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  • O Gestor e a Líder
24
agosto

O Gestor e a Líder

Escrito por  Fernando Guerra
Publicado em Fernando Guerra
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Em Outubro próximo haverá nos Açores eleições para a Assembleia Legislativa Regional, com formação de novo Governo, constituindo um acto que implicará nas vidas de todos nós, com o qual devemos estar preocupados e atentos em quem depositar a confiança do nosso voto.

Sabemos que, ao nível organizacional, são os partidos que apresentam programas de Governo, com competência e obrigação de propor ao povo como se deve aplicar os dinheiros públicos arrecadados em impostos, que devem definir o que consideram prioritário, o que são gastos e investimentos, assegurando que estes levem ao maior bem estar, duradouro e sustentável, da sua população.

Contudo, e por variadíssimas razões, muitas das decisões de voto, que mais não é do que um depósito – não de dinheiro mas de confiança -, dependem de quem está à frente dos partidos, do seu líder, e do facto deste ter as competências e as qualidades de um verdadeiro líder, que consiga projectar na vida real o rumo e objectivos propostos. isto é, para além das questões de preferência partidária, da necessidade de alternância democrática, está a figura pessoal do líder. um líder fraco nunca levará, por muito boa pessoa que seja, a bom porto esta embarcação chamada Açores; pelo contrário, uma pessoa competente e com visão assertiva é que atingirá esses objectivos.

Assim, duma forma caracterizadora, qual dos dois principais personagens candidatos a presidentes do Governo tem maior carisma de líder?

O candidato do partido que ainda está no Governo tem formação académica superior, tem experiência política de diversas pastas, as quais secretariou, e do que conheço, pessoalmente é um bom homem.

Contudo, analisando até agora a sua propaganda política, cujo slogan principal é o da renovação tranquila, perante os diversos problemas, pretende apresentar ou cartas ou memorandos, utiliza chavões como "sectores fortes", "pujantes", "continuaremos a acreditar" ou "continuaremos a apoiar", leva-me a classificar a sua capacidade não como a de um líder que se impõe mas sim um gestor político. Um mero gestor do partido que, quando teve dinheiro não soube semear com sustentabilidade a nossa economia, centralizou modelos, sacrificou potencialidades de várias ilhas, que tiveram que esperar pelo investimento nas maiores, e que agora, gasto e sem dinheiro, com o modelo económico falhado, despende em paliativos, dando (gastando) algo mais do que a república, para aparecer nos jornais.

A candidata pelo único partido que poderá chegar à vitoria tem enviado mensagens bem diferentes. Perante os problemas, tem procurado agir, tomando posições claras, tem apresentado questões inovadoras, tem questionado o quê e o porquê das coisas, tem apresentado, o que muito aprecio, uma perspectiva de longo prazo.

Com estas características apresentadas, estamos perante uma verdadeira líder, que é o que se procura e pretende, levando desde já uma vantagem sobre o outro candidato, que não passa de um gestor com visão de curto prazo.

E mais, apesar do esforço que o actual líder do Governo tenha feito para formatar um sucessor, fazendo-o passar ao longo dos governos por diversas secretarias para ganhar experiência em diversos sectores, cometeu um erro capital. As competências de liderança não podem ser aprendidas ou ensinadas... nascem com a pessoa.

Na minha área profissional, onde também sou solicitado a analisar o perfil de determinado candidato a uma determinada função, há que fazer a difícil distinção entre os gestores tarefeiros, que se manda e fazem, daqueles que têm a inovação e a solução dentro delas, e com estes candidatos estamos perante um gestor político e uma líder política.

A partir daqui a opção é simples... E principalmente no actual cenário de dificuldades e de um contexto sócio económico muito difícil, queremos alguém que seja de continuação, ou nestes tempos queremos alguém proactivo, cheio de energia?

Sem falar que a continuação manterá o Faial fora da rota do desenvolvimento e a líder promete desenvolver as potencialidades de cada ilha...

Que venha Outubro.

 

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