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03
maio

Aquário Virtual do Monte da Guia ou de como se engana os faialenses

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
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1. Foi em 2006 que o Governo Regional anunciou que iria instalar na Horta um Aquário Virtual, localizado na Fábrica da Baleia de Porto Pim.

Um ano depois, em 2007, o Presidente do Governo não fazia a coisa por menos: como sintetizava em título o diário local, “Porto Pim terá dois aquários e dois centros de interpretação”.

Com efeito, a 4 de Julho de 2007, durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra do Aquário Virtual no Monte da Guia, Carlos César anunciava, com pompa e circunstância, um grande projeto que o Governo pretendia implementar na Baía de Porto Pim na cidade da Horta que, para além de um aquário virtual, incluía também um aquário de água salgada. E especificava: de imediato ia decorrer a primeira fase, que consistia na recuperação da antiga Fábrica da Baleia para instalação de um aquário virtual, “onde será possível visualizar imagens das fontes hidrotermais e do mundo dos grandes pelágicos dos Açores”; depois, seguir-se-ia o aquário de água salgada, a construir entre 2008 e 2012 e que, no dizer daquele governante, seria “um núcleo de referência mundial em oceanografia e pescas”.

Nessa altura, garantia o Presidente do Governo, tratava-se de implementar “um novo conceito museológico, que apela à ação participativa do cidadão e convida a uma nova metodologia pró-ativa”, juntando-se, por isso, aos Aquários um Centro de Interpretação e um Centro Arqueológico, que iriam permitir realizar importantes atividades de estudo e pesquisa para estudantes e investigadores.

Em Fevereiro de 2008 (ano de eleições regionais), em visita às obras, garantia o Governo, que tudo estava bem e que o Aquário Virtual seria inaugurado nesse Verão. 

2. Passou-se o Verão de 2008 e mais quatro verões…mas o Aquário Virtual continua…virtual.

Embora o Governo continuasse a ser do Partido Socialista, um surto de amnésia afetou os seus membros. Em 2009, o titular da pasta do Ambiente não se recordava de que a obra tinha sido anunciada para abrir no Verão de 2008: “Eu creio que nunca foi anunciada a abertura para o Verão do ano passado…foi anunciada a construção do edifício”, garantiu Álamo Meneses, já esquecido da notícia do dia 25 de Fevereiro de 2008, do Gabinete de Apoio à Comunicação Social dos Açores, que tinha como título “Primeiro Aquário Virtual dos Açores abre no Faial no Verão”.

3. Mas o pior foi que à amnésia juntou-se a má vontade: “era uma obra muito cara”, confidenciavam os responsáveis, para quem os queriam ouvir.

E então “começou-se a descobrir”, a partir de 2009, já com as eleições ganhas, que, por exemplo, embora a recuperação do edifício estivesse concluída, faltava conceber os conteúdos e faltava adquirir a tecnologia para o espaço. Até se encontraram “problemas decorrentes da indisponibilidade tecnológica de algumas soluções, as quais se apresentam ora muito caras, ora impraticáveis no espaço em causa”.

Daí até à decisão, em 2011, de não adjudicar o concurso público internacional para a aquisição da identidade visual e exibição multimédia, que seria um dos elementos centrais no funcionamento do prometido Aquário Virtual, foi um pequeno passo.

Estava decretada a morte do projeto anunciado em 2007 por Carlos César. O Governo, o mesmo que por sua iniciativa e sem ninguém lhe ter pedido nada havia anunciado o que anunciou, decidia seguir “outros caminhos” e alterar significativamente o projeto e os objetivos iniciais daquele investimento, concluindo que o “Aquário do Porto Pim unicamente virtual não seria o caminho mais adequado a seguir”, pois seria “um investimento gigantesco em tecnologia com resultados que não eram seguros”.

4. A questão dos custos deste investimento passou, portanto, a ser o principal argumento para a suspensão, redução e anulação de muito do que estava previsto no projeto inicial. Dizia, convicto, há dois anos, um Diretor Regional do Ambiente que as propostas para a identidade visual e exibição multimédia “eram muito caras, ultrapassando um milhão de euros”.

A questão é que o milhão de euros, que é considerado “muito caro” para o Faial, é uma gota nos 12 milhões de euros que o mesmo Governo decidiu manter para custear a obra em curso do Centro de Arte Contemporânea em S. Miguel!

5. Manda a verdade que se reconheça que o Aquário Virtual de Porto Pim é apenas um dos muitos exemplos desta forma de governar no que ao Faial diz respeito.

E manda também a verdade reconhecer que a maioria dos Faialenses a tem apreciado. 

Só isso explica que, sucessivamente, nos últimos dezasseis anos, tenha renovado, nas eleições, a sua confiança em quem assim tem governado os Açores e o Faial. 

Assim é a Democracia! Para o bem e para o mal, cada um tem sempre a soberana oportunidade de escolher. Nem que seja escolher voltar a ser enganado!

 

 
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