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09
março

Facto Histórico - A Ilha do Corvo - Uma Visai de Ernesto Rebello (I)

Escrito por  José Armas Trigueiro/Foto: Pe. José Alves Trigueiro.
Publicado em José Trigueiro
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ILHA DO CORVO vista do mar, era o “primeiro ponto do velho continente” que os navios “partindo de Boston ou Nova York avistavam”

É de um texto do escritor faialense Ernesto Rebello que respigamos e baseámos e esta visão da ilha do Corvo, publicada no “Arquivo dos Açores” (1). Mas quem foi Ernesto Rebello? Nasceu na Sé de Lisboa em 26-4-1842 e faleceu na cidade da Horta em 15-4-1890, onde fez praticamente toda a sua vida, como literato, jornalista e funcionário da Repartição da Fazenda Distrital da Horta. O pai, que foi advogado, nascera no Faial e a mãe na Guiana Francesa (2).

«Para os navios que partindo de Boston ou Nova York, as duas grandes cidades marítimas da grande república americana, se dirigem para a Europa, o primeiro ponto do velho mundo que geralmente avistam, depois de uns dez ou doze dias de viagem» impelidos pelos ventos e pelas águas do “golfo Stream” (já que se estava no tempo da navegação à vela), é a ilha do Corvo (e por vezes a ilha das Flores). Os antigos chamavam-lhe também «a ilha do Marco» ou «a ilha de Santo Antão”, denominação esta devido ao nome do seu primeiro donatário, o português Antão Vaz. Contudo, para se distinguir da ilha das Flores, que alguns já vinham a designar com esse nome, a ilha do Corvo – que durante alguns anos foi considerada como ilhéu daquela ilha – passou a seguir a designar-se por Santa Iria. Também confirma que «A descoberta d'esta ilha data do ano de 1452», como refere a maioria dos autores. 

 «A antiga tradição de naquela terra em sítio sobranceiro ao mar e encimando um grande rochedo, ter sido encontrado pelos primeiros povoadores uma estátua equestre apontando rumo à América. Donde proviera também à ilha a denominação da ilha da Marco, carece de inteira conformação...» situação que o escritor refere ser um «um penedo que em distância apresentava a forma d'um homem a cavalo», segundo ele refere que opinava o historiador faialense «Snr. António Lourenço de Silveira Macedo». 

«A Ilha do Corvo fica situada a 40º de latitude e 34º e 20m de longitude, medindo dez quilómetros por cinco de largura e mantendo exclusivamente, espaçadas relações com a ilha das Flores, que se avista a grande distância no horizonte». Por isto se concluiu que só com a Emprensa Insulana de Navegação, talvez com o navio “S. Miguel” ou “Carvalho Araújo” é que a ilha do Corvo terá passado a ser escalada por navio intercontinental com certa regularidade, pelo menos enquanto o abastecimento de carvão fazia falta aos navios de longo curso.

Nesse tempo é das Flores que, «dos meses de Maio até fins de Agosto vão por vezes alguns barcos sem coberta e de vela latinas ou então ligeiras canoas de pesca da baleia, levar àquela terra algum raro passageiro, ou algum pequeno mercador que ali vai com fazendas, as quais, ainda assim, pouca vendagem tem, por enquanto os oitocentos e tantos habitantes do Corvo, toda a sua população, vestem-se de panos de linho tecidos na ilha «[…]» ou de excelentes “albarnozes” de lanifícios também ali produzidos e com notável mestria manufacturados». 

 Essa travessia geralmente efectuava-se em três ou quatro horas de viagem, «indo-se desembarcar no Porto Novo, no Porto das Casas, ou no da Areia, mesmo em frente da vila, de alegre aspecto, parte construída numa chã, parte em anfiteatro, no declive dos montes que fecham do norte a oeste». «A vila, embora pequena tem óptimas casas, bem mobiladas, caiadas e todas cobertas de telha», devido aos corvinos frequentarem as cidades dos Estados Unidos donde trazem os usos e costumes.

«As ruas é que são estreitíssimas, em algumas das quais nem pode passar um carro de bois» e formam um verdadeiro labirinto, de difícil saída para quem ali vai pelas primeiras vezes. «Ao que parece tinha isto a sua razão de ser». Infestada antigamente por «corsários argelinos» aquelas ruas faziam parte do sistema de defesa que na arte de guerra passamos a narrar.

 «Uma vez, numa invasão de corsários, das quais as mais notáveis foram em 1632, por “lanchões” turcos, de uma frota que por ali passou, e em 1714 pela gente de quatro navios argelinos», estavam todos os corvinos atemorizados pelo referido desembarque «daqueles malvados, que nada respeitavam e que não se limitavam a roubar os frutos da terra, mas chegando a sua ousadia a furtar as mais bonitas raparigas, que consigo levavam, como infiéis que eram, para lhes perder o corpo e alma».

Com as portas fechadas e trancadas, das janelas «caía sobre os assaltantes um chuveiro enorme de pedras». Os toiros recolhidos nos pastos, «esbaforidos e rijamente fustigados, para lhes acender a cólera, embarcaram com raiva pela rua abaixo», […] lançaram-se contra os assaltantes numa carreira vertiginosa. «Era uma onda viva, mais temível do que as soberbas ondas do mar, uma verdadeira razia...» «Dentro em poucos instantes homens e animais confundiam-se em encarniçada luta”, que o historiador Silveira Macedo refere terem sido mortos cem inimigos, que é credível face à originalidade da defesa, menciona Ernesto Rebello.

Por este e outros textos dos historiadores do passando, melhor se compreende a natureza das ruas e das habitações corvinas na parte antiga da vila do Corvo, que foi elevada à qualidade de vila por proposta do Ministro do Reino Mouzinho de Silveira, depois deste ter visitado a ilha em 1832.                                                                                                                                                                       (CONTINUA)

(1).Rebello, Ernesto, (1885), “Arquivo dos Açores”, Vol. VII, pp. 98 a 102, reprodução Fac-Similada feita pela Universidade dos Açores  em 1982.

(2).Arruda, Luís M., (1992), “Enciclopédia Açoriana”, Internet, Google, Centro de Conhecimento dos Açores.

 

 

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