Foi lançado na Horta esta semana o livro (Re)Pensar as pessoas idosas no século XXI, de Teresa Medeiros.
A cerimónia decorreu no Auditório da Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça e foi organizado pela Cáritas da Ilha do Faial.
De acordo com a autora da obra “o fenómeno do envelhecimento constitui-se como um grande desafio do século XXI, que requer abordagens multidisciplinares, e em rede, na procura de soluções para a participação, a inclusão, a segurança e o bem-estar das pessoas idosas, com vista à promoção do envelhecimento ativo”.
O livro (Re)pensar as pessoas idosas no século XXI é resultado deste estudo feito por Teresa Medeiros que contou com uma amostra de 320 participantes, dos quais 200 mulheres e 120 homens, com mais de 60 anos, residentes nas ilhas de São Miguel, Santa Maria, Terceira e Flores.
A obra, formada por 17 capítulos, tem 328 páginas, organizadas em quatro seções, “um testemunho vivo sobre o ser idoso”, referiu Teresa Medeiros. “O livro apresenta vários testemunhos de pessoas idosas e de técnicos da área da saúde. É um livro de sentimentos e emoções e tem a colaboração de muitos investigadores”, sublinhou Teresa Medeiros, indicando que a obra integra estudos de Espanha, Brasil, Argentina e Portugal”.
"Avaliámos a percepção da satisfação com a reforma na vida pessoal e verificámos que 50,7% das pessoas estão satisfeitas ou mesmo muito satisfeitas (33,1%). As fontes de suporte e apoio afectivo na situação actual são a família e ou os amigos", explicou a psicóloga, indicando, no entanto, que "os índices de satisfação diminuem quando se fala na saúde e com a situação económica". Segundo a docente, "as pessoas estão mais ou menos sinalizadas e têm apoios governamentais e familiares", destacando-se ainda "a vivência da religião", afirmou aos presentes.
Teresa Medeiros considerou primordial "investir na prevenção e nas atividades de estimulação e de bem-estar que proporcionem uma actividade cerebral intensa para reduzir ou minorar o envelhecimento com demência", exemplificando com o programa de Aprendizagem ao Longo da Vida que criou em 2003 na Universidade dos Açores.
Apesar de destacar a existência de uma boa rede de equipamentos sociais para a terceira idade, a docente defendeu, contudo, que os Açores poderiam evoluir também para um modelo de residências onde os idosos pudessem ter uma vida autónoma, mas apoiada com serviços de saúde e protecção. Para a coordenadora da obra, "o envelhecimento não é mais que um processo de mudanças que se operam ao longo do tempo", salientando que "é possível encontrar maior bem-estar psicológico junto das pessoas que têm actividades de estimulação cognitiva e social". g