhorar as acessibilidades e torná-las mais competitivas, bem como “permitir o acesso a uma tarifa semiflexível, com um preço máximo e igual para todos os residentes nos Açores”.
No âmbito do PIT prevê-se ainda a revisão das Obrigações de Serviço Público para transporte marítimo de passageiros, que Vítor Fraga prevê estar concluída no final de março. Esta será norteada pelo objetivo de “garantir fiabilidade, regularidade, rapidez e eficiência” nas acessibilidades marítimas, tanto para passageiros como para viaturas.
A este respeito, o secretário regional garantiu que a entrada em funcionamento dos novos barcos no grupo Central não encarecerá as tarifas. Fraga referiu mesmo que estas serão “mais acessíveis” e que estão a ser preparadas tarifas especiais, destinadas, por exemplo, a passageiros frequentes. Quanto às tarifas para o transporte de viaturas, o governante garantiu que serão estabelecidas de forma a potenciar a utilização dos barcos e a criar um mercado sólido no Triângulo.
Sobre a entrada em funcionamento dos barcos, Fraga disse que está dependente de uma certificação externa à Região, esperando no entanto que aconteça ainda em março. É também para o final de março que o governante prevê o final das obras no porto da Madalena. Enquanto estas não estiverem concluídas, aquele porto não poderá receber viaturas.
O PIT prevê também a criação do Tráfego Regional, “para flexibilizar o transporte marítimo de carga” nos Açores, permitindo aos armadores locais “operar sem restrições” na Região.
O PIT prevê também a modernização e reorganização da rede de transportes terrestres. Neste âmbito serão criados passes sociais em todas as ilhas, à semelhança do que já existe em São Miguel e Terceira. De acordo com Vítor Fraga, estes passes deverão chegar ao Faial no segundo semestre deste ano.
No âmbito desta apresentação os jornalistas quiseram saber para quando a anunciada fusão entre as duas transportadoras marítimas regionais. Vítor Fraga não apontou nenhuma data para a conclusão do processo, adiantando apenas que o mesmo está a decorrer. O governante garantiu, no entanto, que a sede da nova empresa ficará na Horta e que não serão despedidos trabalhadores em nenhuma ilha da Região.
A Universidade Sénior do Faial estreia nova peça amanhã, dia 22 de fevereiro. A comédia “Teatro na Unisénior”, composta por quatro sketches, sobe ao palco no Teatro Faialense, a partir das 21h30. Em cena estarão todos os alunos da Oficina de Teatro da Unisénior, orientada por Raquel Vieira, que escreveu, dirige e encena este trabalho. Em vésperas de estreia Tribuna das Ilhas esteve à conversa com a encenadora, que promete diversão a todos quantos queiram assistir à peça. Diversão e uma lição: é que, como salienta Raquel, esta peça serve também para provar “que os velhos não são trapos”.
As andanças dos palcos já não são novidades para Raquel Vieira nem para os alunos da Oficina de Teatro da Universidade Sénior do Faial, que de há cinco anos a esta parte estão habituados a mostrar ao público faialense o resultado do trabalho desenvolvido nas aulas. “Teatro na Unisénior” é o seu quinto trabalho, e estreia no palco do Teatro Faialense amanhã.
Com direção e encenação de Raquel Vieira, este trabalho dá também grande destaque à música, contando com direção musical de Norberto Oliveira. Ao piano estará Hugo Duarte e ao palco sobem todos os intervenientes da Oficina de Teatro da Unisénior: Amadeu Ribeiro, Cecília Ávila, Ermelinda Simões, Eugénia Fontes, Fátima Serpa, Goretti Picanço, Graciete Amaro, Humberto Pacheco, Manuel Medeiros, Manuel da Rosa, Teresa Almeida, Raimunda Rosário, Raquel Vieira e Rui Rosário.
Os quatro sketches foram escritos por Raquel, com a colaboração do grupo. Ao Tribuna das Ilhas, a encenadora explica que se inspirou num espetáculo de Revista à Portuguesa que viu no Porto, da responsabilidade do “Grupo Norte”, um conjunto de cidadãos seniores. Influenciada pelo que viu escreveu o texto que agora será apresentado ao público e que, garante, promete boas gargalhadas: “tristezas bastam as da vida, por isso quem se quiser rir um bocadinho, aconselho a ir. É um espetáculo totalmente diferente do que temos vindo a fazer”, diz.
Para Raquel, trabalhar com um grupo de seniores é uma tarefa com muitas especificidades. Se, por um lado, apresentam mais dificuldades em tarefas como decorar os textos, por outro, entregam-se com empenho e entusiasmo singulares ao projeto entre mãos.
Para os alunos da Oficina de Teatro da Unisénior, a principal dificuldade é o facto de não disporem de um local fixo para ensaiar: “este ano foi difícil porque não temos espaço nosso e andamos um pouco empurrados de um lado para o outro. Enquanto não tivermos um espaço para a Unisénior será muito difícil. Isso era muito importante. Quem sabe, um dia?”, diz Raquel.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 21.02.2014 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário