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  • Das nossas incertezas e indecisões
06
fevereiro

Das nossas incertezas e indecisões

Escrito por  Victor Rui Dores
Publicado em Victor Rui Dores
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Nós, lusitanos, somos dados a profundas indecisões e a basilares incertezas. Por exemplo: à pergunta “Como estás?”, respondemos invariavelmente: “Assim, assim”; “Mais ou menos”; “Vai-se andando”; “Vou escapando”. Raramente dizemos: “Estou bem” ou “Estou muito bem”, e “Estou mal” ou “Estou muito mal”.

É inata a nossa tendência para a imprecisão. Se calhar porque não gostamos de nos enganar: 

-Como está o tempo?

-Não está frio, mas também não está calor.

Afina pelo mesmo diapasão a nossa juventude. Diariamente sou confrontado, na minha escola, com tiradas como esta: 

-Correu bem o teste?

-Podia ter sido pior.

E depois existem aqueles diálogos falhados que constituem o paradigma da incomunicação perfeita, da surdez integral:

 - Vais à pesca?

-Não. Vou à pesca.

-Ah, pensava que ias à pesca.

De resto, a língua portuguesa presta-se a este tipo de incomunicação:

-O barco já chegou?

-Se queres que te diga, não sei.

E sinto vontade de dar bofetadas quando me perguntam o óbvio. Por exemplo: quando estou de férias na minha Graciosa ilha, é habitual fazerem-me esta pergunta:

-Estás cá?

Ao que muito polidamente respondo: 

-Não, estou em Nova Iorque…

Há aquele outro exemplo clássico de dois casais portugueses que se encontram num bar. O primeiro pergunta: “Onde é que vocês vão logo à noite?” E o outro esclarece, fulminante: “Vamos sair”. Riposta o outro casal: “Para onde?” Dão-se as coordenadas: “Vamos aí a um sítio qualquer”. Pronto. E eles? “Ó pá, nós em princípio também estávamos a pensar em ir aí beber um copo”. “Aí onde?” Resposta: “Aí a qualquer lado”. “Então está bem. A gente vê-se por aí”. E assim se combinam grandes e profícuos encontros…

No relativismo subjacente ninguém nos leva a palma:

-O filme é bom?

-É… dentro do género.

E, em matéria de ambiguidade e de subentendidos, somos mesmo mestres:

-Vou ali fazer uma coisa que tu não podes fazer por mim…

Por via dos nossos vaticínios fracassados, lançamos dúvidas ao ar:

-Então, o Benfica vai ser campeão?

 -Eu já não digo nada…

E há aquelas perguntas desnecessárias que fazemos nos restaurantes:

- O goraz é bom?

O empregado é obrigado a responder que sim, mesmo que quisesse recomendar um peixe melhor… 

E, com toda a certeza, somos o único povo no mundo que assim chama os empregados de mesa:

-Psst…

Isto é que é falar português direito e que se entende…

 

           

 

                    

 
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