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10
janeiro

O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora (Mia Couto)

Escrito por  Joao Stattmiller
Publicado em João Stattmiller
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Quando afirmei a minha intenção de permanecer sozinho no mato (o resto do grupo ia completar o triângulo e regressar a Chiange no dia seguinte) os doze do Cunene espantaram e no dia seguinte conseguiram demover-me dos meus intentos com a promessa de uma visita à embala do rei dos Gambos nas imediações de Chiange), desmontaram-me a tenda e levaram-me com eles em direção ao Tchico a 50 Km onde estava programado mais um encontro com tratadores de gado locais. O Tchico é o último vértice do Triângulo dos Gambos. Parámos junto de uma casa onde se comercializa aguardente e tabaco para cheirar, nas proximidades de uma escola e de um posto médico feitos de adobe e com teto de chapa, mais um exemplo do trabalho ao nível de infra-estruturas que a ADRA vem desenvolvendo nesta área como disse alguém. O Sr Amandio tirou as panelas e deslocou-se para junto do posto medico onde iria preparar o almoço. Estava um grupo de homens sentados no chão a jogar Kiela, um jogo tradicional africano, foram aparecendo mais pessoas e a sempre conveniente árvore serviu uma vez mais de palco ao intercâmbio de experiências entre os tratadores de gado do Cunene e os daqui. A conversa iniciou-se e decorreu normalmente até que apareceu um velho de olhos esgazeados pela ingestão de Macau (bebida local feita a partir da fermentação de massango) que se sentou junto dos outros e pouco depois já estava  participando na discussão falando e gesticulando como se fosse louco fazendo algumas pausas para ir snifando tabaco que trazia numa espécie de bainha metálica que tinha presa a cintura, eu como sempre não estava a pescar nada da conversa e desta vez ninguém se preocupou em traduzir para mim, de qualquer forma não era preciso tradutor para perceber que alguma coisa não estava a correr bem. A tensão era visível e o nervosismo entre o pessoal do projeto não augurava coisa boa, à cautela fiz uma retirada estratégica para as traseiras da carrinha que estava estacionada um pouco mais atrás e dali continuei a observar. De um lado os doze do Cunene com o pessoal do projeto do outro um grupo de Mongambwes (e suas respetivas catanas e porrinhos) agitado pelo velho que parecia determinado em aquecer o ambiente. A Isabel e a Mariana com a sua astucia feminina lá conseguiram acalmar os ânimos graças também a alguns Mongambwes que foram acalmando o velho. Tudo acabou em bem. Afinal o velho era o soba do Tchico um tal Kahila que como não tinha assistido às explicações no inicio da conversa pensou que se tratásse de um grupo de sabichões que lhe vinham ensinar como cuidar do Gado. Depois de acalmados os ânimos e terminada a discussão aproximei-me dele e por gestos pedi-lhe que me deixasse experimentar um snif do seu tabaco ao que ele acedeu todo sorrisos, a Isabel aproximou-se e serviu de interprete para uma pequena conversa. Assim que soube que era de Luanda foi com os seus conselheiros escrever uma carta que pouco depois me deu para trazer até Luanda e entregar ao Alfredo Chaunda com a recomendação de que quando voltasse não me esquecesse de trazer umas garrafas de aguardente e uns garrafões de vinho, tirei-lhe uma foto com os seus conselheiros e por decisão do cozinheiro e do pessoal do projeto arrumámos as panelas e fomos almoçar uns kms mais à frente em baixo de uma figueira junto a um bebedouro do gado.  O cabrito com pirão regado a cerveja Ngola quente enfastiava um pouco mas pensei em buda e nas suas privações debaixo da figueira e o estômago engoliu. Depois do almoço pusemo-nos a caminho para os últimos 50km do percurso até Chiange com uma paragem a meu pedido para fotografar um grupo que encontramos no caminho e onde estavam algumas crianças e mulheres entre elas uma grávida com uma barriga enorme e com ares de quem estava prestes a entrar em trabalho de parto. Apesar do meu interesse em permanecer mais um pouco, não fosse a mulher parir, os doze do Cunene estavam impacientes e retomamos a marcha. A minha experiência de snifar o tabaco do soba Kahila foi motivo de gargalhada geral e em breve começaram a aparecer caixinhas de tabaco de cheirar chamadas “snuf menthol magnet” que alguns tinham trazido do Cunene, o Lito gostou tanto que ficou com uma e a partir daí a pergunta chave passou a ser “vai um snuf?”. E lá fomos a caminho de casa...

 

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