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  • 025 – Bracara Augusta
31
março

025 – Bracara Augusta

Escrito por  Paulo Oliveira
Publicado em Maria Antonieta Avellar Nogueira
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 O passado Domingo de Ramos, passei-o em Braga, voltando a visitar esta bela cidade minhota, cujas origens remontam ao ano 16 aC, quando foi fundada pelo imperador romano César Augusto, com o nome de Bracara Augusta.
Braga é profundamente religiosa, e na religiosidade assenta grande parte da sua notoriedade, da sua imagem e da sua economia.
Braga, engalanou-se, para festejar a Páscoa!
Ao visitá-la, sentimos desde logo o peso da riqueza preponderante do seu património arquitectónico, cuja força é facilmente perceptível ao percorrermos as áreas pedonais do seu Centro Histórico.
Estamos perante um Centro Histórico onde “recuamos” no tempo, tal é o rigor e a profusão das boas práticas no restauro, na reabilitação, na requalificação, remodelação e ampliação dos edifícios e praças.
Nas principais ruas do Centro Histórico, a integração urbanística aconteceu, entre o peso dos monumentos em granito, com leveza dos vidros nas mais modernas lojas das melhores marcas nacionais e internacionais.
Coexistem os restauros dos castelos, das igrejas, dos conventos e dos solares, com as recuperações, reabilitações e remodelações dos edifícios antigos que albergam as actividades mais diversas e actuais.
Ao dobrar de uma esquina, tanto poderemos esperar dar de caras com um cavaleiro com a sua armação de ferro, como com um desfile de moda do mais excêntrico estilista.
Em Braga existe passado, mas também existe presente, atractivo e vivo.
A circulação de viaturas de emergência e de cargas / descargas está disciplinada e salvaguardada, sem colidir com a liberdade que experimentamos ao atravessar as suas ruas pedonais, transformadas num Centro Comercial a céu aberto.
Devidamente infra-estruturada, com saneamento básico, as ruas estão reabilitadas, sendo impressionante o rigor da obra feita, seja no desenho urbano dos passeios, dos lancis, das rampas, das passadeiras, das sarjetas e sumidouros, traçados a régua e esquadro, seja no asseio e limpeza dos espaços públicos, verdes e floridos, transformados em agradáveis e convidativos espaços de estar e convívio.
A iluminação e equipamento urbano, foram cuidadosamente concebidos, tendo em vista a valorização cénica dos edifícios, mas também o conforto e a sua utilização pelas pessoas.
A estrutura do sistema viário está baseada em túneis que atravessam a cidade, e que proporcionam variadas soluções subterrâneas de estacionamento, libertando o centro urbano para as pessoas, com praças e jardins imensos, onde tudo acontece, das artes ao folclore, dos patins e skates às bicicletas e parques infantis, das esplanadas aos quiosques, etc., etc..
Convém referir que, a par do centro histórico, existem zonas novas de expansão, com habitação, com universidades, com estádios, com estacionamento, com centros comerciais...., maiores e melhores do que nos maiores centros urbanos de Portugal, designadamente, Lisboa e Porto.
Como se consegue cativar investimento para reabilitação de zonas históricas desertas, e que há muito haviam perdido o seu potencial económico?
Compete aos Municípios inverterem essa situação, forçando novas atractividades, mediante legislação que incentive ao investimento, criando contrapartidas urbanísticas, oferecendo ao investidor um retorno minimamente apetecível, proporcional e rentável às suas expectativas, para além de se adoptarem atitudes pró-activas e desburocratizadas.
Quem precisa (o Município) é que vai à luta, cativando investidores privados, e Braga é um bom exemplo, equilibrado e sustentado!
Em Portugal, deram-se os primeiros passos em reabilitação urbana nos anos 80, nas cidades do Porto e de Évora, iniciando-se uma corrida desenfreada à valorização do passado, numa perspectiva de desenvolvimento estratégico do potencial futuro de cada localidade.
Seguiram-se inúmeras cidades, desde Angra do Heroísmo a Ponta Delgada, de Lisboa a Portimão, de Óbidos a Guimarães, de Cascais a Sintra...
Para já não falar na Europa e por esse mundo fora, onde todos os Municípios se procuram actualizar, e mostrar o que de melhor herdaram do passado, lançando para o futuro essas “sementes”, na firme convicção do retorno desses investimentos.
Mesmo casos “perdidos” como os da Costa da Caparica e Espinho, deitaram mãos a tarefas gigantescas, no sentido de transformarem o seu desonrado passado de “pato bravo”, em presentes modernos e actuais, com boas ofertas nas áreas turísticas e da animação.
Se é importante haver museus que testemunhem o passado de uma cidade, mais importante é criar actividade viva e saudável que desenvolva a cidade, a sua economia, que crie emprego, e que fixe  a sua população, designadamente, os casais jovens.
Por cá, em pleno século XXI, ainda se procuram ideias..., só para quem as não tem, claro!...

Sinceros votos de uma Santa Páscoa.

Contributos, para
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