Nasceu na freguesia e concelho da ilha do Corvo a 10 de Abril de 1914, filho de José Inácio Lopes e de Maria da Conceição Lopes.
Frequentou a escola primária da sua terra natal, onde concluiu com bom aproveitamento a 4.ª Classe, que era nesse tempo a escolaridade obrigatória.
Em 1928 ingressou no Seminário de Angra do Heroísmo, onde estudou durante um ano. Depois rumou à Póvoa de Varzim, tendo aí frequentado um Colégio interno, mas foi no Liceu de Angra do Heroísmo que, em 1938, viria a concluir o 2.º Ciclo (6.º Ano), com excelente classificação.
Depois de ter estagiado na Tesouraria da Fazenda Pública de Albergaria-a-Velha, acabaria por realizar, em Fevereiro de 1941, o Exame de Cultura Específica no Liceu Nacional da Horta, com vista à sua entrada na Escola do Magistério Primário. Frequenta então essa Escola e, em Julho de 1942, concluiu o Exame de Estado que o habilitava ao exercício de professor oficial ou elementar.
Assim, em Outubro desse ano foi colocado como professor provisório na escola primária da freguesia da Candelária, ilha do Pico, onde iniciou a sua nobre carreira profissional e permaneceu até 1943, ano em que conseguiu colocação definitiva na escola da sua terra natal, a ilha do Corvo. Terá substituído o Prof. Pedro Penedo da Rocha, um ilustre corvino que falecera inesperadamente nesse ano, com a idade de 60 anos, quando exercia vários cargos importantes na ilha. Aí o Prof. Lopes exerceu funções até Julho de 1975, data em que passou à situação de aposentado, depois de na sua terra natal ter igualmente desempenhado importantes cargos.
Entretanto, em 12 de Janeiro de 1944 casara com Maria do Rosário Rodrigues, também ela professora oficial, natural da Costa do Lajedo, concelho de Lajes das Flores, que igualmente leccionou na escola feminina da ilha do Corvo e que o acompanhou o resto da vida. O casal não tinha filhos, a esposa, mais tarde, depois dele ter falecido, foi residir para o Continente Português, onde viveu com pessoas amigas. Ela veio a falecer em Lisboa, a 19 de Abril de 2000, no Hospital de S. Francisco Xavier, tendo sido o seu corpo transladado, posteriormente, para o Cemitério do Carmo na cidade da Horta, conforme fora seu desejo. Foi na ilha do Corvo que o casal viveu a maior parte da sua vida e onde desfrutou de maiores êxitos profissionais e sociais.
A actividade do Prof. Lopes desenvolveu-se também noutros ramos, quer de natureza política, quer de natureza social. Assim, em Outubro de 1965, assumiu o cargo de Presidente da Câmara Municipal do Corvo, substituindo nesse cargo David Santos, lugar esse que foi desempenhado com dedicação até ao “25 de Abril” de 1974. Apesar das precárias condições económicas e financeiras da ilha, conseguiu fazer diversos empreendimentos, destacando: o calcetamento novo das principais ruas da vila do Corvo; a conclusão do abastecimento de água em diversas habitações; instalou-se a rede telefónica na ilha; foi construído o Porto da Casa.
Graças ainda à sua iniciativa, foi criada na ilha a Biblioteca Gulbenkian, de que foi ele próprio o encarregado, durante vários anos, satisfazendo, desse modo, o interesse dos corvinos pela leitura. Mas a sua acção também se fez sentir na limpeza das ruas e dos currais, quer das aves de capoeira, quer nos dos porcinos, bovinos e demais animais da vida rural corvina, procurando e conseguindo melhorar o estado sanitário da ilha.
Para além disso, como a ilha ficava muito tempo sem médico residente e como não havia farmácia, ele próprio possuía um bom sortido de medicamentos que servia para ajudar a resolver muitos dos primeiros socorros dos corvinos.
Era prestável para todos os que careciam dos seus serviços, dos seus conselhos e das suas ajudas desinteressadas.
Depois de se fixar com a esposa na cidade da Horta, em 1975, onde o casal viveu aposentado alguns anos, passava uma grande parte do seu tempo na Biblioteca e Arquivo Distrital da Horta. Aí, para além de se ocupar da leitura, encontrava amigos para conversar e para passear pela cidade.
O seu falecimento ocorreu na cidade da Horta em 10 de Dezembro de 1986. A viúva, embora tenha falecido no Continente Português, jaz no cemitério do Carmo, na cidade da Horta, junto do marido, como atrás referimos.
Mas, foi na ilha do Corvo que o casal viveu a maior parte da sua vida e onde desfrutou de maiores êxitos profissionais e sociais, conforme ambos afirmavam quando viviam na cidade da Horta.
O professor Alfredo Lopes, enquanto novo foi trabalhador, dedicador e atencioso para os que careciam do seu apoio e dos seus serviços.
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Bibl: Trigueiro, José Arlindo Armas, jornal “Correio da Horta”, p. ‘Correio das Flores’, Horta, 6-1-1987; Trigueiro, José Arlindo Armas “HISTÓRIAS E GENTES DA ILHA DO CORVO”, 2011, pp. 185 e 186, ed. da Câmara Municipal do Corvo.