O deputado Paulo Mendes, no âmbito de uma interpelação ao Governo Regional sobre o setor da Carne, afirmou que o acordo comercial entre a UE e o Canadá, o CETA, que teve o apoio do PS, PSD e CDS, funciona em dois sentidos, podendo ter consequências graves para setor da carne, nos Açores. Para o parlamentar do BE/A, este acordo abre a porta à entrada de carne mais barata e com menor qualidade, lembrando que o Canadá é o 6.º maior exportador mundial de carne em carcaça, e que não tem as mesmas exigências em termos de segurança alimentar existentes nas UE.
Paulo Mendes recordou também o caráter secreto do processo de negociação do CETA e de outros acordos comerciais como o TTIP. “Estes acordos foram negociados em segredo, o que já indiciava que prejudicam os pequenos produtores em benifício das multinacionais, o CETA serve para beneficiar os grandes países, como a Alemanha, servindo para escoar a sua produção tecnológica para o Canadá”, afirmou o deputado do BE/A.
O deputado do Bloco de Esquerda/Açoresafirmou a importância da valorização dos produtos açorianos pela qualidade e a sua promoção através da marca “Açores”, o que não é compatível com a utilização de rações que, na sua composição, contêm milho OGM (Organismo Geneticamente Modificado), como já foi demonstrado pelo BE/A na Assembleia Regional.
Paulo Mendes denunciou, ainda, as más práticas de maneio do gado e até maus tratos, como animais enterrados em lama ou transportados em camiões sobrelotados, que infelizmente, ainda ocorrem com alguma frequência e que também têm consequências na qualidade da carne, referindo noticias recentes que dão conta de denuncias de agricultores terceirenses relativas ao mau funcionamento do matadouro, na ilha da Terceira, as quais podem ter consequências para valores de pH da carne que põem em causa a sua qualidade.
Bruno Belo desafiou o Governo dos Açores a criar condições para que um agricultor das Flores, da Graciosa, do Pico ou de Santa Maria tenha a oportunidade de produzir carne ao mesmo preço que um produtor das outras ilhas da Região.
O deputado do PSD/Açores eleito pelas Flores falava no Parlamento açoriano, depois do secretário regional da Agricultura, João Ponte, afirmar que os produtores destas quatro ilhas tinham optado por uma estratégia de produção de gado vivo.
“Não se trata de uma opção estratégica, senhor secretário. Trata-se da solução encontrada por falta de alternativa”, afirmou Bruno Belo, que desafiou o executivo a fazer a sua parte em prol das soluções que têm de ser encontradas para valorizar a fileira nestas ilhas.
“O Governo deve permitir que um agricultor das Flores, da Graciosa, do Pico ou de Santa Maria tenha a oportunidade de produzir um 1 Kg de carne ao mesmo preço que um produtor de outras ilhas”, insistiu o deputado social-democrata açoriano.
Segundo Bruno Belo, os investimentos feitos no setor da carne ao longo dos últimos anos, nomeadamente nos matadouros e nas salas de desmancha, "criou expectativas legítimas aos produtores", tanto mais que "estes fizeram a sua parte", melhorando o seu desempenho e especializando-se na produção de carne.
“Mas o Governo regional não conseguiu prever as consequências desse melhoramento e não foi consequente”, acrescentou.
O parlamentar social-democrata referiu como exemplo a incapacidade do executivo socialista na Região de assegurar a estabilidade dos financiamentos através das ajudas comunitárias, como provam as candidaturas que estão hoje a ser feitas de forma condicionada em relação às agroambientais.
“O Governo não conseguiu prever condições de mercado que fossem capazes de atenuar o financiamento das explorações e de garantir as necessidades de financiamento dessas explorações ou ainda de adequar as linhas de transporte às ilhas para permitir um escoamento quer de gado vivo quer abatido”, enumerou.
“A eliminação da ajuda aos animais vivos no Competir+ poderá ter um impacto de 20 a 25 cêntimos por quilograma de carne na ilha das Flores, como refere a Associação Agrícola das Flores, num ofício remetido ao Governo”, lembrou ainda o deputado do PSD/Açores.
Bruno Belo destacou a importância do setor da Agricultura para a economia de cada uma das ilhas e da Região e deixou nota de que “este é seguramente um setor que precisa de alguém que o conheça e não queira fazer só carreira política”.
O Diretor Regional dos Assuntos do Mar afirmou esta semana na Horta, que a Declaração de Hamilton está em sintonia com as políticas do Governo dos Açores para o mar, salientando a "necessidade de proteger a biodiversidade marinha também nas áreas para além da jurisdição nacional”.
Filipe Porteiro falava na abertura da reunião anual da Comissão do Mar dos Sargaços e dos signatários da Declaração de Hamilton, que conta com a presença do Ministro da Educação das Bermudas e de representantes do Reino Unido, EUA, Mónaco, Bahamas, Canadá e Ilhas Caimão.
Na sua intervenção, salientou que a política regional no que respeita à conservação do meio marinho e à promoção de atividades humanas marítimas sustentáveis “começou há algumas décadas”, frisando que se trata de "uma pedra angular para o progresso e desenvolvimento socioeconómico” dos Açores.
Nesse sentido, afirmou que o Governo Regional pretende “harmonizar as iniciativas de 'crescimento azul' com a conservação dos recursos marinhos”, acrescentando que a participação dos Açores na Comissão do Mar dos Sargaços “é importante para a conservação do património comum”.
A Declaração de Hamilton para a Conservação do Mar dos Sargaços foi assinada, em 2014, pelas Bermudas, Reino Unido, Principado do Mónaco, Estados Unidos da América e Região Autónoma dos Açores, tendo sido subscrita mais tarde pelo Canadá e pelas Ilhas Caimão.
O Governo dos Açores propôs à Comissão do Mar dos Sargaços que a reunião de 2017 decorresse na cidade da Horta, no Faial, tendo apoiado toda a sua organização.
Um documento único sobre o homem mais procurado do país durante vinte e oito dias. Em outubro de 2016 Portugal acordava com a notícia de dois homicídios em Aguiar da Beira. O suspeito dos crimes acabaria por fugir e tornar-se-ia, durante vinte e oito dias, o homem mais procurado do país.
Tânia Laranjo foi destacada, inicialmente, para cobrir a notícia dos homicídios. Acabou por ficar durante os dias da fuga, acompanhar a acção das forças policiais, descobrir casos de Justiça em que Pedro Dias esteve envolvido e que, na maioria das vezes, não chegaram à barra dos tribunais. Porquê? Em Arouca ainda se acredita na inocência do deste homem, mas em quem acreditar?
A jornalista vai para além dos dados cronológicos, situa-nos numa vila que viveu dias de medo, descreve-nos cada passo da investigação, revela-nos o estado psicológico dos jornalistas que acompanharam o caso, leva-nos ao local e aos dias do crime e da fuga e deixa-nos com a pergunta: quem é afinal Pedro Dias?
Tânia Laranjo relembra «o primeiro directo nocturno aterrador. A escuridão, a urgência dos directos, o vento gelado da serra, o medo criado pela situação. Apesar de tudo, a adrenalina que surge nestes momentos compensava, de certo modo, o desconforto».
Fique a saber onde se escondeu Pedro Dias; quem o ajudou; como conseguiu sobreviver e o outro lado, o mediático, revelou uma polícia muitas vezes descoordenada.
Tânia Laranjo é redactora principal do Correio da Manhã e da CMTV. Começou a sua carreira no Jornal de Notícias, em 1995, mudando-se, dez anos depois, para a redacção do jornal Público, já com a categoria de grande repórter. Em 2007, transitou para o Correio da Manhã e faz parte da equipa fundadora da CMTV. Como jornalista, sempre se dedicou a trabalhar na área da Justiça e acompanhou os mais mediáticos casos, como a investigação ao desaparecimento de Maddie, o escândalo Casa Pia, o processo Monte Branco, a Operação Furacão e a Operação Marquês.
Numa intervenção na III reunião da Comissão do Mar dos Sargaços que decorre esta semana na cidade da Horta, o eurodeputado Ricardo Serrão Santos, salientou a importância do trabalho daquela organização como percursora na implementação dos critérios dos Açores para as Áreas Biologicamente e Ecologicamente Significantes (EBSA) para a definição da sua área marinha, ainda mais por tratar-se de área em mar aberto, sem fronteiras políticas.
Serrão Santos, que é um dos seis Comissários daquela organização, referiu que foi a partir de 2007, ano em que teve lugar o “Azores CBD Workshop” que foram definidos e criados aqueles critérios científicos que permitiram identificar redes de áreas marinhas protegidas em mar aberto e em habitats de águas profundas. Estes critérios, também conhecidos por critérios dos Açores, foram depois adoptados na COP9.
“A necessidade de enfrentar os impactos da atividade humana na componente marinha do planeta não depende nem se conforma com a tradicional divisão de fronteiras políticas. Estes são tempos para um forte envolvimento na cooperação transregional, transacional e transoceânica”, afirmou Serrão Santos para quem “o grande desafio da Lei do Mar nos tempos que correm é reconhecer a necessidade de um novo instrumento internacional juridicamente vinculativo sobre a conservação e a utilização sustentável da biodiversidade marinha nas Áreas Fora de Jurisdição Nacional". O trabalho que decorre no âmbito da Comissão do Mar dos Sargaços, particularmente dinamizado pelo Governo das Bermudas, mas do qual o Governo dos Açores é signatário, tem paralelos evidentes com a estratégia da RAA no contexto do Parque Marinho de Açores e estão a influenciar uma nova visão de proteção dos Oceanos.