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04
março

NOTAS SOBRE EDUCAÇÃO

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
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 1. O famoso computador “Magalhães” veio para os Açores mais tarde do que no Continente. Pensava-se que esse atraso teria servido para se organizar o processo, dar formação aos docentes, enfim, criar as condições para que aquele computador pudesse ser efectivamente uma ferramenta ao serviço das aprendizagens dos alunos, especialmente em ambiente de sala de aula, quando fosse caso disso. Não foi o que aconteceu!

O computador “Magalhães” foi distribuído nas escolas dos Açores a um mês do final do ano lectivo passado e foi entregue gratuitamente a cerca de 90% dos alunos do primeiro ciclo, conforme anunciou o governo regional.

Seis meses depois, e perante a informação da Comunicação Social que dava conta de que em várias ilhas dos Açores era já possível adquirir na candonga o computador “Magalhães”, questionei, na Assembleia, o governo regional se tinha números sobre os alunos que haviam recebido gratuitamente computadores e já não os possuíam. Não tive resposta.

Questionei ainda o governo se tinha já alguma avaliação à utilização que era dada a esses computadores nas salas de aula das nossas escolas. Também não tive resposta.

O que fiquei sabendo foi que o governo regional estava “orgulhoso” por ter oferecido os computadores a cerca de 90% das crianças das nossas escolas. Ora, se a norma divulgada sobre os critérios de distribuição daquele computador foi cumprida (e ela estabelecia a sua gratuitidade para os alunos do primeiro escalão dos apoios da Acção Social Escolar), a preocupante conclusão que tiramos é que cerca de 90% dos alunos do primeiro ciclo pertencem a famílias carenciadas. E isso não abona em nada o nosso estádio actual de desenvolvimento!

E o facto que permanece é apenas este: num país e numa região de recursos limitados, gastam-se fortunas sem haver a mínima preocupação em obter retorno do que foi dispendido. As ideias e os objectivos até podem ser bons e defensáveis, como parece ser o caso. Mas a verdade é que tudo se deita a perder com a leviandade com que se implementam as medidas, apenas determinadas pelo calendário da propaganda.

2. Vamos pagar caro, no país e na região, o erro de uma política educativa que procurou remediar os efeitos da massificação do ensino com a criação de mecanismos artificiais que conduzissem ao sucesso dos alunos a qualquer preço. Em vez de se promover o sucesso educativo com qualidade e individualização dos percursos educativos, optou-se pelo mais fácil: baixar assustadoramente os padrões de exigência no ensino básico. Obcecados pelas estatísticas do sucesso escolar, sucessivos governos, lá e cá, acabaram por dar o pior sinal possível aos alunos e ao sistema: não é preciso estudo, nem trabalho, nem esforço pessoal e nem sequer, às vezes, assiduidade para passar de ano no ensino básico. Impôs-se, pela via administrativa e burocrática, o facilitismo na educação. O resultado está cada vez mais à vista: os alunos que terminam a escolaridade obrigatória saem, genericamente e em média, cada vez mais impreparados e com menos conhecimentos. Por isso, quando chegam ao ensino secundário o choque é, para muitos alunos, enorme e acaba por directa ou indirectamente empurrá-los para fora da escola ou levá-los a optar por outras soluções educativas.

3. Deixo aqui um exemplo, entre outros que poderia dar, do resultado a que conduz esta obsessão governativa pela limpeza estatística, como forma de mascarar o falhanço das políticas educativas. Para este ano lectivo, o governo regional introduziu alterações nos percursos de recuperação da escolaridade e, entre os programas criados, figura, por exemplo, o chamado “Oportunidade III”. Este programa destina-se aos alunos que têm 14 anos de idade e que não conseguiram atingir as competências do segundo ciclo de escolaridade (5º e 6º anos). O Programa permite que esses alunos atinjam em dois anos não só as competências do segundo ciclo, como as do terceiro ciclo (7.º, 8.º e 9.ºanos). Alguém acredita que alunos que trazem já um historial de dificuldades (e por isso são integrados no programa) irão adquirir em dois anos escolares as competências de dois ciclos?

4. Esta descredibilização está a vitimar o ensino público de tal forma que em todo o sítio onde há ensino privado, os pais que podem assumir esse encargo, optam cada vez mais por lá colocar os seus filhos em detrimento das escolas públicas. De acordo com os números esta semana divulgados pelo jornal Público, nos últimos dez anos o ensino público em Portugal perdeu mais de 98 mil alunos (a maior fatia deveu-se à quebra da natalidade), enquanto o número de estudantes no ensino privado aumentou de 15 para 18% do total da rede.

É que nas escolas privadas os pais procuram um ambiente seguro, regras de disciplina, exigência e hábitos de trabalho, enquanto na escola pública infelizmente assiste-se diariamente à perda da autoridade dos professores e ao facilitismo desqualificante. Os rankings valem o que valem, mas não deixa de ser um sinal claro o facto de serem sempre escolas privadas a liderá-los!

 


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