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19
agosto

A educação que temos

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
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 1. De acordo com o Diário de Notícias, que se baseia num Relatório da Direcção-geral do Ensino Superior, o número de alunos que ingressa no Ensino Superior em cursos via de ensino tem vindo sempre a diminuir de forma consistente na última década: em 2000, havia 6013 alunos candidatos a cursos de formação de professores, enquanto em 2009 esse número estava reduzido para 1419 candidatos.

Ainda de acordo com aquele Relatório, associada à drástica redução do número de candidatos a professores, verifica-se uma preocupante diminuição das classificações de ingresso nos cursos superiores via de ensino, dominando o 10 e o 11 como média dos candidatos.

Estes números indiciam uma tendência preocupante: a opção pela carreira de professor está a recair nos alunos com menor aproveitamento no Secundário, o que prova que, para além daquela ser uma carreira de empregabilidade muito difícil neste momento, não é atractiva nem motivadora para a maioria dos nossos melhores alunos do Secundário.

Por outro lado, no País e na Região, continua a trabalhar-se, nesta área, na mais completa escuridão, sem haver estudos projectivos sobre quais as necessidades futuras de docentes e sobre quais as áreas de maior carência. Sem esses estudos que permitam aos governos fundamentar as suas políticas e ajudar a orientar as opções dos alunos à saída do Secundário, continuaremos, como de costume, a trabalhar com base na improvisação. À boa maneira portuguesa!

2. Mas igualmente preocupante é verificar que por parte das Universidades e das Escolas Superiores de Educação, com o silêncio cúmplice de sucessivos governos, persiste uma política incompreensível e pouco rigorosa de fixação das disciplinas de acesso aos cursos de formação de professores.

Aqui a regra geral que impera é que vale tudo: entra quem tem média de 10, sem se ter em conta as disciplinas que o aluno teve no 12.ºano nem as que se submeteu a exame! O resultado deste incompreensível laxismo de anos está já aí no eloquente número de professores do 1.º e do 2.º ciclo do Ensino Básico que, por exemplo, leccionam Matemática sem terem feito essa disciplina no Ensino Secundário!

O problema é que muito dificilmente um aluno que tem um historial de insucesso e de rejeição a uma disciplina, algum dia virá a ser um professor capaz não só de a ensinar com qualidade, mas, sobretudo, transmitir aos seus alunos o gosto e a motivação necessários à sua boa aprendizagem, por mais competência pedagógica que tenha.

Impõe-se por isso mudar este estado de coisas e exigir, para começar, que todos os candidatos a professores do 1.º ciclo, tenham de ter obrigatoriamente aproveitamento nas disciplinas de Matemática e de Língua Portuguesa, no 12.º ano e nos exames nacionais!

3.A propósito das questões da educação, li há dias um pequeno escrito do Prof. Ramiro Marques, que pela sua pertinência e actualidade, reproduzo aqui na íntegra:

“O atraso e estagnação económica do país explica-se em poucas palavras: ausência de uma educação meritocrática.

Portugal é o país das cunhas, dos amiguismos e da protecção do Estado. Viver encostado ao Estado é o sonho de quase todos os portugueses.

Muito do desprezo da elite política contra os professores explica-se pela desconfiança que a elite governante vota à meritocracia.

A história académica do primeiro-ministro e de grande parte dos políticos que comandam o aparelho de estado é a prova da desconfiança face à meritocracia.

O que é a meritocracia?

É dar oportunidades de acesso a todos e depois privilegiar os mais talentosos. Não há nada de que os medíocres e os preguiçosos tenham mais medo do que da meritocracia. 

A tragédia da educação portuguesa nas últimas décadas tem sido a sujeição das escolas a sucessivas e intermináveis reformas com o único objectivo de combater a meritocracia, impor a igualdade e impedir a aplicação do princípio: dar oportunidades de acesso a todos e depois privilegiar os mais talentosos.

A educação é hoje o principal instrumento de promoção da decadência nacional.

Não há nada melhor que um pai possa fazer por um filho talentoso do que colocá-lo numa escola onde ainda seja possível usufruir de uma educação meritocrática. O drama é que são cada vez menos os pais a poderem suportar uma educação meritocrática para os filhos talentosos.”  

 

 

 

 

 


16.08.2010

 

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