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04
outubro

Depois das autárquicas

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
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1. Socorrendo-me das contas de Gabriel Silva (Blasfémias.net), a comparação dos resultados das eleições do passado domingo com as autárquicas de 2009, dá a nível nacional, os seguintes e interessantes números:

PSD+CDS = Menos 576.861 votos

PS = Menos 274.674 

PCP = Mais 12.679

Independentes = Mais 119.187

BE = Menos 46.187

Brancos = Mais 98.301

Nulos = Mais 77.961

Não-votantes = Mais 656.837

2. O PSD, até domingo dominador nas autarquias, tem fartos motivos para reflexão interna e profunda autocrítica face aos resultados que obteve. Em várias e importantes cidades os eleitores penalizaram este partido não tanto pelo efeito negativo das políticas do governo, mas, sobretudo, pelas decisões erradas na escolha dos candidatos, onde parece ter imperado, nalguns locais, um amiguismo incompreensível e uma sujeição a figurões que, à força, querem fazer das autarquias um modo de vida. Os eleitores deram a resposta a estas escolhas e a esta estratégia. 

3. O PS, ao invés, ganhou em toda a linha: ganhou em número de votos e ganhou em número de Câmaras. Mas, ironicamente, foi uma vitória sem motivos para grandes celebrações, pois o PS viu fugir-lhe também muitos votos. Ora, num cenário de grande expetativa em captar apoios dos descontentes com as políticas governativas, ver a sua própria votação nacional diminuir significativamente, não é propriamente bom. Por isso, se a esta circunstância geral juntarmos a particularidade do reforço da votação de António Costa em Lisboa, então a conclusão parece-me óbvia: António José Seguro tornou-se, ainda mais com estas eleições, um líder a prazo!

4. Merecedores de atenção são ainda dois outros fenómenos. Um é o das candidaturas independentes, algumas mesmo contra os maiores partidos do chamado “arco da governação” e que mereceram reforço significativo da sua expressão a nível nacional. Em vários casos foram candidaturas vencedoras e impuseram-se pela boa recetividade das suas lideranças e dos seus projetos. Elas constituem um sério aviso aos partidos e à forma como internamente funcionam e decidem as suas candidaturas locais.

Outro fenómeno, e preocupante, é o do contínuo crescimento dos que se abstêm de votar, e que já são mais de meio milhão de portugueses. Eleitores fantasmas e desatualização/inadequação dos cadernos eleitorais e da própria lei eleitoral não justificam tudo e o descontentamento/desapontamento de muitos com a política e com os partidos é também um fator a ter em conta. 

5. Nos Açores, as contas são simples: o PS venceu em 13 dos 19 concelhos da Região, mais um do que em 2009. O PS conquistou ao PSD as Lajes das Flores e o Nordeste (concelhos onde nunca havia vencido) e S. Roque do Pico. Em sentido inverso, o PS perdeu para o PSD a Ribeira Grande e para o CDS-PP as Velas de S. Jorge. O PSD, dos sete municípios que detinha, ficou reduzido a quatro (perdeu também a Calheta para uma lista de independentes). Mas manteve a maior câmara dos Açores (Ponta Delgada) e, ao acrescentar-lhe a Ribeira Grande, passou a dominar dois concelhos que, em conjunto, acolhem mais de 40% da população açoriana.

6. No Faial, manteve-se a hegemonia do PS, reforçando, por comparação com 2009, a sua votação para a Câmara, recuperando a maioria na Assembleia Municipal e ganhando a presidência das juntas de freguesia de Pedro Miguel e Ribeirinha. A única novidade e maior alegria eleitoral da Coligação “Pela nossa terra” foi a vitória nos freguesia dos Cedros, retirando ao PS a presidência da Junta.

7. Apoiei convictamente a candidatura “Pela nossa terra”. Mais uma vez, como nos últimos 24 anos, o eleitorado faialense expressou-se de forma clara pela continuidade. Como sempre defendi, uma derrota eleitoral não significa que o que se defendia era errado ou inútil. Significa apenas que as pessoas escolheram outro caminho. E só isso não faz do caminho rejeitado, um mau caminho. Como, igualmente, uma vitória não faz dessa a melhor solução. Os vencedores têm agora 4 anos para mostrarem o que valem e cumprirem o que prometeram aos seus eleitores. Aos vencidos compete a tarefa fundamental de serem a voz crítica, fiscalizadora e alternativa ao desempenho dos vencedores. Também para que os eleitores despertem para a profunda verdade daquilo que Helena Matos escreveu no “Diário Económico”: “Agora os tapetes de relva vão degradar-se e aqueles arbustos acabadinhos de plantar vão perder a sua graça. Agora as bicicletas pintadas no alcatrão vão apagar-se. Agora os buracos vão voltar aos mesmos sítios onde estiveram durante anos. Agora vamos ter uma pequena pausa nos boletins, revistas, espectáculos e demais ‘performances' de múltiplos e avençados artistas que nos garantem que o município é uma festa. Agora vai ser assim até que daqui a três anos e meio a girândola comece a girar de novo e eles de novo comecem a prometer o impossível, quando não o indesejável, e, no caso dos que correm para a reeleição, a fazer com desmesura aquilo que sempre deviam ter feito com contenção.(…)”

01.10.2013

 
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