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25
outubro

CORVINO QUE SE DISTINGUIU - MANUEL DAS PEDRAS RITA (1948-….) Emigrante, político e empresário

Escrito por  José Arlindo Armas Trigueiro
Publicado em José Trigueiro
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Nasceu na freguesia e ilha do Corvo em 14 de Fevereiro de 1948, filho de Manuel Coelho Rita e de Maria Marcelina das Pedras, ele agricultor e armador de barcos de pesca costeira e ela doméstica.

Aí concluiu a Instrução Primária, fazendo a 4.ª Classe com excelente aproveitamento. Essa instrução foi enriquecida com leituras e com a experiência da vida, já que é dotado de grande inteligência, de brio e vontade de saber. 

Depois dedicou-se à lavoura dos pais, bem como à pesca nas suas embarcações. 

Em 1969 ingressou no serviço militar obrigatório no BI N.º 17, de Angra do Heroísmo, tendo ainda passado por Abrantes e Santa Margarida até que foi mobilizado para Angola, onde Portugal mantinha uma guerra, desde 1961, contra a guerrilha nacionalista, que veio a culminar com a independência das colónias depois da “Revolução do 25 de Abril” de 1974. 

Desmobilizado em Abril de 1972, regressou à ilha do Corvo onde casou em 20 de Julho desse ano com Rosa Maria Fraga, de cujo casamento nasceram as filhas Catellieen e Rennee Rita, a primeira funcionária da Câmara Municipal do Corvo e a segunda da RIACC. 

Em Janeiro de 1973 o casal decidiu emigrar para os EUA onde se instalou em New Bedford. Aí, inicialmente trabalhou numa fábrica de pinturas de panos, mas depois, com o fim de obter melhores remunerações, passou a trabalhar na construção civil onde esteve até 1987, que é, como se sabe, um serviço bastante mais exigente. 

Nesse ano de 1987 decide regressar com a família à ilha do Corvo, a fim de beneficiar de uma vida mais calma e independente. Aí edificou a sua casa de habitação, procurando melhorar as condições de conforto que tinha antigamente.

Depois de se ter filiado no PPD/PSD - Partido Social Democrata, a fim de participar na vida política local e de ser útil à sociedade onde estava inserido, aceitou candidatar-se à Presidência da Câmara Municipal do Corvo nas eleições autárquicas de 1993. Vencidas essas eleições, no início de 1994 iniciou funções, começando por visitar os diversos departamentos governamentais onde tinha projectos para executar na ilha que o viu nascer, durante os seguintes quatro anos. Chegando ao fim do primeiro mandato, como a sua obra não estava ainda completa, recandidatou-se pelo mesmo partido, vencendo as eleições para um segundo mandato, o qual veio a terminar em 2002.  

Dos diversos empreendimentos levados a efeito como Presidente da Câmara Municipal do Corvo, salienta-se a edificação da Escola Básica e Integrada, bem como a resolução da grave crise de água potável para a ilha, recorrendo essencialmente à criação de uma lagoa artificial na zona alta da ilha, ambas com ajudas governamentais. Das outras obras de construção e melhoramentos antigos, salienta-se a estrada do Caldeirão, e a construção do Parque de Campismo, de uma bomba de gasolina, cuja exploração foi adjudicada a uma empresa privada, e a nova queijaria da Cooperativa “Lacticorvo”, cuja criação contou com apoio municipal, a qual ficou a explorar o queijo típico da ilha, nela constando também capitais privados. A construção do edifício polivalente dos serviços públicos é outra obra que veio trazer a qualidade de que tanto a ilha carecia, e que foi inaugurado pelo Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, durante a sua visita oficial ao Corvo. 

Depois de deixar a política, criou uma residencial ou casa de turismo rural, hoje denominado Hotel Rosa & Manuel Rita Empreendimentos Turísticos, Ld.ª, que é o único estabelecimento da especialidade da ilha, expandindo o interesse turístico, para assim publicitar a ilha e os Açores para além das nossas fronteiras.

Manuel Rita, como esteve emigrado com a esposa, sabe receber os turistas e sabe apresentar-lhes os produtos açorianos que temos, designadamente as belezas naturais da ilha, a que junta o clima que eles apreciam, bem como os pergaminhos históricos de bondade e simplicidade que os corvinos sempre souberam oferecer. Nessa oferta inclui, portanto, o património humano das pessoas, que é uma das mais ricas ofertas que as nossas ilhas açorianos ainda possuem, designadamente a ilha do Corvo que ele habilmente sabe apresentar. 

Nas eleições autárquicas de 2009 voltou a candidatar-se à Presidência da Câmara Municipal do Corvo, desta vez como candidato do PS – Partido Socialista, um vez que se havia incompatibilizado com os social-democratas, vencendo novamente as eleições.  

Assim, quer concluir mais alguns projectos que tem na ideia para a sua ilha, a fim de proporcionar melhores condições de vida aos seus conterrâneos. 

É inteligente e culto para o meio onde vive e está sempre disponível para colaborar nos interesses da sociedade local. Assim, foi ou é sócio da Filarmónica Lira Corvense, da Cooperativa de Lacticínios “Lacticorvo”, dos Bombeiros Voluntários e é irmão da Santa Casa da Misericórdia, instituições estas que procura ajudar, sempre que lhe é possível.  

 

Fontes: Elementos curriculares remetidos pelo próprio, telefonicamente, em 2-3-2009, cujo texto arquivamos nos nossos documentos; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Histórias e Gentes da Ilha do Corvo”, 2011, pp. 217 a 219,  ed. da Câmara Municipal do Corvo. 

 

 

 

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