Na passagem do primeiro centenário da Euterpe, houve a preocupação de deixar registada em livro a história da banda, perpetuando desta forma o seu percurso, para que esta não caia no esquecimento. Essa tarefa coube a Fernando Faria Ribeiro, que, por força das suas costelas albicastrenses, não hesitou em aceitar o desafio, como confessou ao Tribuna das Ilhas: “para quem nasceu e cresceu naquela freguesia, este itinerário sentimental foi deveras aliciante”, refere, acrescentando que apreciou esta oportunidade de revisitar locais, acontecimentos e pessoas da sua infância, recordando o quanto, em criança, apreciava ver tocar a filarmónica da sua freguesia, principalmente pelo brio das fardas dos tocadores, então de inspiração militar.
O livro Nos 100 Anos da Filarmónica Euterpe foi lançado ontem, dia 10 de Maio, no Centro Paroquial Padre José Correia da Rosa. A apresentação esteve a cargo de Jorge Costa Pereira-
A tarefa de reconstituir a história da Euterpe não foi, no entanto, fácil. Fernando Faria lembra que a sede da filarmónica foi inaugurada apenas em 1972, sendo que até então a banda ensaiava em “casas de ensaio, que eram as copeiras dos impérios, ou a Casa das Almas, junto à Igreja”. Estes 60 anos sem um espaço próprio fizeram com que muitos registos documentais se tivessem perdido. Por isso, Fernando Faria destaca a importância dos testemunhos orais e da pesquisa nos jornais da época para a elaboração desta obra.
Para além da história da Euterpe, o historiador faz neste livro breves abordagens biográficas a personalidades de reconhecida importância na vida da filarmónica, e que a mesma já homenageou. É o caso do antigo ministro das Obras Públicas e Comunicações, Rui Sanches, e do governador Freitas Pimentel, que tiveram importância no processo de construção da sede da filarmónica. Também os 17 maestros que já passaram pela Euterpe marcam presença nesta obra.
Fernando Faria decidiu complementar a escassez de informação escrita disponível com uma série de fotografias que foi encontrando e que foram sendo disponibilizadas para este trabalho por pessoas ligadas à Euterpe. O resultado foi um livro visualmente muito rico, que regista não apenas em palavras mas também em imagens a história de banda centenária.
Nessa tarefa, contou, como salienta, com a colaboração de Fernando Silveira, “albicastrense de bastante mérito e um homem generoso e disponível”.
As fotografias têm as mais variadas proveniências, como nos explica o autor do livro: “algumas vieram da Califórnia”. “Falei com um senhor de 92 anos que vive na Califórnia e que tocou na filarmónica, da qual o pai foi fundador, e ele próprio tem netos e bisnetos que tocam na banda filarmónica de São José da Califórnia”, acrescenta.
Fernando Faria não se limita a recordar o percurso da Euterpe de Castelo Branco. Fazendo-se valer da sua veia de historiador, revisita a introdução das filarmónicas nos Açores e na ilha, recordando a primeira Euterpe que existiu no Faial, ainda no século XIX, na cidade da Horta.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 11.05.2012 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário