Nasceu na ilha do Corvo em 31 de Maio de 1940, filho de Lino Lourenço Saramago e de Emília Marcelina das Pedras.
Aos sete anos de idade passou a morar na ilha Terceira, onde concluiu a Instrução Primária. Para fazer o Ensino Secundário, estudou no Seminário de Angra e a seguir no Liceu Nacional da mesma cidade. Foi para aí viver em casa do tio, o Padre António Lourenço Saramago, que lá foi professor do Seminário e pároco em várias paróquias.
Em 1955, com a idade de 15 anos, emigrou para o Brasil, onde chegou em 19 de Dezembro. Morou então nas cidades de Tombos, Carangola e Juiz de Fora, todas no Estado de Minas Gerais. Inicialmente trabalhou em escritórios de estabelecimentos de um tio que tinha no Brasil.
Entre 1964 e 1973 radicou-se na grandiosa e bonita cidade do Rio de Janeiro. Todavia, em Abril de 1973 mudou-se para a cidade de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais.
Assim, depois de passar por várias empresas onde trabalhou na área da contabilidade, viria a constituir aí, com um sócio amigo, uma empresa contabilística própria. É nessa empresa, cujos serviços são muito exigentes em conhecimentos e trabalhos, como acontece em Portugal, que passou a trabalhar como técnico de contas a partir da sua fundação e onde se tem realizado profissionalmente.
Entretanto, para atingir a qualidade que desejava nessas actividade, na cidade de Porciúncula havia iniciado o curso Técnico de Contabilidade, curso este que veio a terminar na Escola Técnica de Comércio Carangolense. Simultaneamente trabalhava nessa área, enriquecendo, deste modo, os seus conhecimentos técnicos com a prática adequada na área contabilística.
Sempre na ânsia de melhorar os seus conhecimentos, seguidamente formou-se em Economia na Faculdade de Ciências Políticas e Económicas do Rio de Janeiro, cujo curso terminou em 1972.
É naquela empresa, como sócio-gerente, que se realiza profissionalmente há largos anos.
Em 18 de Dezembro de 1977 casou com Sandra Maria Gontijo Handan das Pedras Saramago, que explora serviços de Buffet, servindo assim produtos alimentares, por encomenda, essencialmente para festas e cerimónias de diversa ordem. Do seu casamento nasceram os filhos: Maria Emília, publicitária; Pedro, com o curso de Designer; e Hassen, formado em Educação Física.
Apesar da distância que o separa da sua terra natal, lembra-se com apreciável realidade das dificuldades com que se vivia na ilha do Corvo. Assim, recorda-se, essencialmente, do grande esforço que antigamente as corvinas faziam para cuidarem das “terras de baixo”, — no cultivo de hortaliças e de outras produtos para consumo da casa, — a fim de que os homens pudessem permanecer, de manhã até à noite, trabalhando nas terras de lavradio que ficam nas chamadas “terras de cima”. Era essencialmente aí que os corvinos produziam milho, feijão, batatas e “outonos” para a alimentação do gado, aproveitando as folgas para cuidar do estrume para as terras, como era hábito nesse tempo. Esclarece-se que no tempo em que havia produção de trigo, este era essencialmente produzido nas “terras de baixo”.
O Dr. José das Pedras Saramago, lá longe no Brasil, não esquece estes e outros pormenores da vida corvina e considera que as mulheres corvinas, pelo esforço que fizeram durante séculos nessa vida trabalhosa, mereciam uma justa homenagem.
Apesar de ter saído muito novo para a ilha Terceira, ainda em criança, como atrás mencionámos, sempre acompanhou de perto a vida no Corvo, onde, como qualquer insular, deixou “raízes”. Deste modo, mantém-se mais ou menos actualizado, relativamente à vida social da ilha, através dos contactos que tem com familiares e amigos, designadamente com o irmão João. Para além disso, embora por escassos dias, uma vez que a sua vida não lhe permite estar muito tempo fora do escritório, já há anos atrás voltou ao Corvo a fim de matar saudades.
Lutando sempre para melhorar as suas condições de vida, José Saramago é um dos corvinos que trabalhou, arduamente, para se libertar das precárias condições que a ilha lhe oferecia, razão pela qual se viu forçado a emigrar e a procurar uma realização profissional de que se orgulha. Daí o variável e longo percurso que percorreu na vida.
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Fonte: Elementos curriculares remetidos pelo próprio e arquivados nos meus documentos em 25-3-2010; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Histórias e Gentes da Ilha do Corvo”, 2011, pp 206 e 207, ed. da Câmara Municipal do Corvo.