A Plataforma de Cidadania apresentou na tarde de ontem o seu primeiro candidato pelo círculo eleitoral do Faial às eleições de Outubro. José Manuel Braia Ferreira, de 45 anos, está associado a vários movimentos cívicos da sociedade faialense. Agora, associa-se a este movimento, cuja principal característica é o propósito de motivar a participação dos cidadãos na vida política e abri-la à sociedade civil, despartidarizando-a.
O anúncio do candidato coube a Manuel São João, porta-voz do movimento no Faial. Na ocasião, São João explicou que o programa eleitoral da Plataforma de Cidadania “não terá amarras de carácter ideológico e dogmas partidários”. O objectivo, explica, é “aumentar a participação das pessoas”, sob a perspectiva de que, “com a informação adequada, todos podem e devem pronunciar-se sobre os assuntos que efectivamente são de todos”.
Por sua vez, Braia Ferreira salientou que “os Açores precisam de deputados que venham da sociedade civil; que não precisem da política para viver”. Pretendendo personificar “a candidatura dos que não têm voz”, Braia Ferreira espera ser eleito deputado regional e, se tal acontecer, promete “prestar constantemente contas ao Faial e aos Açores”
Apesar de deste movimento cívico estar associado ao Partido Popular Monárquico e ao Partido Nova Democracia, assume-se, nas palavras do candidato, “contra o garrote partidário da vida pública”.
Confrontado com a sua anterior ligação ao PS, partido pelo qual foi deputado municipal durante 9 anos, Braia Ferreira explica que a escolha de dar a cara pela Plataforma de Cidadania é uma reacção contra o funcionamento das máquinas partidárias. Militante socialista durante 25 anos, o candidato esclarece que, apesar de já não pertencer ao PS, assume-se ideologicamente como socialista. No entanto, entende que a chegada a cargos públicos deve ser feita por mérito próprio e não por filiações partidárias.
No actual cenário de crescente desinteresse do cidadão comum pela vida política, a Plataforma de Cidadania tem um grande desafio pela frente ao assumir a vontade de criar condições para uma participação mais directa das pessoas nas decisões que afectam a Região. Sobre esta questão, Braia Ferreira entende que “não é aceitável” que os números da abstenção rondem os 60%. Estes valores, entende, devem-se ao facto da classe política não ter encontrado “uma forma de ser ouvida pelo cidadão comum”. Por isso, quer optar por uma intervenção não partidária como meio de chegar às pessoas. “A Plataforma nunca será um partido”, garante.
Um dos mecanismos encontrados pela Plataforma de Cidadania para motivar a participação os cidadãos é a Bolsa de Eleitores. Esta será criada com recurso às novas tecnologias da informação e nela será disponibilizada toda a informação sobre as iniciativas legislativas, de modo a que os cidadãos a possam consultar e dar o seu parecer. Os deputados que forem eleitos pela Plataforma ficam obrigados a respeitar a vontade dos participantes na Bolsa quando votarem as iniciativas.
Nesta fase, a bolsa de eleitores servirá para reunir o contributo de todos para elaborar o programa eleitoral da Plataforma.
Na apresentação do candidato pelo Faial, a Plataforma de Cidadania divulgou também a sua Carta de Princípios. Trata-se de uma lista dos 10 princípios básicos pelos quais o movimento se rege. Desses, destacam-se a vontade de aprofundar os mecanismos da democracia directa, a maior responsabilização dos agentes políticos pela gestão dos fundos públicos, a defesa do desenvolvimento sustentável, a valorização da autonomia político-administrativa dos Açores e a defesa do poder local e do Estado Social.
Das medidas já propostas por este Movimento, destaca-se a redução do número de deputados na Assembleia Regional.
Na passada quarta-feira, no âmbito do programa da Semana do Mar, a faialense Nádia Sousa apresentou na Horta, no Banco de Artistas, o seu primeiro romance. Intitulado Amor na Baía Azul, o livro tem o Faial como cenário, é editado pela Corpos Editora e já foi apresentando no continente português, onde Nádia reside actualmente.
O romance nasceu na blogosfera, em Maio de 2011, quando Nádia encontrou uma forma original de partilhar a sua vontade de escrever com leitores de todo o mundo. Foi assim que surgiu o blogue lendomariagaspar.blogspot.com, onde a escritora foi publicando capítulo a capítulo o seu primeiro romance. Mais tarde, foi contactada pela editora que lhe propôs a publicação do livro.
Com capa concebida por uma faialense, a partir de uma fotografia com uma modelo também faialense, este livro é um produto “made in Faial”, e nele personagens bem reais da vivência da ilha misturam-se com as personagens criadas pela autora. Por isso, como explicou Nádia, a apresentação da obra na sua ilha de origem é tão especial.

Sem conter a emoção, a autora destacou a importância de acontecimentos como este para a dinamização da cultura no Faial: “fez-se cultura nesta terra hoje. Cultura é isto; é partilha entre as pessoas, salientou”.
A apresentação da obra esteve a cargo de Lisete Silveira, que destacou a criatividade da autora bem como a sua capacidade de transmitir “emoção através da palavra”.

Entretanto, Nádia já divulgou o seu segundo romance, capítulo a capítulo, no blogue “Lendo Maria Gaspar” – assim designado por ser esse o pseudónimo escolhido pela autora -, e espera que também este seja publicado. Intitulado Na Base da Montanha, este segundo romance tem como cenários as ilhas do Pico e da Terceira. Entretanto, já iniciou no blogue a divulgação de Nas Asas do Corvo, romance que conta já com oito capítulos. O objectivo da autora é retractar todas as ilhas dos Açores através dos seus livros.
Se o famoso herói de banda desenhada Lucky Luke era mais rápido que a própria sombra, o Trimaran Actual, um multi-cascos de 50 pés, não lhe fica atrás. O veleiro do skipper francês Yves Le Blevec foi concebido para ser uma máquina de velocidade, e consegue velejar mais depressa do que o vento. Uma espécie de “magia”, como lhe chama Le Blevec, que faz com que barcos como este dêem vontade de estabelecer recordes. E foi precisamente para estabelecer um tempo de referência do maior número de milhas náuticas percorridas em 24 horas que Yves Le Blevec trouxe o Actual até ao Faial, de onde, ao início da tarde de quarta-feira, largou em direcção à França para cumprir o seu objectivo. Antes da partida, no entanto, o skipper convidou os jornalistas a bordo e levou-os para uma viagem no Canal, para “um cheirinho” daquilo que o barco é capaz de fazer.
Com cerca de 15 metros de comprimento, o Actual pesa 4.200 kg e tem uma superfície de vela de 270 m2. Inscrito na classe Multi50, destaca-se de todos os restantes barcos ancorados na Marina da Horta. Se assim, em “cativeiro”, nos impressionamos com a sua imponência, quando passa ao seu meio natural, que é como quem diz ao alto mar, não conseguimos deixar de ficar boquiabertos, independentemente de sermos apreciadores de vela ou não.
O seu aspecto e a forma como rasga as ondas fazem-no parecer uma gaivota gigante, colorida e rápida. Muito Rápida. O Actual consegue a proeza de velejar mais depressa que o vento, como comprovou durante a sua estadia no Faial, num dia em que, com o vento a 18 nós, o trimaran atingiu os 25.
Com a cidade mar a servir de cenário, a baía repleta de barcos da vela ligeira e vela de cruzeiro e um dia radioso de Verão, o enquadramento não podia ser melhor. E se é bom observar este espectáculo tão bem conjugado, melhor ainda é fazer parte dele, a bordo do Actual.
O trimaran não foi concebido para navegar. Foi concebido para voar sobre as ondas. O espaço reservado à acomodação da tripulação é mínimo, e sem grandes confortos. O Actual não foi feito para passear. Foi feito para competir. E quanto mais desafiante for a competição, melhor. Talhado para grandes regatas oceânicas, a viagem entre a Horta e a França serve de preparação para esse tipo de provas. No entanto, a viagem entre o Faial e o porto de La Trinité-sur-Mer tem ainda outro objectivo, mais especial: Le Blevec quer estabelecer o maior número de milhas náuticas percorridas em 24 horas. Para isso, conta chegar à França no espaço de três dias, o que implica percorrer uma média de 500 milhas por dia.
No porto da Horta, o skipper esperou pelas condições meteorológicas ideais para esta façanha, que no entanto não chegaram. A necessidade de estar em França na próxima semana fez com que Le Blevec acabasse por partir, e o dia escolhido foi a quarta-feira, pelo facto das condições se aproximarem das ideais.
Para além de Le Blevec, integra a tripulação do Actual Sandrine Pelletier, para quem o trimaran já não tem segredos. A velejadora também conhece bem o mar dos Açores, já que há dois anos participou na regata Les Sables/Les Açores/Les Sables, em barcos da classe dos 6,5 metros, prova cuja edição de 2012 passa por estes dias pela Horta. Também Le Blevec, que já venceu as regatas Jacques Vabres e Mini Transact, conhece bem estas águas.
Le Blevec destaca a importância da Horta para a vela oceânica, não apenas pela sua posição estratégica no Atlântico mas pela forma como recebe os velejadores: “somos magnificamente acolhidos pelo Armando Castro e a sua equipa”, refere.
Para o skipper, seria proveitoso utilizar rotas entre a França e o Faial para dinamizar novas regatas oceânicas, principalmente no que aos multicascos diz respeito, que serviriam de preparação para as grandes competições internacionais.
A Semana do Mar será, porventura, a altura do ano que mais dinamismo confere à economia faialense. Para tal contribuem muitas razões: por um lado, o clima de festa e animação faz com que os locais tenham tendência a abrir um pouco mais “os cordões à bolsa”. Por outro, a festa traz mais pessoas ao Faial, entre os que vêm de outras ilhas para desfrutar da animação, os que vêm participar na festa – seja no mar ou em terra -, e os que regressam para matar saudades. A isto acresce o facto da Semana do Mar acontecer em Agosto, em plena época alta do turismo, razão pela qual a festa “apanha” na ilha muitos turistas que cá chegaram por outras razões.
Tribuna das Ilhas foi saber o que pensam alguns empresários locais de áreas directamente relacionadas com a dinâmica que se cria em volta da maior festa do Faial sobre aquela que é a semana de todos os negócios.
A Semana do Mar são sete dias para se fazer negócio. A população flutuante aumenta como em nenhuma outra época do ano, e com mais pessoas surgem mais oportunidades de ganhar dinheiro. É com esta lógica em mente que áreas como a restauração, a hotelaria ou o aluguer de viaturas se preparam para esta altura de maior azáfama.
Na hotelaria, longe vão os tempos que a Semana do Mar era sinónimo de ocupação lotada. Apesar disso, os hotéis faialenses esperam níveis de ocupação bem superiores ao resto do ano. José Fontes, do Faial Resort Hotel, espera que 2012 seja melhor que o ano anterior e que a ocupação ronde os 90%. O cenário animador deve-se ao facto do principal mercado desta unidade hoteleira estar no estrangeiro, com alemães e italianos a liderarem a procura.
Já Pedro Ramito, do Hotel Horta, espera um cenário pior que em 2011. No ano anterior, recorda, a ocupação não chegou aos 90% e este ano deverá andar na casa dos 70%. A razão para a quebra, aponta, é o facto do mercado prioritário ser o luso-espanhol, mais afectado pela crise económica.
Um dos indicadores do aumento de população na ilha por esta altura é o aumento do consumo de pão. De acordo com Humberto Goulart, da padaria Bico Doce, nos últimos anos a Semana do Mar tem exigido à sua empresa um aumento da produção na ordem dos 15 a 20%. O aumento do consumo de pão não apanha desprevenido este empresário, que nesta altura reforça o número de trabalhadores. Para 2012, as expectativas são, no entanto, de menor volume de negócios.
Também Teresa Medeiros, da Padaria Popular, aponta para um aumento de 15 a 20% na produção de pão por esta altura. Uma das causas deste aumento está relacionada com as tasquinhas da Semana do Mar, que absorvem parte significativa da produção por esta altura. Mais optimista no actual cenário, Teresa está confiante de que este ano não haverão quebras em relação ao ano passado.
No sector da restauração a Semana do Mar também é uma oportunidade de negócio e, apesar das tasquinhas e os restaurantes da Feira Gastronómica serem concorrência extraordinária, os restaurantes faialenses notam sempre maior afluxo nesta altura. De acordo com Manuel Matos, do restaurante Barão Palace, aparecem sempre mais clientes nesta semana, não apenas turistas mas também locais que aproveitam a visita dos familiares para jantar ou almoçar fora. Em 2011, no entanto, frisa que já notou uma quebra no fluxo de clientes por esta altura. Ainda assim, o empresário espera um aumento do volume de negócios na ordem dos 20% durante a primeira semana de Agosto.
Com mais clientes vem também mais responsabilidade e a vontade de deixar uma boa imagem é maior. Por isso, explica Manuel Matos, há uma preocupação em dar destaque aos pratos regionais e mostrar o que de melhor há para provar por estas bandas, com destaque para o peixe fresco.
Também as empresas que se dedicam ao aluguer de viaturas aproveitam a Semana do Mar para dinamizar o negócio. De acordo com Ilídio Silva, da rent-a-car Auto Turística Faialense, as duas primeiras semanas de Agosto são “de excepção” quando comparadas com o resto do ano e, por norma, são a única altura em que a procura suplanta a oferta. No entanto, também este sector não foge à crise e o empresário queixa-se de um ano muito fraco até agora.
A realização da Semana do Mar 2012 implica um investimento de 250 mil euros, 120 dos quais directamente saídos dos cofres da autarquia. Valores abaixo dos praticados noutros tempos, ajustados à conjuntura de crise que actualmente se vive.
De acordo com o presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH), importa, todavia, continuar a fazer uma boa aposta na festa já que o retorno que esta traz à economia da ilha é “claramente superior” ao valor investido. “Penso que a Semana do Mar é a festa dos Açores com maior retorno directo”, diz João Castro, que estima que esse retorno ande na ordem dos 500 mil euros.
Para o autarca, uma das provas de que a Semana do Mar é um negócio de sucesso é a procura pelas tasquinhas e barraquinhas, cujos leilões são sempre bastante participados, interesse que sugere que as mesmas são apostas lucrativas para quem as explora. O mesmo acontece com os restaurantes da Feira Gastronómica que, assegura Castro, mostram sempre interesse em voltar.
Também os números da ocupação hoteleira e nas unidades de turismo rural são, para o autarca, sinal de que a economia da ilha ganha com a Semana do Mar.
Além disso, João Castro chama a atenção para o retorno indirecto, relacionado com a vertente promocional da festa. “A Semana do Mar leva o nome do Faial mais longe”, assegura.
Se certo é que a Semana do Mar permite potenciar uma série de áreas de negócio no Faial, certo é também que a sua localização temporal – a primeira semana de Agosto – faz com que a época alta na ilha fique concentrada numa janela de tempo de apenas algumas semanas.
A sazonalidade é a dor de cabeça da grande parte dos empresários faialenses, que desesperam ao vê-la aumentar.
Pedro Ramito e José Fontes são unânimes ao afirmar que a sazonalidade no sector hoteleiro tem vindo a aumentar. “Antes o Verão ia até Setembro, agora fica-se pelo fim de Agosto”, refere o responsável pelo Hotel Horta, para quem esta situação é preocupante, pois fora da época alta as ocupações hoteleiras são francamente inferiores, o que obriga a praticar preços mais baixos.
Também Manuel Matos diz notar que a ilha fica “morna” assim que acaba a Semana do Mar, com repercussões na sua actividade empresarial.
Para Ilídio Silva, a sazonalidade é, sem sombra de dúvidas, o “maior inimigo” dos empresários faialenses. No que toca às festas de Verão, o Faial tem a particularidade de fazer coincidir as suas com a época alta do turismo, ao contrário do que acontece em outras paragens, como em Angra do Heroísmo, com as Sanjoaninas, no final de Junho, a permitirem um afluxo de pessoas fora dos meses “altos” de Verão. Esta situação, alerta Ilídio, é mais preocupante pelo facto de se estar a agudizar. Segundo o empresário, se antes a época alta chegava a durar 4 meses, hoje em dia está cada vez mais reduzida.
Também o presidente da CMH considera importante reduzir a sazonalidade no Faial. Tendo isso em conta, João Castro refere que o grupo de trabalho da Semana do Mar tem reflectido sobre a hipótese de uma Semana do Mar com menos investimento permitir o mesmo retorno económico que actualmente permite. Caso se garantisse igual retorno com menor investimento, explica, seria possível canalizar esse investimento para outros períodos do ano, “aumentando as taxas de ocupação e o período de permanência dos turistas na ilha”.
No entanto, o autarca é peremptório ao afirmar que os tempos actuais não permitem grandes ensaios: “em período de crise não devemos fazer experiências nessa matéria. Devemos apostar naquilo que está sólido, numa boa metodologia e num retorno óbvio e directo. Com melhores tempos, então sim, devemos retomar este raciocínio”.
Esta reportagem integra a revista Especial Semana do Mar do Tribuna das Ilhas, de distribuição gratuita
A principal novidade da Semana do Mar 2012 no que ao programa em terra diz respeito foi a alteração do dia do desfile. Habitualmente realizado no último dia da festa, este ano o corso foi transferido para o primeiro domingo, a seguir ao cortejo da Senhora da Guia. A mudança terá sido motivada pelo descontentamento de algumas juntas de freguesia com a data anterior, que obrigava as pessoas responsáveis pela elaboração dos quadros de cada freguesia a passarem as noites de Semana do Mar a trabalhar no mesmo.
A alteração da data não desmotivou a população que, como é habitual, compareceu em massa para assistir ao desfile, este ano dedicado à etnografia, que percorreu as ruas da cidade desde a Praça da República até ao Largo Manuel de Arriaga.
Esta edição do desfile fica marcada por um generalizado aumento da qualidade dos carros alegóricos, num ano em que todas as 13 freguesias marcaram presença.
Vários foram os temas abordados pelas freguesias, sempre relacionados com as vivências faialenses de outros tempos. O cultivo e a debulha do milho, as matanças do porco ou a baleação marcaram presença, assim como a devoção ao Espírito Santo, entre outras coisas.

























