Há dois grandes objetivos primordiais que os Açores perseguem, o primeiro é o da convergência do seu rendimento com os níveis nacionais e europeus, o segundo é o da criação de emprego, sustentável e duradouro.
Para convergir é necessário aumentar o nosso rendimento, vulgo produto interno bruto, seguindo um modelo que pressuponha o tão almejado aumento de riqueza, e que este seja sólido, no sentido de não regredir ou que seja sustentável.
A criação de emprego, não só para a população ativa existente como também para a nova geração que irá entrar no mercado de trabalho, esta muito mais qualificada, torna o desafio da oferta de emprego um verdadeiro quebra-cabeças, com as particularidades de ilhéus e ultraperiféricos que somos.
Assim, convergindo na riqueza e com uma população empregada, o estado/região terá os meios, ou seja, impostos arrecadados, para poder aplicar as medidas que lhe competem, para além do desenvolvimento económico, com a educação, a saúde e os apoios sociais.
Ora, as últimas notícias de que os Açores atingiram em 2009, pela primeira vez, a média de 75% do PIB per capita da União Europeia, mas que não saíram prejudicados na obtenção dos fundos comunitários, uma vez que a média dos últimos 3 anos ainda está abaixo desta percentagem, dá que pensar.
Primeiro, apesar dos milhares de milhões de euros que os Açores têm recebido, não conseguimos sair da classificação de região pobre, e ainda nos vamos manter no objetivo primeiro da União, para esta nos continuar a ajudar. Ou seja, por muitas comparações que façamos com outras regiões, o facto é que continuamos pobres, e que este modelo falhou. E também falha esta satisfação dos responsáveis políticos em terem chegado a lado nenhum e que continuam em boa posição para sugar a vaca europeia. Triste, pois o ideal era atingir a sustentabilidade e um patamar acima de riqueza.
E mais, dizer que estamos ainda pobres, apesar dos milhões recebidos, e que estamos com uma taxa de desemprego baixa seria do mal, o menos, já que, afinal, nem rendimento nem emprego, estamos com a maior taxa de desemprego de que os Açores têm memória, e sabíamos que ia aumentar a nossa taxa de atividade, por via da entrada de mais pessoas no mercado de trabalho.
Com esta calamidade, ver que o slogan do partido que tem a governação é renovação com confiança, leva-nos a questionar se não basta desta política que não cria riqueza nem emprego suficiente. Mais do mesmo, não, obrigado.
Será que não chegou o momento para uma nova política, onde a globalidade açoriana deve ser repartida pela potencialidade de cada ilha? De tomar como ponto de partida o patamar de riqueza, do nível de emprego e das potencialidades de cada ilha para se definir planos estratégicos de desenvolvimento baseados nos produtos que cada qual pode oferecer e, a partir daí, caso se justifique, expandir para o todo regional?
Será que não é preciso parar com esta política de centralidade, que só tem asfixiado as economias mais frágeis, pois se as ilhas maiores não têm uma atividade económica existente numa ilha menor, esta nunca se chega a desenvolver, porque não se coaduna com o modelo vigente. Este modelo não tem aproveitado as potencialidades de determinadas ilhas, que não se desenvolvem porque não têm as mesmas oportunidades oferecidas às grandes, e por isso definham e, nalguns casos, até os pontos fortes enfraquecem ao longo dos anos, perdendo-se excelentes oportunidades. Este modelo tem, de facto, tornado as ilhas mais pequenas cada vez mais dependentes e económica e socialmente mais frágeis.
Mas não é só no panorama regional que urge uma mudança de paradigma, também ao nível local, onde o poder autárquico não toma medidas concretas de verdade para que haja também no Faial convergência de rendimento e criação de emprego.
Ficou muito bem visto o nosso edil na recente jantarada em Lisboa com os estudantes faialenses na capital, por altura da Bolsa de Turismo de Lisboa, mas a ausência de medidas, a jusante, da nossa autarquia com vista à geração de riqueza é atroz.
Se os estudantes lhe tivessem perguntado se havia uma zona industrial para se instalarem, a resposta era negativa, se lhe perguntassem se o município tem medidas facilitadoras para a implementação de empresas, como, por exemplo, licenciamento a custo zero, a resposta seria “Não”. Se lhe perguntassem se há medidas de apoio, com acompanhamento técnico especializado, para o financiamento dos seus projetos, a resposta seria a mesma, se lhe perguntassem quais são as portas para projetos de novas tecnologias…, imaginem a resposta a esta e tantas outras…
Resumindo, os Açores não convergem nem criam emprego sustentável e os governantes, em jantaradas ou não, fazem passar uma impressão que não corresponde à realidade.
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