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  • Crónicas da Nossa Terra - A nossa Incúria 2 - As Termas do Varadouro
23
janeiro

Crónicas da Nossa Terra - A nossa Incúria 2 - As Termas do Varadouro

Escrito por  X
Publicado em Hugo Rombeiro
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Na presente ocasião (setembro) encontravam-se dezenas de pacientes a banhos das águas medicinais do Varadouro.

Uma parte desses pacientes tem de pagar a água necessária para banhos à razão de 45 ou 60 centavos, por falta de um encanamento convenientemente estudado, que conduza a água ao balneário, uma construção, aliás muito sofrível, de uma bomba que leva a água à beira da rocha, a umas dezenas de metros de distância da estrada nacional.

A outra parte dos banhistas, a com mior falta de recursos, tem de percorrer 1 Km por cima  de rocha, com um risco enorme de ser instantaneamente soterradas pela queda de algum lanço, ou mesmo, uma pequena pedra deslocada por qualquer lufada de vento!...

No entanto, os benefícios que muitos doentes têm tirado daquela água, quer em banhos, quer usando-a como água de mesa, é conhecido. Contando-se por centenas o número de indivíduos beneficiados. Mas a nossa proverbial incúria não quer ver nada, não quer saber de nada. Não quer que perturbem o dolce farniet que nos tem prejudicado e arrastado para longe dos outros povos mesmo insulares. Bem mais longe do que supõem muitos...

Chegando-se ao fim do corrente mês, por falta da bomba e porque não se construiu a cisterna por forma a evitar que o mar lá entre, misturando-se a água salgada com a que brota da fonte, ninguém lá pode ir mais nem aproveitar-se dos benefícios medicinais daquela águas sem motivo justificado. Por quanto, tanto a instalação da bomba, como as modificações a fazer na cisterna, não podem custar mais que umas centenas de mil reis. O que nada representa em face das cómodas e facilidades proporcionais aos munícipes que pagam por todas as formas.

Outubro à porta e a Câmara retirará a pequena bomba manual que lá tem, ficando o público privado dos benefícios medicinais daquela fonte, até junho do próximo ano!

Sem motivo plausível, nem dificuldades que o justifiquem. Pois, um pouco de paciência encontrará, decerto, forma de facultar ao público achacado os benefícios daquelas águas todo o ano.

A não ser que seja verdade, segundo afirmara a existência de uma outra fonte quente nos matos entre a Lombega de Castelo Branco e a Ribeira do Cado, Capelo, talvez oculta aos olhos indiscretos por denso matagal.

Pois a ser verdade uma tal existência a nossa incúria atinge os parâmetros da indiferença!

 

100 anos depois  “O Eco” - Horta – Setembro de 1915 

             

                                                      

 

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