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22
março

Uma Flor contra a Discriminação

Escrito por  Alzira Silva
Publicado em Alzira Silva
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Uma flor por amor.

Uma flor contra a dor.

Uma flor contra o racismo.

A Associação dos Imigrantes dos Açores (AIPA) está a fazer circular esta mensagem e flores contra a discriminação. Um gesto simbólico que teve início no Dia Internacional da Luta pela Eliminação da Discriminação Racial – 21 – e se prolonga até ao dia 28.

Há que reconhecer o trabalho insubstituível da AIPA ao longo dos seus dez anos de atividade e a sua posição na linha da frente para a chamada de atenção que se impõe nas nossas ilhas e no mundo. Infelizmente, apesar dos nossos hábitos solidários, temos muito a aprender na viagem ao mundo da discriminação. A étnica é apenas uma delas, talvez uma das mais visíveis e mais punidas nos países desenvolvidos; mas as discriminações aos portadores de deficiência, as discriminações de género, as etárias, as económicas, as culturais, e tantas outras são igualmente atentados contra a igualdade devida à dignidade do ser humano e, no entanto, fazem parte do dia-a-dia de todos nós.

A discriminação aos imigrantes denota, como todas as outras, falhas graves no conhecimento e uma tendência quase indesviável para julgamentos superficiais. É vocação da AIPA focar esta discriminação; é tarefa de todos nós, a propósito do tema discriminação ir mais fundo, identificar todos os seus tipos, dos mais evidentes aos mais subtis, no nosso universo relacional, e agir com equidade, fazendo da Carta dos Direitos Humanos uma bíblia orientadora do nosso comportamento social.

A mudança de mentalidades é lenta e só se absorve com o tempo. Não há receitas para penetrar de imediato na perspetiva de cada um e direcioná-la para outra via com argumentos, gestos, atitudes, embora se estudem muitos caminhos de marketing, de redes sociais e de padrões de comunicação para atingir determinados efeitos. Mas a uma velocidade cada vez mais vertiginosa cada pesquisa ultrapassa outra(s) e somos inundados por informações contraditórias para todos os gostos e com níveis sofisticados de mistificação ou de nitidez.  

A energia que sai do simbolismo destas celebrações dos dias internacionais é sempre muito mais forte do que o número de pessoas que atinge e seria muito interessante ver a nossa sociedade colaborar nesta iniciativa contra a discriminação (vou insistir no palavra étnica em vez de racial porque isso de raças é um conceito ultrapassado para uma vasta maioria dos estudiosos que se dedicam a estas áreas). Existe um espaço aberto à participação individual ou coletiva: esta campanha da AIPA convida a uma mensagem num transporte público e a uma fotografia, dando o mote com Bob Marley: “Enquanto a cor da pele for mais importante do que o brilho dos olhos, sempre vai existir guerra”.

Lanço aqui mais uma para reflexão e para o serviço à humanidade que nos compete: “somos os sons, as formas, as cores que amamos; maior o amor, maior o universo”. Escrevi-a há anos numa iniciativa da Direção Regional das Comunidades, cujos titulares sempre se têm associado às diligências da AIPA para melhorar o relacionamento entre autóctones, emigrantes, imigrantes, nos Açores, em Portugal e no Mundo. Continuo a ver a importância da antidiscriminação sintetizada nestas frases – modéstia à parte. O ser humano é tudo o que ama. Se amar grande, o seu universo será grande.

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