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  • Efeméride - Hilberto da Rosa Serpa foi preso na Índia Há 50 anos
23
dezembro

Efeméride - Hilberto da Rosa Serpa foi preso na Índia Há 50 anos

Escrito por  José Armas Trigueiros
Publicado em José Trigueiro
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Com referimos neste jornal de 9 do corrente, o faialense Hildeberto Serpa foi um dos militares presos por ocasião de invasão do Estado da Índia.

Nascera na freguesia das Angústias, em 2 de Março de 1938, filho de Jaime da Rosa Serpa e de Maria do Céu Serpa. No Liceu Nacional da Horta concluiu o Curso Complementar (7.º Ano antigo). 

No dia de Páscoa de 29 de Março de 1959 seguiu para Lisboa no navio “Lima” a fim de ingressar no serviço militar obrigatório, na Escola Prática de Infantaria, em Mafra.

Aí fez a recruta ou o 1.º Curso de Sargentos Milicianos, terminando-o em 3 de Agosto desse ano. A seguir, entre 6 de Agosto e 30 de Janeiro de 1960, concluiu em Tavira, no Centro de Instrução Militar, o 2.º Curso de Sargentos Milicianos, ficando assim apto a ingressar na respectiva categoria.

Deste modo, depois de promovido a 1.º Cabo Miliciano em 31 de Janeiro de 1960, viria a ser colocado no Regimento de Infantaria de Abrantes, onde esteve entre Fevereiro e 10 de Setembro de 1960. Por ser um excelente desportista, quer na modalidade do Futebol, quer do Basquetebol, gozou sempre de alguns privilégios e simpatias. Isso não o impediu de que no dia 11 de Setembro desse ano fosse colocado no Regimento de Infantaria da Amadora, a fim de integrar uma Companhia que iria seguir para a Índia, mais concretamente para Damão. Deste modo, depois de ensinar uma Escola de Recrutas, durante cerca de seis meses, em 1 de Março de 1961 foi promovido a Furriel Miliciano.

O faialense Hildeberto da Rosa Serpa, foi um dos prisioneiros da União Indiana quando em 1961 esse País tomou o território de Goa, Damão e Diu, que estava sob o domínio português desde o século XV.

E a viagem para a Índia teve início em 8 desse mês, tendo embarcado com os demais colegas no navio “Niassa”, via Mar Mediterrâneo onde foram quase sempre vendo terra. No Canal de Suez, no Egipto, o navio teve de aguardar a passagem de cerca de 220 navios, e a chegada a Damão, no Continente Indiano, que durou 17 dias, teve lugar em 25 de Março.

Aí, o serviço militar decorreu normalmente, tendo exercido essencialmente o cargo de chefe da Secretaria da Companhia, lugar quer era habitualmente feito por um oficial, onde assumiu serviços de carácter confidencial de grande responsabilidade. Esta era comandada pelo Capitão Simões Faria, com quem manteve sempre um excelente e amistoso relacionamento, graças ao bom feitio de ambos. Face a esse serviço, cedo se começou a aperceber da tensão existente entre Portugal e a União Indiana. Deste modo, foi sem surpresa que soube que, em 17 de Dezembro de 1961, as Forças Armadas Indianas haviam tomado posições junto das fronteiras dos territórios portugueses, de Goa, Damão e Diu, usando para o efeito forças militares terrestres, marítimas e aéreas (um porta-aviões, um cruzador, várias fragatas e aviões), com 50 mil homens e 75 mil reservas. Já anteriormente, havia ocorrido nas fronteiras algumas escaramuças que obrigaram Portugal a reforçar as suas unidades, mas naquele tempo apenas estavam 1800 combatentes. As tropas portuguesas estavam mal armados, usando material da II Guerra Mundial, designadamente algumas metralhadoras, espingardas “Mauser” e várias pistolas. Havia na baía de Goa o navio-aviso “Afonso de Albuquerque” e em Damão e Diu estavam duas pequenas lanchas.

 As forças indianas iniciaram a invasão em 18 de Dezembro, inicialmente apenas com voos rasantes. Depois houve vários bombardeamentos, quer no mar, quer em terra, tanto a alvos estratégicos, como a locais com forças portuguesas. Obtida a rendição, morreram 26 militares, um dos quais pertencente à Companhia de Damão de Hildeberto Serpa. Houve também muitos feridos.

Era enorme a desigualdade militar entre os dois países, tanto em material ou meios militares, como em meios humanos. Nem dava para se fazer comparações.  

Entretanto, na cidade da Horta quando a notícia da invasão chegou pela rádio, o Angústias Atlético Clube suspendeu logo o baile que lá se realizava, já que Hildeberto Serpa era um dos seus mais prestigiados desportistas.

As duas companhias existentes em Damão, bem como as forças da PSP e da Guarda-Fiscal aí estabelecidas, foram cercadas e aprisionadas. Transferidas num barco de guerra indiano para Goa, ficaram detidas no campo de concentração de Alparqueiros, o melhor que lá existia, graças ao bom comportamento dessas forças portuguesas. O major indiano que ordenou essa concentração afirmava que aquele era um problema entre Salazar e Neru.

Nos campos de concentração todos os portugueses prisioneiros sofreram fome e frio, e foram menosprezados e humilhados.

No dia 12 de Maio de 1962, transportados por avião, iniciaram o regresso a Portugal, através de Carachi, Paquistão. Aí eram aguardados pelos navios portugueses “Príncipe Perfeito”, “Pátria” e “Moçambique”. A diplomacia havia estado a cargo da embaixada do Brasil, que deu boa conta da sua missão. A viagem de Hildeberto Serpa e da sua Companhia fez-se no navio “Pátria”, através do Canal de Suez, tendo sido ele e o Comandante os últimos a embarcar a fim de assegurarem o respectivo controlo dos colegas da Companhia. A chegada a Lisboa foi feita no dia 26 de Maio, culminando com ele a ajudar ao Comandante a pagar a alguns colegas o dinheiro que estes tinham depositado na Secretaria aquando da invasão e que havia sido incendiado à pressa com os respectivos documentos, conforme as ordens recebidas do Comando-Geral.

O regresso à Horta foi no dia 2 de Junho de 1962, véspera da Festa da Nossa Senhora das Angústias, pelo que se poderá imaginar a alegria de Hildeberto Serpa. Aí era ansiosamente aguardado pela namorada, com quem casaria pouco tempo depois, pela família e pelos amigos.

Do Estado Português, para além da ingratidão de ter sido considerado com os companheiros como traidores e cobardes, veio a receber, em 2003 uma demorada mas merecida “Pensão por Serviços Excepcionais e Relevantes, prestados à Pátria”, de [humilhantes] 100 Euros, mediante adequado “Processo de Averiguações por Serviços Excepcionais e Relevantes” e, contrariamente ao que escrevemos neste jornal no passado dia 9 do corrente, baseados em informações incorrectas, D. José Vieira Alvernaz terá recebido sempre do Estado as remunerações a que tinha direito .

Depois fez carreira profissional na cidade da Horta como empregado bancário no BPA, após ter sido funcionário da Casa dos Pescadores. Prestou também serviços, gratuitamente, em várias instituições de interesse social, cultural e político, designadamente na Filarmónica União Faialense, no Angústias Atlético Clube, na Santa Casa da Misericórdia da Horta e na Câmara Municipal da Horta.

__________

Fonte: Entrevista ao próprio de 11-11-2011, arquivada nos meus documentos.

 

 

 

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