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27
março

FERNANDO JOSÉ ARMAS (1911-1984) Baleeiro e agricultor

Escrito por  José Trigueiro
Publicado em José Trigueiro
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Nasceu no Curato da Fazenda, freguesia e concelho de Lajes das Flores, a 15 de maio de 1911, filho de António José Armas e Maria José Armas, ele agricultor e ela doméstica. Tinha vários irmãos, entre os quais se distinguiram Luís José Armas, inspetor de jogos, Adelaide do Rosário Armas, regente escolar, e Helena do Carmo Armas, costureira de homens.

Fez a instrução primária com excelente aproveitamento, ensino esse que, ao longo da vida, foi bastante melhorado com as muitas leituras que fazia, bem como com o seu interesse pelo saber e pela cultura, aproveitando sempre as oportunidades que tinha para o efeito. Durante muitos anos a leitura era o seu passatempo favorito, enquanto a vista o permitiu, passando depois a fazer muito uso do rádio.

Cedo se interessou pela vida marítima, quer pela pesca, quer pela caça à baleia. Em 15 de agosto de 1930 tirou a sua cédula marítima n.º 1462, e, em 16 de junho de 1933, ficou habilitado pela Capitania das Flores a ir à baleia. Assim, quando nos primeiros anos da década de 1930 Francisco d’Antonico constituiu a sua armação baleeira na Fazenda, rapidamente atingiu a categoria de trancador ou arpoador do bote “Santo Cristo”, tendo como oficial mestre António Capona, embora o respetivo exame lhe tenha sido feito apenas em 12 de agosto de 1944. Baleou mais uns anos nesse bote, como trancador, mesmo quando a armação foi adquirida, em 1945, por António Caetano de Serpa. Nessa ocasião passou então a ter como oficial Mestre José “Gatinho”, das Lajes do Pico, com quem aprendeu muita ciência e técnicas úteis à faina. Quando Mestre “Gatinho” regressou ao Pico, foi ele que assumiu o cargo de oficial do mesmo bote, para o qual fez exame de Mestre em 23 de outubro de 1947. 

A partir daí passou a constituir um dos oficiais mais competentes, inteligentes e cultos que saíam à caça à baleia nos portos das Flores. Para além dessas suas qualidades, sabia lidar com a sua companha, mantendo com ela um bom ambiente de trabalho e de disciplina dentro do bote. Também sabia lidar com os demais companheiros da faina, merecendo o respeito de todos, incluindo dos armadores. Era calmo, conhecedor ou mesmo sábio em todos os aspectos ligados à faina, quer no mar, quer em terra. Na vigia, onde passava por vezes quando não estava no mar, colaborava na descoberta de cachalotes.

Entretanto, em 27 de julho de 1936, casara com Ana de Freitas Armas (falecida), tendo nascido do casal os filhos Maria Antónia (residente em Vancouver), Almerinda (falecida), José (falecido), Fernanda (residente em Lajes das Flores), Fernando (falecido) e António Luís (residente na Califórnia).

Certo dia estava ele a pescar em embarcação nas Pedras de Morros, por fora do Farol das Lajes, quando o navio “Carvalho Araújo”, ali chegou sempre a apitar de baixo do nevoeiro, depois de ter passado pelo Porto das Lajes sem ter encontrado o ancoradouro e, por conseguinte, não ter visto o “prático”. Ia completamente perdido. Então fez-lhe sinal e veio com a sua lancha na frente do navio indicar-lhe o ancoradouro do porto das Lajes, onde já estávamos à sua espera. Deste modo gozava de grande simpatia junto dos comandantes dos navios que escalavam a ilha, tendo chegado a ser convidado a jantar com eles, quer por ocasião de viagens, quer no ancoradouro quando ia a bordo. Disse-me que a primeira vez que tinha jantado à mesa do comandante do “Carvalho Araújo, D. Francisco de Almeida – com quem mantinha certa amizade – e, ao ver a quantidade de talheres, pratos e copos, ficou atrapalhado e que lhe disse, antes dos empregados lhes trazerem as travessas: — “Ó! senhor comandante o que precisamos aqui é de mais comida e de menos talheres, porque assim atrapalho-me”. Era assim simples, mas também franco e bem disposto.  

Fora da actividade baleeira dedicava-se à pesca, cujo pescado raramente vendia e à agricultura. Esta era um complemento seguro da sua precária vida económica, mas por ela não nutria grande entusiasmo nem tempo. A atividade agrícola era para ele um pesadelo que não o atraia e que acabou por nunca evoluir nas suas mãos.  

O seu interesse pelas atualidades noticiosas foi sempre uma constante da sua vida, para assim manter uma conversa inteligente e actualizada nas tertúlias que, quase diariamente, frequentava. Deste modo, fez parte do grupo de fazendenses que, por ocasião da II Guerra Mundial (1939-1945), se deslocavam por vezes à vila das Lajes para escutar as notícias da BBC nos poucos rádios que ali existiam, nomeadamente em casa de José Maria Raposo, de José Nóia Vieira ou de Maurício António de Fraga. Mais tarde foi das primeiras pessoas da freguesia a possuir aparelho de rádio, ainda no tempo do uso das baterias como energia. Para além das notícias, ouvia sempre na onda marítima os navios a conversarem uns com os outros, bem como a previsão do tempo que as Rádios Navais lhes davam. Eram novidades que gostosamente transmitia às demais pessoas que encontrava.

Como tinha os filhos e outros familiares e amigos emigrados para o Canadá e EUA, visitou esses países, designadamente Vancouver e a Califórnia, onde permaneceu algum tempo apreciando com interesse e admiração os muitos lugares então visitados. Veio de lá encantado com tudo o que vira, nomeadamente, com o bem-estar dos filhos e com o progresso daqueles países.

Para o meio em que vivia e para a instrução que tinha, era bastante culto, pelo que era admirado por todos aqueles que tinham oportunidade de escutar as suas conversas, pelo que surpreendia todos os que não o conheciam. Dialogava com muita segurança, revelando-se culto e atualizado, ultrapassando, nesse sentido, qualquer um dos filhos.  

 Já com a faina da caça à baleia suspensa, faleceu na Fazenda em 24 de dezembro de 1984, deixando a saudade na família e em todos os que o conheceram. 

 
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