.jpg)
O faialense José Decq Mota é o cabeça de lista da CDU pelo círculo eleitoral dos Açores às eleições legislativas do próximo dia 5 de Junho. O anúncio foi feito esta tarde, na sede do PCP na Horta, por Aníbal Pires, mandatário da CDU/Açores para o referido acto eleitoral.
À comunicação social e aos apoiantes e militantes que compareceram na sede para escutar o primeiro discurso do candidato, Decq Mota disse ter aceite o convite do partido por estar disponível para trabalhar para a criação de “uma verdadeira alternativa a esta política de submissão, de dependência, de ultra-exploração, de empobrecimento da generalidade da população, de desvalorização profunda dos serviços sociais essenciais e de enriquecimento desenfreado de uma pequena faixa de especuladores”.
Evocando o seu passado de activismo político e de actividades cívicas, o candidato comunista entendeu como seu dever aceitar este desafio: “não tinha o direito de me alhear de uma participação muito activa para a qual os meus camaradas da CDU/Açores me solicitaram”, referiu.
Decq Mota entende que o acto eleitoral que se aproxima deve levar a uma “significativa alteração na correlação de forças, no plano político e no plano institucional”. Apontando responsabilidades ao PS e também ao PSD e ao CDS/PP na actual situação do país, o candidato frisou que as próximas eleições não podem ser condicionadas pela União Europeia, pelo FMI ou pela Presidência da República.
Para o comunista, “são possíveis outras políticas”, que valorizem os trabalhadores, protejam os reformados e pensionistas e visem “um verdadeiro desenvolvimento da economia”.
Decq Mota alertou também para a importância da estabilidade dos instrumentos reguladores do relacionamento entre o Estado e a Região, como a Lei das Finanças Regionais, que entende não dever estar subjugada à Lei do Orçamento de Estado.
Apesar de não serem ainda conhecidas as restantes candidaturas pelo círculo eleitoral dos Açores, o candidato da CDU deixou um desafio, apelando à realização de debates, na comunicação social, sobre todas as questões sobre as quais importa reflectir durante a campanha eleitoral: “manifesto a total disponibilidade da candidatura da CDU/Açores em participar em todas as iniciativas de debate e discussão”, disse.
“Sabem que podem contar comigo e com a CDU, sem reservas, sem mentiras, sem jogos”, concluiu.
Com 61 anos, José Decq Mota foi por diversas vezes coordenador do PCP/Açores e membro do Conselho Regional do partido, do Comité Central da Comissão Política, da Comissão Executiva Nacional e do Conselho Nacional. Foi o primeiro candidato do PCP a ser eleito deputado na Assembleia Regional, função que desempenhou entre 1984 e 1988. Foi vereador da CDU na Câmara Municipal da Horta entre 1997 e 2000, função que voltou a ocupar de 2005 a 2009. Actualmente, é administrador não executivo da empresa municipal Urbhorta.
CDU apela ao reforço da esquerda
Para lá, CDU e Bloco de Esquerda partem para estas eleições sem coligação com um propósito mútuo de “colaboração e convergência com o objectivo de construir uma alternativa de políticas”. Foi esta a leitura que José Decq Mota fez do encontro de ontem na Assembleia da República entre dois partidos mais à esquerda na representação parlamentar nacional.
No seu discurso, que antecedeu o do candidato pelo círculo eleitoral dos Açores, Aníbal Pires também reforçou a importância de se construir uma “alternativa política patriótica e de esquerda”, por oposição às políticas até agora praticadas. Para o deputado regional, a acção governativa do PS, do PSD ou do CDS/PP levará à “destruição do que resta do sector produtivo”, bem como ao “aumento da precariedade laboral, do desemprego, da pobreza e da exclusão” e ao “desmantelamento e privatização dos sectores sociais do Estado”, como a saúde ou a educação. “Esta é a opção conhecida e alternante que entrou em falência”, entende.
Para o mandatário da CDU/Açores para as próximas legislativas, urge “promover e valorizar a produção nacional, renegociar a dívida pública e escalonar o se pagamento”, bem como propor “a alteração dos regulamentos do Banco Central Europeu que está na base do poder ilegítimo das agências de notação”.
.jpg)
.jpg)
No passado sábado decorreu na Horta um jantar comemorativo do 90.º aniversário do Partido Comunista Português, que se assinalou no dia 6 de Março. Com a presença do líder regional dos comunistas, Aníbal Pires, várias dezenas de militantes do partido reuniram-se na sede para assinalar a efeméride. Ao clima de festa juntou-se o clima eleitoral, e as intervenções da noite foram marcadas pelo apelo a um reforço da votação no partido nas eleições que deverão acontecer no final do mês de Maio ou início de Junho.
.jpg)
Para o coordenador regional do partido, a passagem dos 90 anos do PCP representa a celebração “do futuro que se abre à nossa frente”. Aníbal Pires alertou para os “tempos difíceis” que o país atravessa, frisando que a actual crise não apanhou os comunistas de surpresa. “Estes duros tempos que vivemos representam uma oportunidade de mudar”, destacou, referindo-se à “próxima grande batalha das eleições” como a hipótese de “mostrar que há outro caminho”, que passa por um reforço da votação à esquerda. Aníbal Pires apelou à união dos comunistas, para que se faça uma “grande campanha” que resulte no reforço político do PCP.

Também Martinho Batista, membro do Comité Central do PCP, se referiu às próximas eleições como sendo “uma batalha difícil e de grande exigência”, e apelou “à participação de todos no esclarecimento e convencimento para o voto na CDU”. Segundo Martinho Batista, este momento representa “a possibilidade de romper com a política de direita e com a actual subjugação e capitulação ao grande capital”. Para tal, o comunista salienta que o PSD de Pedro Passos Coelho não é alternativa, uma vez que apresenta “a receita de sempre” para fazer face à situação, ou seja, o aumento da carga fiscal.
Martinho Batista apontou baterias também ao Governo Regional, acusando o Executivo de César de “tapar o sol com a peneira”, tentando “escapar à derrocada do PS nacional”. Para o comunista, o Governo dos Açores “faz de conta que é de esquerda”, no entanto adopta políticas de direita, que resultam no maior desemprego de sempre na Região, agravado com os cortes nos apoios sociais.
Segundo Martinho Batista, o país tem de deixar de subjugar-se aos interesses do mercado, financiando a sua economia e “taxando os fabulosos lucros do grande capital”. Desenvolver o aparelho produtivo nacional e regional para aumentar o poder de compra das famílias e reduzir a dependência externa é, na sua óptica, o caminho para escapar à crise.

Também Luís Bruno salientou que se aproxima um “momento difícil”, que irá exigir muito trabalho dos comunistas, bem como “responsabilidades financeiras acrescidas” do partido. Nesse sentido, destacou a importância da recolha de fundos, e apelou aos donativos dos militantes para fazer face às despesas.

Outra das vozes que se ouviram na noite de festa Maria da Luz, membro da Comissão Executiva do PCP Faial. Recordando a Dia Internacional da Mulher, que se assinalou no passado dia 8 de Março, chamou a atenção para a evolução do papel da mulher na sociedade feminina ao longo dos anos de democracia. Para a comunista, a discriminação da mulher continua a ser uma realidade que é preciso combater. Munida das estatísticas, Maria da Luz ilustrou com números as suas palavras, no que diz respeito à remuneração e à empregabilidade, aspectos em que o sexo feminino continua a ser prejudicado em relação ao masculino.
Falando do cenário actual, em que se anunciam “novos e pesados sacrifícios”, Maria da Luz frisou que o PSD não será alternativa ao PS, acusando os dois partidos de terem destruído o sector produtivo nacional com as suas políticas. “É preciso mudar a essência da política” em Portugal, destacou.
Na tarde da passada terça-feira a secretária regional da Educação e Formação visitou a Escola Básica Integrada da Horta, onde esteve reunida com o Conselho Executivo, naquela que foi a primeira visita de Cláudia Cardoso àquele estabelecimento de ensino desde que sucedeu a Lina Mendes na pasta da Educação, em Janeiro passado.
Dos vários temas em cima da mesa, destaque para a calendarização para o lançamento do concurso da remodelação e construção dos novos blocos da EBI da Horta. Para além deste assunto, foram abordados temas como a necessidade de se operacionalizar melhor a integração do ensino artístico e a reorganização e reestruturação da rede de escolas pertencentes a esta EBI.
Esta visita integra-se num périplo que Cláudia Cardoso está a realizar pelos estabelecimentos de ensino da Região, com o intuito de se inteiras da realidade das escolas açorianas.
Na manhã desta terça-feira, alguns dias depois da visita dos vereadores social-democratas à obra da estrada da Ribeira Funda, o vice-presidente da Câmara Municipal da Horta, José Leonardo, e o vereador Filipe Menezes, visitaram os arruamentos reabilitados ao abrigo da empreitada do Bloco II da rede de estradas, cujo prazo de execução termina no final deste ano.
No total, tratam-se de 3,6 quilómetros de estradas intervencionadas neste mandato, num investimento de 1 milhão e 700 mil euros. Neste momento estão concluídas a asfaltagem da Estrada New Bedford, da Rocha Vermelha de Cima e de Baixo (Pedro Miguel e Praia do Almoxarife), do Calço da Chã da Cruz (Ribeirinha), do Bairro da Carreira e da Ribeirinha (Castelo Branco) e ainda a requalificação da Área do Mirante, na freguesia da Conceição.
Deste bloco fazem parte também a intervenção na Ribeira Funda (Cedros) que, de acordo com José Leonardo, deverá estar concluída em Maio, e a asfaltagem da Arrochela, em Pedro Miguel, e da Padre Manuel Madruga, na Feteira, cujas obras deverão arrancar em breve.
Instado a pronunciar-se sobre a demora de algumas destas obras, José Leonardo reconheceu que o Inverno particularmente chuvoso e a necessidade de colocação de muros de suporte atrasaram os trabalhos, no entanto frisou que a conclusão das intervenções está a fazer-se “dentro dos espaços temporais estipulados”.
À comunicação social, José Leonardo lembrou que está a decorrer o concurso público para o Bloco III da rede de estradas, que dentro de 3 meses deverá estar adjudicado. Trata-se de uma obra com um volume orçamental de cerca de 3 milhões de euros, que contempla estradas nas freguesias dos Cedros, da Ribeirinha, do Capelo e do Salão.
O vice-presidente da CMH acrescentou que, numa lógica de continuação da reabilitação da rede viária, a par da rede de águas, o município já está a trabalhar para lançar a concurso a reabilitação de um novo bloco de rede viária, no inicio de 2012, que contemplará as freguesias dos Flamengos, Feteira, Pedro Miguel e Praia do Almoxarife.
José Leonardo reforçou ainda que o objectivo do município é fazer o maior número de quilómetros de estrada possível, gastando o menos possível, posição que tinha sido criticada pelo vereador Paulo Oliveira na sua visita à Ribeira Funda. Para tal, apenas foram colocadas valetas nas zonas onde tal era estritamente necessário, nomeadamente nos troços com mais inclinação, onde a acção da água é mais prejudicial para as estradas, como explicou o vice-presidente.
.jpg)
Com o intuito de desenvolver um espírito empreendedor nos seus alunos, a Escola Profissional da Horta (EPH) aderiu a um programa piloto na Região, implementado pela Direcção Regional da Juventude, designado “Educação para o Empreendedorismo”. Amanhã, a EPH abre o projecto à comunidade faialense, com a realização da Feira do Empreendedor EPH, que decorre entre as 10h00 e as 17h00, na Tenda montada na Avenida 25 de Abril.
Tribuna das Ilhas esteve à conversa com a professora Regina Pinto que, tal como a professora Ester Pereira, é responsável por este projecto.
REGINA PINTO A par de Ester Pereira, a professora coordena esta actividade
O programa “Educação para o Empreendedorsimo” é promovido pela Direcção Regional da Juventude, em parceria com a GesEntreperneur, uma empresa portuguesa existente desde 2006, especializada em educação em empreendedorismo. Sensibilizada para a importância de desenvolver características empreendedoras nos jovens que abastecem o mercado de trabalho actualmente, a EPH decidiu aderir ao programa. Assim, de acordo com Regina Pinto, desde o início do presente ano lectivo que as turmas de Contabilidade e Energias Renováveis, num total de 28 alunos, têm vindo a obter formação no âmbito de uma disciplina criada especialmente para falar de Empreendedorismo.
Em Dezembro passado, os alunos foram “empreendedores por um dia”, e durante uma manhã, na Escola Profissional, desenvolveram uma actividade na qual colocaram de pé um negócio, procurando alcançar o lucro. O balanço foi positivo.
Entretanto, começa a dar os primeiros passos o Clube do Empreendedorismo. Como explica Regina, este clube só agora começa a avançar porque a escola decidiu “realizar primeiro algumas acções de formação, no sentido de sensibilizar os alunos para o empreendedorismo, e tornar mais fácil a sua adesão a este tipo de iniciativas”. Agora, o clube está aberto a toda a comunidade escolar, e não apenas aos cursos de Contabilidade e Energias Renováveis.
Regina não duvida de que as ferramentas de que uma formação para o empreendedorismo pode dotar os alunos são muito importantes: “nos dias que correm não é fácil ter emprego garantido, e a intenção da Direcção Regional da Juventude é criar nos jovens a convicção de que eles próprios são capazes de construir o seu futuro; com os seus talentos, as suas capacidades, os conhecimentos técnicos que adquirem ao longo da vida. E é essa a grande luta, que passa agora para a escola”.
No Faial, a grande parte dos postos de trabalho estão no sector público, e o conceito de auto-emprego, em que as pessoas transformam a sua experiência, competência e talento em negócio e oferecem-no ao mercado, ainda não é uma realidade forte. Para Regina, é uma questão de tempo: “no futuro, cada vez mais os jovens terão de procurar o auto-emprego. Quando os formamos temos de ter isso em conta. Além disso, tentamos prepará-los não apenas para a Horta ou para os Açores, mas para o Mundo. Cada vez mais os jovens podem fazer a vida fora deste meio, e é preciso lutarmos contra o paroquialismo que existe muitas vezes”, em que os jovens vêem a sua ilha como o seu mundo, e não admitem deixá-la, ainda que seja para perseguir oportunidades. Para a professora, apesar de encontrar muitos alunos que têm ambições de prosseguir estudos, há ainda muitos outros que não ponderam deixar o Faial para crescer na sua formação pessoal e profissional. Nisto, a formação para o empreendedorismo também pode ajudar: “o empreendedorismo também visa, precisamente, abrir horizontes”, considera.
Um dos desafios que se coloca à Profissional da Horta é o facto deste projecto ser pioneiro nos Açores. No entanto, como salienta Regina, a prova da sua importância pode ser encontrada no sucesso que iniciativas deste tipo já têm em outros países europeus, bem como nos Estados Unidos e no Canadá.
Os alunos do Clube do Empreendedorismo estão no segundo ano. Regina explica que o facto de começarem agora a estagiar, adquirindo um contacto mais próximo com a realidade do mundo do trabalho, faz com que esta seja a altura ideal para envolvê-los neste projecto. E esse envolvimento tem sido mais fácil do que se esperava, como confessa a docente, agradavelmente surpreendida com a adesão dos alunos ao Clube.
A Feira do Empreendedorismo, que decorre amanhã na tenda da Avenida, é uma forma de mostrar à comunidade o que tem sido feito na área da educação para o empreendedorismo: “temos de agradecer muito à Câmara do Comércio e Indústria da Horta, que nos facultou o espaço. Tudo o resto é trabalho dos formandos”, refere, com orgulho. Assim, vão surgir amanhã naquele espaço várias áreas de negócio, desde um gabinete de estética a jogos electrónicos, passando por uma secção de comidas e bebidas. “A ideia é aproveitar os talentos e as capacidades dos alunos, que vão, durante o dia, montar os seus negócios na Tenda, vendendo produtos e serviços com o intuito de, no final do dia, conseguir algum lucro”, explica.
A Feira do Empreendedorismo EPH funcionará amanhã, na tenda da Avenida, entre as 10h00 e as 17h00.
Leia a reportagem completa sobre a Feira do Empreendedorismo na edição impressa do Tribuna das Ilhas, ou subscreva a edição digital do seu semanário