Tribuna das Ilhas

Infinity 8
  • Início
  • Local
  • Triângulo
  • Regional
  • Desporto
  • Cultura
  • Política
  • Opinião
  • Cartoons
Últimas :
Investimento privado no Faial – realidade ou utopia?
Educação - Escola Secundária Manuel de Arriaga ocupa o 496.º lugar do ranking a nível nacional
Eleições - Carla Dâmaso assume a presidência do OMA
Agricultura - Trybio organiza cursos de instalação de pomares e de poda de fruteiras no Faial
BTT – ESMA ATIVA Primeiro encontro de BTT da ESMA junta professores e alunos
“Eco Freguesia, freguesia limpa” - Candidaturas ao programa abertas até 15 de março
Saúde - Hospital da Horta assina protocolo com Câmara Municipal da Madalena para criação de Unidade de Hemodiálise
Efeméride - Azores Trail Run® regista 4000 inscritos em 5 anos
Faial - Governo Regional assina contrato para reabilitar Solar e Ermida de São Lourenço
  • Início
  • Opinião
  • Victor Rui Dores
  • à Lúcia e ao Gui - Dois anos sem o Sérgio
19
setembro

à Lúcia e ao Gui - Dois anos sem o Sérgio

Escrito por  Victor Rui Dores
Publicado em Victor Rui Dores
  • Imprimir
  • E-mail

Horta, 11/09/2014

Sérgio Luís, meu irmão

Dois anos após a tua partida, nós por cá estamos todos pessimamente bem... Andamos para aqui, pachorrentos e insulados, pitorescos e digestivos, constitucionais e estatutários, com a boca a saber a lima azeda, e cansados de tanto ócio. Cá vamos cantando o Faial das faias, o Pico das canas e o picão do nosso destino picado... Só a montanha à nossa frente é que continua infinitamente bela.

De resto o nosso país continua pantanoso e transformou-se num fado triste de compadrio e corrupção – um país onde até a esperança paga imposto. Nada que já não tivesses previsto nas peças que escreveste para o nosso “Carrocel”.

Andamos para aqui, em nebulosa lembrança, carpindo saudades tuas. As coisas que deixaram de ser vistas pelos teus olhos e os objetos que as tuas mãos deixaram de tocar continuam, intactos, na tua casa. A tua guitarra está emudecida, e os teus livros, os teus discos, os teus filmes, os teus posters, as tuas músicas e as tuas letras aguardam o teu regresso.

Por isso fazes falta, fazes-nos falta. E era justo que estivesses aqui a zombar de tudo isto: a irritar o nosso comodismo, a denunciar a hipocrisia de alguns políticos, a sacanear os pequeno-burgueses, tu que sempre foste inteiro e insubmisso, controverso e arrebatado. Sentimos a falta da tua coragem, da tua irreverência, do teu pessimismo e do teu jeito de ser libertino. A falta das tuas crispações e das tuas heresias, da tua insolência e do teu desassossego, do teu cinismo perverso, da tua ousadia despudorada, do teu comportamento imprevisível, da tua cruel sinceridade, das tuas atitudes desconcertantes, da tua incorrigível obstinação, da tua risada profana, da tua satânica ternura, dos teus sonhos quixotescos, das tuas apoquentações, das tuas borbulhas em vésperas de estreia teatral, da tua generosa amizade, isto é, do teu insustentável talento. 

Chorámos-te em afluentes de mágoa quando nos deixaste agarrado a um poema de Brel, e por ti sentimos uma intensa dor que não morre. No silêncio denso das nossas vidas, vamos refazendo a teia dos dias incertos. E olhando as águas do mar que te acolheram, eu sei que para sempre guardarei o teu retrato no fundo do meu espelho. 

 

                         Um abraço de mar     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lido 1227 vezes
Classifique este item
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
(0 votos)
Tweet
Login para post comentários
voltar ao topo
  • Perdeu a senha?
  • Esqueceu-se do nome de utilizador?
  • Registe-se!
  • Contatos
  • Pesquisa
  • Assinatura
Copyright © Tribuna das Ilhas 2026 All rights reserved. Custom Design by Youjoomla.com
Opinião