Peter Café Sport, 25 de Abril de 2018
Meu caro Jacques Brel
Neste espaço de todos os reencontros, sentado à mesa onde tu um dia cantaste, escrevo-te esta carta, com os olhos postos no “gin”, a sede na cerveja e a memória em ti. E isto porque faz este ano 44 anos que, a bordo do teu “Askoy II”, aportaste à Horta acompanhado da tua filha France e da tua companheira Maddly.Nessa altura, eu ainda não tinha fixado residência nesta cidade, senão, garanto-te, ter-te-ia aberto a porta da minha casa e o meu melhor whisky. Deixa-me que te diga que...
Cresci numa geração (e numa terra) privilegiada: com acesso à educação e à saúde, com conforto e segurança, com (clichés à parte) paz e amor, com espaço para ser criança e espaço para crescer, até com vista para o mar. E no meio de tudo isto não me apercebi de uma das coisas mais importantes com que cresci: a Liberdade. É que normalmente damos as coisas por garantidas de tal forma que não nos apercebemos que estão lá senão...