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14
novembro

Florentinos que se distinguiram - DR. ANTÓNIO DE FREITAS PIMENTEL (1901-1981) Político e médico

Escrito por  José Arlindo A.Trigueiro
Publicado em José Trigueiro
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Nascido na Fazenda, que no tempo integrava a freguesia e concelho de Lajes das Flores, em 15 de julho de 1901, era filho de António de Freitas Pimentel, conhecido por “António da Loja” por possuir um pequeno estabelecimento de “mercearias, aguardentes, vinhos e análogos”, situado na frente da sua casa de habitação, e de Maria do Rosário Trigueiro, doméstica e tratadora de cabras que ajudavam a manter o equilíbrio da precária economia do lar.

Era irmão do Dr. José de Freitas Pimentel* que, como médico, faleceu na Madalena do Pico, em 1920, atingido por um surto de peste “pneumónica” que fora debelar. Era também irmão do luso-americano Fernando de Freitas Pimentel que emigrou para a Califórnia, onde viveu e faleceu.
Depois de fazer a instrução primária na escola da sua freguesia natal, já adolescente cursou nos Liceus das cidades da Horta e de Angra do Heroísmo, não obstante as dificuldades económicas da família. Seguidamente ingressou na Universidade de Lisboa, onde se licenciou em Medicina em 1929. 
Em 1930 consorciou-se em Lisboa com a médica Dr.ª Maria Francisca Paes Dias Freitas Pimentel, tendo o casal fixado residência na cidade da Horta, onde começou a exercer medicina em consultório privado. Do casal nasceram as filhas Maria Regina e Maria Fernanda.
Sem acesso ao Hospital da Horta, por razões políticas, chegou a ter de lecionar no Liceu da Horta, para efeitos da sobrevivência do casal. 
Com o desaparecimento das influências políticas do Dr. Manuel Francisco Neves Jr., que era figura de proa do poder “salazarista” no Distrito da Horta, acabou por ter acesso ao Hospital e por aderir a esse regime, com o acordo da oposição faialense, com quem ele militava. 
Assim, em 7 de agosto de 1935 foi nomeado para o cargo de Governador Civil substituto e, em 28 de novembro de 1945, Presidente da Câmara Municipal da Horta, onde teve brilhante ação na construção de bairros sociais e de estradas municipais. 
Acabaria também por aderir à União Nacional, que era a força político-partidária do regime, onde assumiu a presidência da respetiva Comissão Distrital em 12 de Outubro de 1948.
Como reconhecimento da sua obra na citada Câmara Municipal e das suas qualidades políticas, foi nomeado Governador Civil da Horta, a 30 de junho de 1953. Quando regressou de Lisboa, depois de percorrer os Ministérios apresentando cumprimentos e projetos faialenses, foi alvo de grandiosa homenagem de satisfação dos faialenses, prestada no cais e nas ruas da cidade da Horta.  
Graças à amizade que estabeleceu com os Ministros, estes quando visitavam a Horta, eram seus hóspedes, tal como acontecia com os Presidentes da República e outras altas individualidades, sobretudo antes de haver o Hotel Faial. Contudo, a sua amizade com o Eng. Arantes e Oliveira, Ministro das Obras Públicas, foi comum e extensiva aos respetivos familiares.
Poucos anos depois da sua nomeação, o Faial passou por uma grande crise sísmica resultante do Vulcão dos Capelinhos, iniciado em Setembro de 1957, que, para além de envolver avultados gastos na reconstrução, implicou diligências suas na obtenção de vistos dos EUA para emigrantes sinistrados, a par das quotas de emigração para o Canadá, iniciada a partir de 1953. Com essas diligências conseguiu elevada descida do desemprego existente no Distrito, embora sabendo que corria o risco de o despovoar, como aliás veio a acontecer. Conseguiu instalar na Horta, em 1955, a delegação da FNAT/INATEL que no distrito tem desenvolvido avultadas atividades desportivas, recreativas e culturais. Soube diligenciar, junto de Salazar, no sentido da Base Francesa de Tele-Medidas ser instalada na ilha das Flores, em 1964, onde a mesma proporcionou acentuado desenvolvimento social e económico. A seu pedido o Ministério da Agricultura instalou em todas as ilhas do Distrito, em 1964, os Serviços Florestais que nelas desenvolveram importantes arroteias nos Baldios e que aí instalaram pastagens e florestação, propiciando e ajudando a iniciativa privada nessas áreas e nos terrenos privados, bem como abrindo quilómetros e quilómetros de vias de penetração.  
Impossibilitado de designar pormenorizadamente os muitos empreendimentos levados a efeito no Distrito da Horta no seu tempo, salientarei alguns dos que retenho de memória: a construção dos aeroportos da Horta e das Flores, da Avenida Marginal da Horta, da Adega Cooperativa da Madalena e do Hospital das Flores; a conclusão das redes de estrada das quatro ilhas; a construção e a ampliação das redes de águas, de eletricidade, e de Escolas Primárias e do Liceu da Horta; a edificação da Central Hidroelétrica das Flores e respetiva rede elétrica em toda a ilha, das Estalagens da Horta e de Lajes das Flores, das instalações da Estação Francesa na Flores; a construção da estrada de Ponta Delgada das Flores, da Junta de Freguesia de Pedro Miguel, dos Paços do Concelho do Corvo e de Lajes das Flores, da Quinta das Rosas do Pico, dos edifícios dos CTT da Horta, Madalena, S. Roque do Pico, Santa Cruz das Flores e Corvo e de muitos outras obras.
Das obras comparticipadas pelo Estado a seu pedido, salientam-se as seguintes: Sedes da Unânime Praiense, da Ribeirense e da Euterpe de Castelo Branco, Sede Ginásio do Fayal Spor Club, Polivalente de Castelo Branco, Casa do Gaiato da Horta, as igrejas da Ribeirinha, da Praia do Norte e do Norte Pequeno, bem como os impérios destruídos pelas crises sísmicas dessas localidades e, certamente, outras que não tenho de memória. 
Trouxe à Horta artistas, grupos de teatro e de música, bem como o Ballet Gulbenkian.
Em 9 de fevereiro de 1955, a Câmara Municipal de Horta atribui-lhe a “Medalha de Ouro da Cidade” e mais tarde o título de “Cidadão Honorário da Horta”, e homenagem semelhantes foram-lhe prestadas por várias outras autarquias do Distrito.
A seu pedido, o Governo dos Estados Unidos da América, pela Lei n.º 3962, autorizou a entrada no seu país de 1500 famílias de sinistrados do Vulcão dos Capelinhos, noticiava o jornal O Telégrafo, de 2 de setembro de 1958, com a interferência solidária do então senador J. F. Kennedy, que viria a ser eleito presidente dos EUA em 1960 e a ser assassinado em Dallas em 11-11-1963.
Na educação, para além do Ciclo Complementar do Liceu para a Horta, conseguiu dar início ao Ciclo Preparatório nas Vilas do Pico e das Flores e criou a Escola Técnica da Horta, ensino este que viria a ser extinto na sequência do “25 de Abril” de 1974, com graves consequências para a formação da juventude do distrito. 
Como estava a concluir 20 anos no cargo de Governador Civil — tempo máximo legal para o respetivo exercício — as forças vivas do Distrito, a 15 de maio de 1973, prestaram-lhe grandiosa homenagem na Sociedade Amor da Pátria.
O seu afastamento do cargo verificou-se a 25 de maio desse ano, tendo sido empossado como Governador Civil, o Dr. Sanches Branco, falecido em 2006 em Alcobaça, destituído do cargo com o golpe de Estado do “25 de abril”.
Em 10 de junho de 1973 foi agraciado pelo Presidente da República, Almirante Américo Thomaz, com a alta e honrosa comenda da “Torre e Espada”, o maior galardão com que são contemplados aqueles que prestam os mais relevantes serviços ao Estado Português, a qual se juntou a muitas outras condecorações e títulos que lhe foram atribuídos durante a sua vida.
Mas, quando se esperava que viesse a afastar-se da vida política, eis que, a convite pessoal do Presidente do Conselho, Prof. Marcelo Caetano, seu amigo de longa data, o Dr. Freitas Pimentel era eleito, em outubro de 1973, deputado pelo círculo da Horta à Assembleia Nacional, cargo que mantinha quando se verificou a queda do regime do Estado Novo em “25 de abril” de 1974.
Após o “25 de abril” era um observador atento da nova vida política do País, embora desgostoso com alguma ingratidão por que então passou, nomeadamente com o desprezo a que foi submetido por algumas pessoas que considerava suas amigas. Estava também ressentido pelo facto dos responsáveis pela “Revolução” lhe terem retirado a justa pensão com que o Governo anterior tentara compensá-lo de uma vida, quase totalmente dedicada ao serviço público, remunerada com pequenas gratificações — sem comparação possível com os avultados vencimentos dos atuais cargos políticos similares. Alguns dos seus principais colaboradores, que até então se faziam seus amigos, atravessavam as ruas para não se cruzarem com ele, a fim de darem uma imagem de democratas — dizia-me ele ofendido. 
Como político, era popular e astuto, refletindo ou analisando com inteligência as críticas dos elementos da oposição, com os quais convivia cordialmente, convidando-os, por vezes, para colaborarem na governação, logo que considerava terem qualidades para tanto. Sabia estar lado a lado com os políticos, bem como descer ao nível da população simples e humilde. Terá sido um dos maiores políticos da ilha das Flores, a par do Senador André de Freitas e do Deputado Theophilo Ferreira.  
Como médico, atividade que exercia praticamente todos os dias quando se encontrava na Horta - durante a parte da manhã no Hospital e à noite no seu consultório com a esposa, também ela médica de elevada qualidade — era competentíssimo, sobretudo no diagnóstico das doenças. Trabalhavam quase sempre gratuitamente, servindo com a mulher uma clientela que enchia o seu consultório, constituída por pessoas pobres e/ou amigas que, por vezes, procuravam compensá-los com ofertas em géneros — em tempos que o dinheiro escasseava e que, praticamente, não havia assistência social médica, medicamentosa ou hospitalar. Manteve durante muitos anos passagens em dias certos pelas freguesias do Faial, onde era aguardado ansiosamente pelos respetivos doentes, donde regressava com o carro carregado de frutas, hortaliças, batatas e de outros produtos agrícolas com que aqueles procuravam compensá-lo dos seus serviços de médico, geralmente gratuitos. Como conhecia praticamente toda a gente, entrava pelas casas dentro chamando com a sua voz potente as pessoas pelos nomes, deixando-as, por vezes, envergonhadas pela surpresa da sua visita.
O seu falecimento ocorreu a 14 de abril de 1981, na cidade da Horta, tendo tido no seu funeral a presença de muitos amigos e uma distinta homilia proferida pelo reverendo Padre José de Freitas Fortuna, na missa de corpo presente então celebrada1.
 
BIBL: Florentinos que se distinguiram, 2004, p. 167, ed. da C. M. de Lajes das Flores, de José Arlindo Armas Trigueiro; 
Jornais:  O Telégrafo,  Correio da Horta,  O Dever,  Diário Insular, Diário de Lisboa, Jornal Português da Califórnia, O Século,  O Primeiro de Janeiro, Correio Português do Canadá, Jornal do F.S.C.,  Diário de Notícias  e Gazeta das Caldas da Rainha, todos do tempo a que respeitam as datas; Trigueiro Arlindo Amas, Fazenda das Flores, Um século de Sucesso, (2008), pp253, ed. da Câmara Municipal das Flores.; Trigueiro, José Arlindo Armas, Fazenda das Flores, Um Século de Sucesso, (2008), pp. 219, ed. da Câmara Municipal das Lajes das Flores.  
1 - Jornal Correio da Horta, de 24/25-12-1992  e  Jornal do Ocidente,  de 10-11-1992, artigos de José Arlindo Armas Trigueiro; Fazenda das Flores - Um Século de Sucesso (1900-2000), p. 253, edição da Câmara Municipal das Lajes das Flores.
 
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