O Hotel Horta, encerrado desde maio de 2013, reentrará em atividade já no próximo mês de abril, graças à iniciativa do empresário faialense Carlos Morais, que alugou a unidade hoteleira à empresa Soturim, mediante uma cessão de exploração válida até dezembro de 2019. A informação foi avançada esta manhã à comunicação social pelo empresário.
Carlos Morais junta assim a hotelaria ao leque de atividades em que o seu grupo de empresas já se movimenta e que incluem agência de viagens, rent-a-car, transportes coletivos e restauração. O empresário procura afirmar-se ainda mais no turismo nesta zona do arquipélago, explicando precisamente que o potencial de crescimento do setor foi o factor que mais pesou nesta decisão.
Com 16 anos, o Hotel Horta, de 4 estrelas, possui 80 quartos duplos, 60 dos quais “com vista privilegiada para a cidade da Horta e para o Pico”, como recorda o empresário. Para evitar que o negócio perca a rentabilidade, como aconteceu com os proprietários anteriores, Carlos Morais tem uma série de ideias para pôr em prática, que passam por angariar novos clientes. No entanto o maior desafio é rentabilizar a época baixa: “o verão, por si só, faz-se. Há que tentar rentabilizar o inverno. Nesse aspeto, tenho algumas ideias, juntamente com as companhias aéreas e com operadores com os quais desenvolvi contatos na BTL. Neste momento o turismo de inverno é praticamente nulo por isso tudo o que vier, em termos percentuais, será um aumento substancial”.
O empresário não dúvida de que estas 160 camas estão a fazer falta ao Faial, onde a ocupação hoteleira facilmente se esgota no verão. No inverno, no entanto, a ilha tem camas a mais. Uma das soluções para combater a sazonalidade é, para Carlos Morais, a aposta no turismo de Terceira Idade.
O contrato com a Soturim tem a possibilidade de ser prorrogado e prevê também a opção de compra do hotel. Para o empresário essas decisões estão, para já, muito longe. Importa primeiro preparar o hotel para receber hóspedes, já no próximo mês, até porque já existem reservas. Nesse sentido, Carlos Morais anuncia obras de beneficiação, que passam por uma modernização dos quartos e pela utilização de novos produtos que entretanto se vulgarizaram no setor hoteleiro.
A reabertura do hotel implica, para já, a criação de 10 a 12 postos de trabalho, que no verão podem transformar-se em 16 a 18. Questionado sobre a possibilidade de readmitir os antigos trabalhadores desta unidade hoteleira, Carlos Morais explica que a preocupação principal é estudar os apoios governamentais à contratação. “Em primeiro lugar iremos contatar o Centro de Emprego e todos aqueles que lá estiverem e que achamos que nos dão garantia de um bom serviço, é certo que irão porque têm a mais valia de conhecer o hotel”, garante.
O empresário espera também poder recorrer a apoios comunitários para a remodelação e promoção do hotel. Este projeto começará a desenvolver-se em abril, como já foi referido, no entanto Carlos Morais frisa que será 2015 “o primeiro ano a sério” desta nova vida do Hotel Horta.
Arrancou esta manhã, no Teatro Faialense, a 21.ª edição das Jornadas Pedagógicas de Educação Ambiental, organizadas pela Associação Portuguesa de Educação Ambiental (Aspea) e pelo Observatório do Mar dos Açores (OMA).
Até ao próximo dia 17, estas jornadas, este ano sob o mote “Dos Rios aos Oceanos”, reúnem um grupo heterogéneo de participantes que irão refletir sobre vários temas, como os projetos de inovação e responsabilidade social e ambiental, o papel da educação na Estratégia Nacional do Mar, a literacia e investigação sobre charcos, rios e oceanos ou a participação e cooperação em áreas protegidas no âmbito das atividades socioeconómicas. Do programa constam ainda várias oficinas, mini-cursos, grupos de trabalho e saídas de campo.
De acordo com Eva Giacomello, do OMA, estas jornadas querem envolver pessoas ligadas à educação ambiental, mas não só; todos os interessados do tema são bem vindos: “queremos que saia daqui um testemunho para garantir que a educação ambiental seja transmitida a pessoas de formações diferentes, idades diferentes…”, explica, destacando este evento como “uma oportunidade única de partilha de conhecimentos e experiências”.
Lembrando que um dos objetivos do OMA é, precisamente, “a educação ambiental e contribuir para uma sociedade sustentável”, Eva frisa que é preciso reunir a contribuição de todos para a preservação dos recursos naturais, atividade que ganha especial relevância numa região como os Açores, tão dependente de atividades como a pesca ou o turismo de natureza.
“A gestão correta destes recursos começa com os hábitos de todos nós, por isso todos devíamos ter mais atenção ao nosso dia a dia e a como contribuir para preservar o meio ambiente”, frisa, destacando a preocupação do OMA em levar esta consciencialização não apenas às crianças mas a todos os públicos.
Quem o diz é Hélder Silva, diretor do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores. O responsável falava na sessão de abertura destas jornadas, presidida por Joaquim Ramos Pinto, da Aspea. Hélder Silva lembrou que os desafios ambientais “são crescentes”, por entende ser essencial que as respostas continuem a surgir, sendo importante para que tal aconteça a realização de eventos como estas jornadas. Tendo em conta a crescente atenção do país ao mar enquanto recurso, o diretor do DOP entende que esta instituição, com responsabilidades na investigação e na educação, tem pela frente “enormes desafios”.
Hélder Silva destacou a exploração das potencialidades do novo quadro comunitário de apoio e o processo de extensão da plataforma continental como áreas importantes a que a Região deve estar atenta, chamando a atenção para o papel essencial que as instituições ligadas à investigação têm no apoio à tomada de decisões a nível político nestas matérias.
O director do DOP exemplificou com as Pescas, que rendem 40 milhões de euros anualmente nos Açores, se tivermos em conta apenas a primeira venda, e que necessitam do apoio da investigação para fundamentar as quotas de pesca da Região e o seu equilíbrio com a sustentabilidade do setor.
Hélder Silva lembrou também que o apregoado “crescimento azul” traz desafios na exploração dos recursos marinhos sob diferentes pontos de vista, como a biotecnologia e a mineração.
Quem também marcou presença nesta sessão foi a vereadora da Câmara Municipal da Horta (CMH) com o pelouro da Educação. Ester Pereira frisou a importância que o município dá à sensibilização ambiental, principalmente junto dos mais jovens, considerando que uma década de políticas direcionadas para esta área já dá frutos no que à recolha seletiva de resíduos diz respeito. A autarca considera que “os mais novos são os mais importantes mensageiros” da sensibilização ambiental, por isso a CMH prossegue esta política no presente ano, com o projeto “o Ambi vai à escola”.
Na tarde desta quarta-feira a Assembleia Regional aprovou uma proposta do PCP no sentido de recomendar ao Governo a aplicação de tarifas reduzidas no transporte de viaturas e passageiros e a manutenção da oferta existente nas ligações marítimas entre as ilhas do Grupo Central.
Na sua proposta, Aníbal Pires admite “ajustamentos nas frequências, nomeadamente com a coabitação entre a operação dos novos navios e a realização de viagens intercalares” com outras embarcações entre as ilhas do Triângulo. Quanto às tarifas para passageiros, a iniciativa estabelece como “decisivo” que os preços não subam. Finalmente, em relação às novas tarifas que serão criadas para o transporte de viaturas, o PCP defende que “devem ser tendencialmente inferiores” às praticadas pela Atlânticoline no circuito sazonal.
Os restantes partidos do hemiciclo partilham das preocupações do PCO, no entanto, para os outros partidos da oposição, Aníbal Pires cedeu demasiado aos interesses do PS ao fazer alterações no texto para garantir a viabilização da proposta pela maioria socialista. Em causa está o facto de, no texto original, o PCP pedir tarifas “substancialmente inferiores” às da Atlânticoline no que às viaturas diz respeito, tendo acedido a alterar o texto para “tendencialmente inferiores”. Esta posição motivou mesmo a abstenção do deputado do PPM na votação e duras críticas da restante oposição, com Zuraida Soares a considerar que o deputado comunista “abdicou da sua posição inicial”.
PSD e CDS criticaram duramente o Governo pelas incertezas em todo este processo. Jorge Macedo questionou o facto de não haver qualquer ideia sobre quanto irão custar as tarifas e qual será a frequência das viagens e Artur Lima não aceita que os novos barcos estejam “há quatro meses em exposição” no Porto da Horta, sem serem utilizados.
Assinala-se amanhã, 13 de março, o Dia Mundial do Rim, com as comemorações a terem como foco a relação entre a Doença Renal Crónica (DRC) e o envelhecimento. Tendo isto em conta, o serviço de Nefrologia do Hospital da Horta (HH) organiza uma avaliação destinada a pessoas com mais de 65 anos. Tribuna das Ilhas conversou com Miguel Leal, responsável pelo serviço, sobre a DRC e a realidade das ilhas de abrangência do HH no que à nefrologia diz respeito.
Apesar da DRC não escolher idade, sexo ou raça, metade das pessoas com 75 anos ou mais sofrem de algum grau da doença. Miguel Leal explica que “os rins envelhecem, como tudo em nós, mas não existem estudos suficientemente esclarecedores para provar que existe uma perda da função renal ao longo do processo de envelhecimento. Os estudos mais consistentes apontam para uma perda de aproximadamente 1% por ano, a partir dos 30 anos”.
O envelhecimento pode ser, assim, um fator de risco para a DRC, no entanto as causas mais comuns para a perda de funções renais são a hipertensão arterial e a diabetes.
“A DRC afeta uma em cada 10 pessoas. Isto não exclui os mais novos. Estamos a falar de um problema com uma dimensão brutal. Em Portugal, um país com 10 milhões de habitantes, provavelmente 1 milhão sofrerá de DRC. Esta é uma questão que deve preocupar as autoridades mas, devidamente equacionada, pode conduzir a políticas de saúde que proporcionem uma vida saudável”, entende o nefrologista, para quem campanhas por uma alimentação saudável e o controlo da diabetes, da tensão arterial e da obesidade podem “mudar o panorama da evolução da DRC”.
Quanto mais cedo for detetada a DRC mais facilmente se evitará o recurso à diálise. Nesse sentido, o serviço de Nefrologia do HH tem procurado estar em permanente contacto com os Centros de Saúde, “no sentido de difundir mais esta problemática da DRC e a hipótese de haver agudizações da DRC em situações em que tal é evitável”.
Nessa lógica, o hospital tem procurado sensibilizar as pessoas para a importância de evitar a ocorrência de lesões renais agudas sobrepostas na DRC, “o que muitas vezes pode levar os doentes definitivamente à diálise”. “Isto pode acontecer em situações banais, como uma infeção, um antibiótico que não se pode dar e dá-se, desidratação…”, exemplifica Miguel Leal, acrescentando que, em 2013, 25% dos doentes internados na nefrologia do HH chegaram ao serviço com lesão renal aguda sobreposta em DRC.
“A desidratação é um fenómeno terrível junto das pessoas idosas, cujo equilíbrio da gestão da sede está perturbado e algumas estão acamadas e dependem de terceiros para beber água e estar hidratados”, alerta.
Neste esforço de prevenção que o HH tem procurado fazer, foi organizada ontem, no serviço de Nefrologia, uma avaliação gratuita e anónima, destinada a todos os interessados com mais de 65 anos. De acordo com Miguel Leal, esta consistiu no registo de alguns dados, como o açúcar no sangue, a tensão arterial, o peso, a altura ou o índice de massa corporal. A este registo juntou-se a realização de “dois testes muito simples para calcular a função renal da pessoa e a percebermos se há a excreção anómala de proteínas ou sangue na urina”. Desta avaliação resultará um relatório, com indicações súteis para o médico de família.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 14.03.2014 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário.
A ampliação da pista do Aeroporto da Horta voltou esta manhã à Assembleia Regional, motivando uma acesa troca de acusações dentre os deputados eleitos pelo Faial.
O assunto surgiu num voto de protesto da responsabilidade do PSD, apresentado por Jorge Costa Pereira. O deputado lembrou que a ampliação da pista do aeroporto da Horta “é um dos investimentos mais consensuais” entre as forças vivas faialenses, e que o mesmo já integrou até os planos do Governo Regionais. Por outro lado, lembra que a ANA nunca considerou a obra prioritária e que os sucessivos governantes da República também não deram seguimento às promessas sobre o assunto. Costa Pereira aponta o dedo ao Governo da República por não ter acatado uma recomendação do Grupo de Trabalho para os Transportes Aéreos para a Madeira e Açores, criado na Assembleia da República, para que a ampliação da pista da Horta fosse incluída no caderno de encargos da privatização da ANA. O social-democrata pediu assim à Assembleia Regional que protestasse contra estas opções da ANA e do Governo da República, e ainda contra o Governo dos Açores, por nunca ter dado seguimento a uma promessa feita por Carlos César no Faial em 2004, quando o então presidente do Executivo açoriano se comprometeu a avançar com a obra caso a República e a ANA não o fizessem.
Da bancada do PS, caiu mal a Lúcio Rodrigues a tentativa laranja de incutir responsabilidades ao Governo Regional. O socialista considera que a obra é uma responsabilidade exclusiva da República e da ANA e anunciou o voto contra do PS à iniciativa do PSD e a apresentação de um voto da sua bancada sobre este assunto.
A intervenção de Rodrigues motivou duras críticas de Costa Pereira, que acusou o socialista de falta de coerência, lembrando-lhe que tinha aprovado em 2012 um voto na Assembleia Municipal da Horta onde eram pedidas responsabilidades ao Governo Regional pela promessa feita por Carlos César há 10 anos.
Rodrigues não gostou e devolveu a crítica de falta de coerência à bancada laranja. Para o socialista, o facto do PSD ter prometido a concretização da pista caso vencesse as eleições legislativas nacionais ilustra onde reside a responsabilidade deste investimento. O PS cumpriu o prometido e chumbou o voto do PSD para, logo depois, apresentar, pela voz de Lúcio Rodrigues, um voto do mesmo teor, mas onde não são imputadas quaisquer responsabilidades ao Governo Regional. O voto dos socialistas foi aprovado por unanimidade, com o social-democrata Luís Garcia a fazer notar que o facto da sua bancada não ter recusado aprovar este voto, apesar de o achar incompleto, é um sinal de coerência que, entende o deputado, o PS não soube demonstrar.