Tribuna das Ilhas

Infinity 8
  • Início
  • Local
  • Triângulo
  • Regional
  • Desporto
  • Cultura
  • Política
  • Opinião
  • Cartoons
Últimas :
Investimento privado no Faial – realidade ou utopia?
Educação - Escola Secundária Manuel de Arriaga ocupa o 496.º lugar do ranking a nível nacional
Eleições - Carla Dâmaso assume a presidência do OMA
Agricultura - Trybio organiza cursos de instalação de pomares e de poda de fruteiras no Faial
BTT – ESMA ATIVA Primeiro encontro de BTT da ESMA junta professores e alunos
“Eco Freguesia, freguesia limpa” - Candidaturas ao programa abertas até 15 de março
Saúde - Hospital da Horta assina protocolo com Câmara Municipal da Madalena para criação de Unidade de Hemodiálise
Efeméride - Azores Trail Run® regista 4000 inscritos em 5 anos
Faial - Governo Regional assina contrato para reabilitar Solar e Ermida de São Lourenço
  • Início
  • Cultura
  • Festival MUMA - Sara Cruz e King John
18
março

Festival MUMA - Sara Cruz e King John

Escrito por  Pedro Afonso
Publicado em Cultura
  • Imprimir
  • E-mail

O expresso do Muma fez a sua segunda viagem no passado sábado, com mais uma passagem pelo Sporting da Horta. Desta vez, em colaboração com o festival Tremor que decorre em São Miguel, os jovens maquinistas foram Sara Cruz e King John (aliás António Alves), dois nomes emergentes na cena musical açoriana que ofereceram aos passageiros um caloroso concerto de duas horas e meia. Uma lufada de ar fresco e uma boa surpresa para os mais desatentos. No final, estiveram à conversa com a Música Vadia.

MV – Foi notório que vocês estavam a ‘curtir’ o espetáculo.
Sara Cruz – Sim, e quando isso acontece é uma bola de neve porque o teu gozo passa para o púbico e o dele para nós. É uma bola de neve de curtição.
King John – Quando és bem recebido e bem tratado, como nós fomos, e quando tens condições para tocar, bom som etc., como nós tivemos, o artista dá 200%. E isso nota-se para fora.

As vossas referências são claramente anglo-saxónicas. Ouve-se o Johny Cash..
King John - Sim, Cash, Jack White, Neil Young. O António Pedro Lopes é que diz que eu gosto de coisas que soam a velho e de facto eu tenho esse lado.
SC – eu gosto de forma geral de (quase) tudo o que seja um músico com uma guitarra acústica e o seu ‘songwriting’. Mas não consigo dizer, imparcialmente, quem me influencia. Mas quem nós ouvimos, mesmo que inconscientemente, influencia-nos. Ouço muito Amy Whinehouse, Matt Corby, John Mayer, Selah Sue.

E na música portuguesa, quem são as vossas referencias?
SC – Para mim a referência é o Rui Veloso. Black Mamba, mais recentemente...
KJ – Eu gostava muito deles, até fazerem um dueto com a Aurea...

Têm espaços para tocar onde se aposte em malta nova a surgir? O que nós vemos é que a malta nova cultiva pouco a música de autor, ao vivo, e prefere ir a sítios onde não tenha de pagar 5 euros. Vocês têm essa dificuldade?
KJ - Tínhamos a Travessa dos Artistas mas fechou. E o Arco 8, que é um oásis...
SC - Temos vários sítios em Ponta Delgada e Ribeira Grande, bares com música ao vivo, onde toco regularmente, mas não diria propriamente apostar. As pessoas preferem ouvir covers. Conheçem as músicas, cantam. Quando estamos a tocar originais as pessoas dão metade da atenção.

MV - Cantarem em inglês também tem a ver com isso?
KJ – Para mim teve a ver sobretudo com as minhas referências. Mas tem também a ver com algo muito importante, o facto de a música ter mensagem, ao contrário do que se pensa. E de haver muito mais pessoas a entender inglês do que português. Portanto se quiseres passar a tua mensagem, isso acontece muito mais facilmente em inglês. Temos artistas portugueses excecionais mas ficam confinados aos países que falam português, e isso de certa forma limita-lhes os horizontes.

Sara, dizias no concerto que ‘agora vou cantar uma em português se não dão-me na cabeça’...
SC – Foi uma brincadeira, mas acaba por ter algo de verdade. Escrevo também em português porque é importante e porque os temas surgiram naturamente. Mas a quantidade de pessoas que me dizem que tenho de cantar em português porque é a minha língua...enfim, é um bom argumento mas...

E é pessoal mais velho ou da vossa geração?
S – É pessoal mais velho.

Então há mesmo um choque geracional?
SC – Estamos a viver a globalização. É quase como se fôssemos todos o mesmo povo, todos falamos inglês, todos temos acesso à mesmo tecnologia. O inglês domina o mundo agora, mais do que nunca...e não há melhor forma de passarmos a nossa mensagem do que faze-lo na língua universal.

Claro, até os refugiados Sírios falam, muitos deles, inglês. A propósito, KJ, tu falavas ao introduzir um dos teus temas, na importância da mensagem que é transmitida através das gerações. Portugal está numa fase de mudança mas também numa fase algo complicada quanto ao diálogo entre gerações. Isso reflete-se também na forma como as gerações mais novas veêm a política? Ou como não a vêem?
KJ - Para mim a política é bastante interessante (até porque tirei a licenciatura em Estudos Europeus e Política Internacional) no que ela representa para o povo, e não tanto no exercício da política atual em si. O povo está divorciado da política porque não está a haver uma renovação suficientemente rápida na política e nos nossos políticos, e isso transforma a nossa política numa política envelhecida. Alguns partidos até o estão a fazer (ex. BE) mas isso ainda não é reconhecido pelas pessoas mais velhas, que de facto ainda contam mais nas votações. Falo por experiência própria, tenho familiares transmontanos e, ainda há pouco tempo em conversa com amigos mais velhos do meu avô, percebi que desacompanharam todo este processo mais recente de renovação.

E já tocaste em Trás-os-montes?
KJ - Só acordeão, umas desgarradas mais o meu avô. Faz parte da tal passagem de gerações. Aliás, o nome KJ é uma homenagem ao meu avô paterno.

Vocês conseguem viver da musica?
SC – Eu estou a estudar. Felizmente não dependo da música. Numa ilha é mais complicado, porque o espaço está tomado.
KJ – Atualmente sim, antes fiz também outras coisas que me permitiram agora ter um fundo de maneio. Não estou a encarar a música pelo aspeto financeiro, mas como algo que me possa proporcionar outro estilo de vida. Já sabia que ia ser difícil, mas não estou preocupado com isso.

E as ilhas, dão-vos oportunidades suficientes para fazerem a vossa a música ou há muitas dificuldades?
KJ - Nós temos de criar as nossas próprias oportunidades, mais do que enfrentar dificuldades. É verdade que temos alguma limitação por estarmos longe do continente. Mas a América também está aqui perto.
SC- a maior parte das pessoas parece que se resumem a Portugal, mas não há mal nenhum em querer passar a mensagem para fora. Mas não estamos obcecados em fazê-lo. Já fomos ao continente, a Londres...
KJ – Londres é um bom exemplo. Quando as oportunidades aparecem é preciso estar preparado para não ficar fechado num mesmo caminho, mesmo que isso implique tocar em baterias com pratos rachados. Falo por mim, já dei 500 voltas para aqui chegar. Não quero ter uma casa com vedação e 2,1 filhos...

 

Lido 619 vezes
Classifique este item
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
(0 votos)
Tweet
Etiquetas
  • Local
  • geral
  • musica
  • Festival
Login para post comentários
voltar ao topo
  • Perdeu a senha?
  • Esqueceu-se do nome de utilizador?
  • Registe-se!
  • Contatos
  • Pesquisa
  • Assinatura
Copyright © Tribuna das Ilhas 2026 All rights reserved. Custom Design by Youjoomla.com
Cultura