O Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel (GFEPM) comemora a 23 de Junho o seu 35.º aniversário.
Para comemorar a efeméride programou uma visita à Casa Etnográfica, “a menina dos seus olhos” e um jantar convívio.
Neste momento a funcionar com cerca de 40 elementos, o Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel tem como presidente a jovem Marlene Bettencourt.
Marlene Bettencourt contou-nos que o Grupo ensaia uma vez por semana já na Casa Etnográfica, sendo que agora de Verão, com o grande número de actuações, às vezes se torna difícil.
É, todavia, no inverno que ensaiam novos bailes, desta feita sobre a mestria do ensaiador Fernando Ferreira, bem como novos bailadores.
A presidente da Direcção do GFEPM diz que não é tarefa fácil manter de pé um grupo com 35 anos sobretudo porque “não é fácil mobilizar os jovens para iniciativas como estas uma vez que através da internet têm tudo sem sair de casa. Temos dificuldade em arranjar pessoal novo que queira juntar-se a nós. Entretanto, não podemos esquecer que através das chamarritas conseguimos trazer elementos novos”.
Uma das prioridades do GFEPM está relacionada com a sua Casa Etnográfica. De acordo com Marlene Bettencourt, “ainda não será neste aniversário que inauguraremos a Casa, mas estamos no bom caminho”.
Conforme explicou, o interesse do Grupo em recolher informação e artefactos sobre a forma como viviam os nossos antepassados desencadeou o desejo de ter um espaço onde pudessem mostrar o espólio e mostrar como viviam as pessoas da freguesia no final do século XIX e início do século XX. Surgiu, assim, o sonho de criar a Casa Etnográfica de Pedro Miguel.
O processo iniciou-se há 10 anos, com a aquisição de um imóvel na Estrada Regional para cumprir essa função. Esta Casa Etnográfica terá uma sala de exposições, um quarto de cama à moda antiga e uma cozinha também ao estilo dos nossos antepassados, onde não falta o forno. Fazem também parte do imóvel uma taberna e a “loja”, como chamavam os nossos antepassados ao espaço no rés-do- chão onde se guardavam os animais. Nesse local, temos montada uma atafona. A Casa conta ainda com instalações de apoio, como sanitários, arrecadações e a secretaria do Grupo Folclórico.
Nesta fase, ultimam-se alguns acabamentos no imóvel. Segue-se a selecção e inventariação dos artefactos a expor, a sua montagem e a criação das placas identificativas com as explicações necessárias, bem como de um circuito de visitação.
É intenção do Grupo adquirir o terreno contíguo à Casa Etnográfica “para podermos construir um sítio para albergar uma ferraria de que também dispomos, uma eira e outras referências da vida quotidiana no campo de outrora. Sabemos que não será fácil, numa altura em que os apoios para a cultura são cada vez mais escassos, por força da crise, e estão cada vez mais burocratizados, mas, com força de vontade e empenho de todo o grupo, estamos confiantes de que vamos ser capazes”.
Este ano o Grupo não vai ter nenhum intercâmbio, vai sim ter um passeio à ilha do Corvo.
NO FOLCLORE TAMBÉM HÁ SALDOS
A conjuntura económica actual também afecta os Grupos Folclóricos que, apesar de serem figura quase obrigatória nas festas locais, começam a ver-se “dispensados” de certas ocasiões porque as organizações, pura e simplesmente não têm dinheiro.
Para conseguirem mostrar o seu trabalho e angariar alguns fundos, sobretudo nos impérios, Marlene Bettencourt refere que têm sido obrigados a fazer descontos, caso contrário não há actuações.