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Nuno Avelar

Nuno Avelar

17
setembro

Faial à Mesa promove produtos locais

Publicado em Local
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Decorreu no passado sábado, no Mercado Municipal da Horta, o primeiro “Faial à mesa”, uma iniciativa conjunta da Pomar do Atlântico, Associação de Jovens Agricultores do Faial (JAGRIFA), Associação de Produtores Espécies Demersais dos Açores (APEDA) e da Cook Faial.

Tratou-se do primeiro evento de cozinha ao vivo e teve como objectivo promover a carne IGP, o pescado, as hortícolas e a fruta produzidas localmente.
O Faial à Mesa contou com uma breve introdução e ao “show cooking” propriamente dito, durante o qual, dois chefs mostraram formas alternativas para confeccionar os produtos.

No final participantes puderam degustar os pratos elaborados e de adquirir alguns dos produtos utilizados.

Com uma assistência atenta e curiosa, Emanuel Silva, da Pomar do Atlântico, afirmou ao Tribuna das Ilhas que “a ideia de levar por diante um evento desta natureza surgiu a partir de um evento que se realizou à um mês atrás e teve como principal propósito de promover os produtos locais e, por outro lado, aproveitar que a discussão em torno do mercado está na ordem do dia, e mostrar que é possível dinamizar este espaço de forma diferente e arrojada”.

Em relação à procura de produtos locais pelos faialenses, Emanuel Silva considera que “há procura pelo produto local e acho que as pessoas cada vez mais procuram o produto local e acho que se calhar não se procura mais porque não há mais. Em algumas alturas do ano o produtor local não tem capacidade para abastecer o mercado local, mas considero que com eventos desta natureza e outros mais que virão, poderemos promover o nosso produto”.

Emanuel Silva é empresário e produtor. Enquanto produtor diz à nossa reportagem que tem tido algumas dificuldades sobretudo no acesso à terra, porque ainda existe muito a monocultura da vaca, o que faz com que os bons terrenos estejam quase todos ocupados e os disponíveis sejam de difícil acesso.

Para além disso este produtor defende que “devia haver uma preocupação maior por parte da Câmara Municipal sobretudo nos custos da água ao produtor. Para o produtor que tem que recorrer à água da corrente, a água tem um custo de 1.02€ por tonelada, e gastamos uma tonelada num abrir e fechar de olhos. Ora, isso faz com que os custos de produção sejam elevados e com que não consigamos fazer preços mais baixos para o consumidor”.

Este empresário e produtor, é um dos mais jovens e recentes empresários a explorar uma loja no Mercado Municipal e tem sido também um dos mais acérrimos defensores daquele espaço. Confessa ao Tribuna das Ilhas que o faz porque “o mercado não pode fechar as portas e é preciso parar para pensar sobre este assunto porque, no dia em que as pessoas virem as portas do mercado fechar vão sentir saudade deste espaço e vão sentir que perderam algo que é muito benéfico para o desenvolvimento local. Pessoalmente acho que este é um espaço que tem que ser acarinhado, requalificado e desenvolvido e que ajudará a promover o produtor local acima de tudo”.

Uma das críticas que é apontada aos lojistas do mercado está relacionada com o preço dos produtos que, em alguns casos, são mais elevados do que nas grandes superfícies. Sobre isto Emanuel Silva entende que isso se deve ao facto da maior parte dos lojistas do mercado serem apenas comerciantes e não produtores que acabam por vender produtos locais e de fora.

 

 

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16
setembro

XII Gala do Desporto Açoriano distingue faialenses

Publicado em Desporto
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Decorreu na passada sexta-feira a cerimónia de entrega dos galardões da Gala do Desporto Açoriano na ilha do Faial.

Nesta cerimónia foi galardoada a Associação de Desportos da Ilha do Faial, entidade que completou 50 anos de existência em 2012.

Na categoria Personalidade, o trofeu foi entregue a  Eduardo Gomes, pelos seus 20 anos como dirigente da Associação de Desportos da Ilha do Faial, e a Gracinda Andrade, para distinguir duas décadas de exercício das funções de treinadora de basquetebol no Fayal Sport Club.

Rui Silveira, atleta do Clube Naval da Horta, recebeu o galardão por representar a seleção nacional de vela nos Campeonatos do Mundo da Austrália e Alemanha.

 

 

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13
setembro

O mercado da Horta…as resistentes…

Publicado em Maria Antonieta Avellar Nogueira
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O  mercado da Horta está agonizante. Caso não seja observado por um bom especialista, ele não sobrevive. Falece. Questão de velhice não será, mas sim de doença prolongada, grave, que o vem minando, sem que surja alguém que, com a devida atenção, o socorra. E é pena! 

Aquele mercado, cujas bancadas estavam totalmente preenchidas, funcionando a todo o vapor, oferecendo-nos os mais variados produtos regionais e outros, foram fechando a pouco e pouco, uma morte lenta, angustiante, uma erosão de todas as células, sem que ninguém se apercebesse. 

A pouco e pouco também os vendedores vindos do Pico, foram desistindo. Aquelas brigas “saudáveis” que dantes havia, à cata da melhor bancada, as corridas à chegada da lancha das nove para ser o primeiro, para ficar no lugar mais estratégico, já não há! Há bancadas para dar e vender. Até as árvores foram-se. Quem sabe, abaladas pela mortandade que as rodeava. Ou mesmo contaminadas por ela. Desapareceram e agora o mercado é o que se vê.

E, ainda falando dos vendedores do Pico, nos tempos que vá lá vão, traziam para além da fruta e hortaliça, produtos da outra ilha, apreciados por todo o mundo. Vinha o pão e o bolo de milho caseiros,  o inhame, morcela, torresmos, linguiça, ovos caseiros, massa sovada e muito mais. Tudo isto seria uma parte daquilo que eles usavam nas suas casas, equivalente por consequência a produtos confecionados com limpeza, requinte e por que não, muito carinho. E, nós, compradores, para além de pagar, ficávamos imensamente gratos por podermos saborear tais produtos. Mas isso também teve o seu fim. Porquê? Penso que devem ter sido “visados pela comissão de censura”. E eles desistiram. Infelizmente! 

E assim, tudo em debandada, o mercado foi-se atrofiando. Resta a estátua, que qualquer dia vai também para o caneco. Bom para ela, porque naquela solidão deve sentir-se um caco.

Mas, como em tudo na vida, há sempre excepções e neste caso lá estão elas. As nossas resistentes. Sobraram duas mulheres rijas, valentes, de cuja  fibra não é feita qualquer pessoa. Ali continuam pés bem assentes no chão, enfrentando adversidades, solidão,  más disposições dos clientes, reclamações, até assaltos, um rol de coisas nada simpáticas, que não mereciam. Sempre de sorriso aberto. Não desespero. Não queixas. Entreajudando-se sem invejas. Prestando favores aos clientes, sempre afáveis, a troco de nada. Devo-lhes muita atenção, muito carinho, muito respeito. São as resistentes! 

Ligia, Maria de Jesus, vocês são umas heroínas. São as nossas padeiras de Aljubarrota, capazes de enfrentar, não castelhanos com a pá do forno, mas portugueses, gregos e troianos, oferecendo agrado, simpatia, generosidade, a todo o mundo, enquanto enviam os próprios problemas para o inferno! Vocês sim, mereciam uma condecoração, diria mesmo uma estátua nesse mercado. Falo sério. Não fossem vocês, já os portões estariam encerrados! Quem reconhece isso? 

Porque terá o mercado chegado a tal extremo? Realmente  houve a preocupação de alindar o exterior. Mas, infelizmente, isso é de somenos importância. Porquê alindar o exterior, quando o interior está vazio? Faz lembrar aquelas pessoas ocas, sem formação, sem inteligência, teimando vestir modelitos de marca. Uma pobreza franciscana.

Quem frequenta o mercado, quer seja da região, quer seja um estrangeiro, vai para olhar os produtos, comprar, porque são eles que atraem. O turista em especial tem interesse em levar produtos da região. E aí, o seu olhar cai sobre o que encontra. Não importa o lugar em que está colocado aquilo que lhe convém. 

O turista que quer apreciar artes vai aos monumentos, mosteiros, palácios, torres. Coisa mais maluca admirar os muros dum mercado, pensando em estilos. Gótico? Barroco? Imagine!

Qualquer mercado que se preze, tem os produtos expostos num amontoado de cestos pelo chão, caixotes de madeira, caixas de cartão, seja lá o que for, oferecendo os produtos que deles saem,  a sua frescura, beleza, qualidade. Que se lixe o recipiente! Balcão, bancada, cesta, saco, o escambau! Necessário só o que sai de lá! Oferecendo-nos, com elegância um belo postal da terra. E, falando em elegância, sempre achei um charme olhar os produtos espreitando descaradamente a meus pés, mesmo dum simples saco de serapilheira. No Egito fiquei hipnotizada com a imensidade de  sacos carregando condimentos de cores variadas, cujo perfume ainda hoje me persegue. Como guardo no coração o carinho que esse povo me dispensou. Não gostaria que sofressem tanto, meu Deus!

Bem, voltando ao nosso mercado, quando era mercado, era assim. Havia de tudo. Dispostos como disse atrás. Produtos nossos. Agora, porém, ou não temos nada ou o mercado rejeita-os. Será que levaram a volta dos frades? Quem terá sido o Marquês de Pombal d´hoje? Quem será o culpado?

O pouco que aparece hoje à venda, vem cansado após longas viagens. Vem do Brasil, Paraguai, Argentina, Espanha, da casa do diabo mais velho. Precisa que venha de longe. Um pêssego de Alcobaça, um morango do Fundão, uma uva do Douro, um queijo da Serra, não. Tudo importado. Equalizado, normalizado, envernizado, deslavado. E comam lá se quiserem. E o português desconfiado. E o estrangeiro atrofiado. Tudo em “ado”

Ainda temos em Portugal mercados belos, onde se encontra tudo que seja regional. Caso do Bolhão, no Porto, que frequento. Não me perguntem as cores das paredes, se tem pinturas, se tem teto ou esculturas. Sei nada disso. Não. Sei que tem lá uma tremenda desarrumação de coisas arrumadas. Caminhando, vou topando pelo chão com flores lindas, belas hortaliças, saídas não sei donde, bem como outros produtos a quem ninguém resiste, dentro de não sei quê, uma profusão de produtos regionais, num aqui estou, aqui me tens. E perde-se a cabeça lá. Um encanto, uma atração inexplicável.

Nas Caldas da Rainha o mercado é feito todas as manhãs, na Praça da República. Ali eles armam as suas tendas toscas, onde vendem mil e um produtos regionais. Tudo prima pela tal desarrumação arrumada. É um dos meus mercados favoritos. Lá há de tudo. Não tente encontrar figos do Algarve, vinho do Porto, queijadas de Peniche. Seria irrisório. De resto há tudo que uma boa imaginação possa abranger. A uma hora da tarde partem todos casa às costas e lá fica a Praça, limpinha, um primor. Deu-se o milagre.

São estes mercados que chamam os turistas, que saem carregados de compras, recordações da região. Visitando o mercado aprendemos imenso sobre o modo de vida da gente daquela terra. 

E voltando à vaca fria, fico pensando que o nosso actual mercado, não é bem mercado. Dá ares de cemitério. Tudo sempre no mesmo lugar, silêncio, algumas flores que se vão trocando, raras pessoas meio soturnas se  cruzando. Cara de enterro. Onde estará aquela alegria, as conversas sobre futebol e política que animavam aquele local, aqueles produtos bem nossos que no estrangeiro ganham prémios e medalhas? 

O que vale é que os turistas bem formados, inteligentes e cultos, vão apreciando algo que ainda não conseguimos destruir tal como as lagoas, os montes, a luxuriante vegetação, as pedras negras, os maroiços, a montanha do Pico e muito mais, que nós, açoreanos , até desconhecemos, porque muitas vezes falta-nos sensibilidade. 

 

P.S. Terminada esta crónica, tive a informação que o mercado ficará em breve mais pobre.  Lamento muito!

 

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13
setembro

Raul Xavier A cabeça mais bem organizada...

Publicado em Armando Amaral
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... e o Ilustre Intelectual terceirense concluía: Que alguma vez encontrei.

Sentença proferida pelo Dr. Baptista Lima, presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, no seguimento de longa conversa com Raul Xavier na Biblioteca da Horta aquando de visita à nossa Cidade...

Estaríamos então em princípios da década 60 do século XX, altura que a agora Cidade Património Mundial era, e é, tida como a Capital da Cultura Açórica.

E o ilustrado picoense, nas Lajes nascido em 15 de Setembro de 1909 (fazia agora 104 anos) mas nas Angústias baptizado, encontrava-se como funcionário municipal, destacado na Biblioteca a compilar elementos com vista à actualização dos Anais Faialenses, de Marcelino Lima.

Quanto à sentença atrás referida, tratou-se de judiciosa opinião que até terá causado alguma estranheza, nanja porém, a quem, como eu, conhecia de perto Raul Xavier; terei sido, aliás, o faialense que com ele mais conviveu.

Passei a vê-lo nos primeiros dias de Outubro de 1932 quando, como caloiro, atravessei a corcunda ponte para entrar no Liceu, instalado no Palacete do Barão da Ribeirinha (Castelo Branco).

Era ainda tradição, da sessão solene de abertura de novo ano escolar, os alunos mais velhos usarem também da palavra, embora alguns abusassem, conquanto muito aplaudidos pelos colegas de calças compridas, já que os de curtas, ainda usando, se limitassem às palmas, sem qualquer eco na Reitoria.

Por estas e por outras, incluindo escritos na "Mocidade Académica", as consequências surgiriam, o caso de o Xavier que nem completou o 5º.Ano, nanja por ser pêra doce; começou por perder no exame, depois não conseguiu média, e por fim acabou por desistir...

E nada o fazia perder o bom humor: formou com o António Cunha Correia (Tanger) e Manuel Lucas um trio que muito gozo dava à malta quando se passeava, cá fora ou nos corredores, de capa e batina, bengala e ostentando na cabeça bivaque de soldado, tinto de preto...

Mas já apenas de boina e também de bengala, aliás dois objectos que o acompanharam vida inteira, passámos a ver Raul Xavier na redacção do “Correio da Horta", jornal a que deu prestimosa colaboração durante quatro décadas.

Se bem que terá sido por meados do século findo que passei a ter um contacto quase diário, dando-me até a oportunidade de melhor admirar os dons de Deus recebidos, embora nem sempre apreciados pelos conterrâneos, adentro da máxima evangélica de que na sua terra ninguém é profeta.

Possuía uma cultura geral consequente de perspicaz inteligência, aliada a memória privilegiada, o que pude constatar durante os longos anos em que tive praticamente a responsabilidade do diário da tarde, e com quem muito aprendi.

Tive ocasião de o ver fazer, duma assentada, quinze notas para o "Dia a Dia", já que ia gozar duas semanas de férias na sua Vila baleeira. Recorde-se que se tratava de coluna da última página, nascida com o Jornal.

Recordo também que os noticiários nacionais e internacionais eram feitos à base dos emitidos pela Rádio, o que ele resolvia com uns gatafunhos: a memória auditiva e a pena faziam o resto,..

Todavia, a primeira lição terá começado nas três crónicas sobre excursão faialense às Flores, a bordo do "Cedros", promovida pela Bensaude sob a orientação de João Quaresma.

Mais preocupado com pormenores, terei ido ao ponto de mencionar os minutos nas partidas e chegadas das visitas pela “Ilha encantada" (título da segunda), não escapando a delicada observação.

Talvez por não haver minutos nos tópicos prometidos para crónica relativa a acontecimento comercial em fim de semana na Madalena, por lhe ser impossível deslocar-se à Vila fronteiriça, aproveitou-os na íntegra, com e sem virgulas, só tendo que arranjar titulo, o que nem seria a primeira vez.

Não era muito afeito a tais reportagens, o que não sucedia quando se tratava de festividades religiosas, esclarecendo-me do motivo de sua preocupação: ficarem registadas para a posterioridade.

Como jornalista que se preze, também gostava de levar a dianteira ao matutino, o que não era coisa fácil para um vespertino.

Mas sempre que surgia oportunidade nunca a deixava fugir.

Foi a visita em fim de semana ao Corvo e Flores do Governador Freitas Pimentel, acompanhado de numerosa comitiva.

Como calhasse em manhã de sábado a passagem pela primeira, deixou a reportagem para publicação na 2ª.feira, escrita à base do programa, apenas sujeita a confirmação telefónica.

Tratou-se até duma viagem que fez com interesse, pois os problemas das quatro ilhas do Distrito sempre muito o interessaram, já que era também um apologista da unidade destas ilhas, aliás testemunhada em passagem de um dos seus apreciados “Mirante”: “Os Açorianos, sem detença de lonjura, unem-se em espírito para comemorarem o Augusto Mistério do Natal”.

A propósito, não lhe deixou de causar preocupação saber de desentendimento, desta feita mais acentuado, entre os presidentes dos municípios florentinos.

E, sabendo-os na Horta, bem como o do Corvo, sugeriu na redacção um convite aos ditos para passeio pela Ilha, o que teve bom acolhimento do Director Dr. Raposo de Oliveira e do Administrador Branco Cordeiro.

Aceite com visível agrado pelos ilustres autarcas, Fajã da Praia do Norte foi local de paragem para almoço regional na famosa Cerca, não faltando inhames, linguiça, pão de milho, vinho tinto em canjirão e, ainda para aperitivo, lapinhas acabadas de apanhar.

Estava aberto o caminho para a desejada paz que, mesmo sem cachimbo, foi "fumada" à noite na redacção, em volta de ampla mesa oval.

Não foi, porém, a primeira de outras iniciativas a merecerem aplauso geral.

Entre elas, ficou também para a história do "Correio da Horta", a ida ao Pico no dia em que embarcavam no Cais os insignes Príncipes da Igreja: Cardeal Costa Nunes e D. José Alvernaz, Patriarca das Índias, a quem o Director e Redactores apresentaram cumprimentos.

E como era 2ª.Feira de Espírito Santo, e de impérios, seguimos para as Ribeiras, correspondendo a convite para as tradicionais Sopas, tendo o Dr. Raposo de Oliveira brindado os numerosos convivas com a sua fala fluente e sempre interessadamente ouvida.

Criação Velha, de festa também famosa, surpreendeu-nos por extensa mesa de rosquilhas no alongado adro da Igreja, coberto por frondosas árvores.

Voltando ao Raul Xavier, será de salientar ainda as várias peças jornalísticas que se foram sucedendo, sendo, porém, “Mirante” a que mais me ficou gravada na mente e que já referi mesmo num “Tópico” por nome ligado a esse encantador espaço junto à sua quinta "Salvaterra", sobranceiro à zona norte da Conceição, tendo em primeiro plano, a ribeira, atravessada por três pontes: uma em madeira e estreita, outra em frente à Igreja à custa da destruição de obra d`arte que era a corcunda em alvenaria, a última na continuação da Avenida que será sempre marginal por mais nomes que políticos tentem impingir, e ao fundo, o Canal e o Pico.

A propósito, achamos que deveria ser ali colocada uma Placa em metal com o nome da dita série de escritos de elevado valor literário que bem merecia também compilação em Livro, aliás digno dos melhores escritores faialenses.

Natural pois que seus escritos fossem imbuídos de cunho poético, como autêntico poema era a entrada sul, ornamentada com um sem fim de fragmentos de louças antigas a fazerem um sugestivo friso entre os dois pisos em terra, apenas separados por três ou quatro degraus em pedra.

Na verdade, bela antecâmara para mansão, nem pequena, nem grande, antes a medida do amor dedicado a Dona Celeste e ao seu filho Raul Pedro, e onde livros e jornais transbordavam.

Chegou mesmo a possuir a maior colecção de primeiras edições de jornais açorianos, incluindo naturalmente os publicados no Distrito da Horta, e que se encontram hoje na Biblioteca João José da Graça, o inesquecível introdutor da imprensa no Faial.

Pelo que pudemos constatar, suas mini produções, de cunho poético e humorístico, eram destinadas a uso doméstico, particularmente para amigos, em cujo número me incluía, pelo que não posso deixar de registar a seguinte quadra:

“Passou-se, hoje, no Banco,

Uma letra sem fiador;

Aos quatro anos de vista

Armando Amaral, Vereador."

Porém, sua Coroa de glória, como jornalista, terá sido o facto de ter contribuído a cem por cento para o Prémio atribuído pelo "Rádio Clube de Angra" ao "Correio da Horta" como o periódico açoriano que, em determinado ano, proporcionou o maior número de transcrições à "Voz da Terceira.

Justo foi pois sua escolha para se deslocar à Capital da Cultura Açórica para receber a distinção.

Pudemos mesmo ver, quiçá pela primeira vez, um ar de agrado ao tão famoso como humilde jornalista que foi Raul Xavier, gesto repetido quando o Director lhe ofereceu o artístico Troféu.

* O autor não escreve de acordo com o novo Acordo Ortográfico

 

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13
setembro

ÓSCAR MANUEL VALENTIM DA ROCHA (1966-...) Funcionário público municipal e regional e político

Publicado em José Trigueiro
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Nasceu na freguesia e concelho da ilha do Corvo em 12 de abril de 1966, filho de Óscar Patrício da Rocha e de Maria Natália Valentim da Rocha, ele funcionário dos CTT e ela doméstica. Do lado paterno é neto de Óscar Rocha e bisneto de Pedro Penedo da Rocha, uma família que muito prestigiou a ilha do Corvo durante o século XX, como se pode constatar pelos elementos biográficos constantes deste livro. 

Na escola da sua terra natal concluiu com aproveitamento o 6.º Ano do Ensino Básico, prosseguindo depois os seus estudos na ilha na cidade da Horta. Não obstante ter frequentado o Secundário, acabou, contudo, por desistir sem o ter terminado. Em face das leituras que sempre faz e da experiência de vida que vem fazendo, quer profissional, quer política, têm aumentado a sua instrução e a sua cultura. 

Iniciou a sua carreira profissional como escriturário da Câmara Municipal do Corvo, onde assumiu funções em 22 de novembro de 1984.

Interrompeu o exercício desse cargo para cumprir o Serviço Militar obrigatório em 1987, inicialmente na cidade de Angra do Heroísmo, no BI N.º 17, e depois na cidade de Ponta Delgada, no Comando Militar dos Açores, embora por pouco tempo, visto ter sido requisitado pela Câmara Municipal do Corvo para nela prestar serviços de secretaria, onde a sua falta se fazia sentir.

Em outubro de 1997 passou a desempenhar as funções de Assistente Administrativo da Secretaria Regional da Habitação e Ambiente, sendo colocado no Sector de Manutenção da Ilha do Corvo, serviço este que depende da Delegação das Flores e cuja chefia, de momento, estava e está a seu cargo.   

Entretanto, em 25 de junho de 1998 casou com Teresa Pimentel Mendonça, natural do Corvo, de cujo casamento nasceu o filho Vítor Hugo. 

Nas eleições de 2000 foi eleito deputado regional pelo Círculo Eleitoral do Corvo, integrando as listas do PS - Partido Socialista, à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, para a VII Legislatura, cujo mandato cumpriu até ao  final. Nela, entre outros trabalhos de natureza parlamentar, quer política, quer partidária, fez parte da Comissão de Política Geral, onde desempenhou o cargo de Secretário.

Aí por volta de 1990 aderiu ao PS, pelo que, entre 1997 e 2001, esteve como Vereador da Câmara Municipal do Corvo, por esse partido, já que encabeçara a lista derrotada, à respectiva Presidência. Nas eleições autárquicas seguintes foi eleito membro da Assembleia Municipal do Corvo, cumprindo então um mandato. Neste momento é Vereador da mesma Câmara desde 2005. 

Amigo de colaborar na vida social da ilha, sendo bombeiro da Associação de Bombeiros Voluntários do Corvo desde 1988, onde assumiu em 1994, o respectivo Comando. 

É prestável e amigo de servir as pessoas e, sobretudo, a sua terra natal. Assim, colabora em diversas actividades, designadamente religiosas, mantendo, nesses aspectos, os pergaminhos históricos dos seus antepassados, designadamente do seu bisavô. Por isso, orgulha-se da valorização, que, empenhadamente, possa servir para enriquecer o torrão natal que o viu nascer. 


 

*** Bibl: “Biografias dos Deputados da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, 1976-2007”, (2007), p. 388, edição própria, Açores 2007; e elementos curriculares fornecidos pelo próprio pelo telefone em 26-9-2009. 

 

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