1. Através da Resolução do Conselho do Governo n.º58/2009, de 26 de Março de 2009, o Governo Regional dos Açores assinava o óbito da construção do Estádio Mário Lino nesta cidade. Nessa Resolução afirmava-se textualmente "não ser exequível financeiramente avançar com a construção do Estádio Mário Lino, dando prioridade à requalificação da Escola Básica Integrada da Horta".
2. Tempos volvidos, a argumentação do Presidente do Governo acerca deste assunto conheceu um novo desenvolvimento, em que a razão do cancelamento do Estádio é atribuída já não à nova escola, mas às obras do Porto da Horta: "…em função da situação que nós vivemos, [é] mais importante afectar os recursos que temos a dimensões imediatamente reprodutivas e geradoras de emprego, do que a outros empreendimentos que só poderão ter um efeito a médio prazo ou que não têm mesmo um efeito empregador e economicamente reprodutivo (…). E é nesse sentido que nós equacionamos os nossos investimentos. Se me perguntassem se era mais importante o estádio Mário Lino no Faial ou a recuperação e o reordenamento da bacia portuária da Horta e a construção do cais de cruzeiros, nós evidentemente optamos pelo cais de cruzeiros e o reordenamento da bacia da Horta."
Portanto, de acordo com as palavras do próprio presidente do Governo em tempo de especiais dificuldades há que aplicar o investimento onde ele é mais reprodutivo e daí não se ter avançado com o Estádio no Faial. E não podemos estar mais de acordo com tal opção!
3. Mas, afinal, aquelas palavras de Carlos César eram mesmo só conversa para entreter e não traduziam nem o verdadeiro pensamento do Governo nem os seus objectivos políticos concretos. Não é possível outra conclusão quando se lêem as declarações de Carlos César à saída de uma reunião com o Presidente da Câmara Municipal da Horta, onde garantiu que “O Governo vai avançar em parceria com a Câmara, com o arrelvamento sintético” de dois campos na cidade da Horta.
4. Registe-se e saliente-se que quem agora se diz estar disponível para avaliar a construção de dois novos pisos sintéticos na cidade da Horta é o mesmo Carlos César que dizia ainda não há muitos meses que não construía o Estádio Mário Lino porque pretendia usar os dinheiros públicos em investimentos reprodutivos na economia e no emprego.
Com certeza que o problema é meu e não me permite compreender porque é que construir o Estádio Mário Lino não é um investimento reprodutivo (e não o é, de facto!), mas fazer dois pisos sintéticos na cidade da Horta já o é!
São os insondáveis mistérios que rodeiam os critérios do investimento público nos Açores!
5. Portanto, foi o Presidente do Governo que reabriu este tema da construção de campos sintéticos no Faial. E se ele está disponível para fazer dois campos sintéticos na cidade da Horta, isso significa que o dinheiro não é o problema. Então, disponhamo-nos a discutir o assunto neste quadro concreto.
6. Avulta, em minha opinião, desde logo, um entendimento errado e distorcido da realidade desportiva da ilha do Faial, quando se defende a possibilidade de se avançar para mais dois campos sintéticos na cidade. Com efeito, a experiência neste domínio aconselha a que as infra-estruturas desportivas a construir se destinem, em primeiro lugar, a servir áreas geográficas e não apenas para um ou outro clube.
Por outro lado, tem de haver uma preocupação efectiva para se conseguir uma cobertura equilibrada da nossa ilha ao nível desse tipo de infra-estruturas. E, nesta medida, a prioridade para a instalação de novos campos sintéticos no Faial deve ser a de construir um na zona norte da ilha, onde as carências são objectivamente mais evidentes e a distância das infra-estruturas desportivas existentes é muito maior e mais penalizadora na prática desportiva.
7. Simultaneamente, impõe-se, no quadro agora admitido pelo Presidente do Governo, reequacionar a construção do Estádio Mário Lino, avançando-se já com o campo sintético e a pista de atletismo, estruturas que servirão a população escolar da Escola Manuel de Arriaga, as selecções da Associação de Futebol da Horta e os Clubes Desportivos daquela zona. As restantes estruturas previstas para aquele Estádio poderão ser reavaliadas e ou até redimensionadas, atendendo à sua adequabilidade à nossa realidade desportiva, mas nunca mais à questão dos trocos.
8. É que enquanto para o Faial o Governo Regional conta os trocos e cancela investimentos por causa do seu custo, para outras ilhas este mesmo Governo não olha a meios nem tem problemas de dinheiro. Apenas um exemplo muito recente: num dos últimos Conselhos do Governo foi deliberado autorizar “a execução da cobertura das galerias comerciais no complexo das Portas do Mar”, no valor de cerca de 400 mil euros. Isto é: numa obra cujos custos já atingiram os 57 milhões de euros, continua este Governo disponível para nela continuar a investir. E nada temos contra isso!
O que não aceitamos é que a tesoura dos cortes só funcione para alguns!
21.02.2011