A sede do Sporting da Horta foi pequena para ver a banda alentejana Virgem Suta neste último sábado, 7 de Março, que teve início às 23h30, mais coisa menos coisa. A associação Musical Música Vadia, com a co-produção do FAZENDO, está a organizar o Múma – Música em Março – que contou desta feita com a presença de Jorge Benvinda e Nuno Figueiredo, dois músicos bem dispostos e disponíveis para irradiar de energia, alegria e boa música uma sala com a sempre habitual apetência para a festa em noites de fim de semana. Em dia de derrota do Andebol do Sporting local frente à filial de Alvalade e, dada as condições atmosféricas patenteadas, bastou uma bateria e uma guitarra para animar aquele ambiente nocturno. O bilhete do evento teve um preço bastante acessível, apenas cinco euros, que, associado a vários outros ingredientes, foi o suficiente para abrilhantar este concerto marcado pela promessa de bailarico com rasgos de música tradicional efusiva.
Deste modo, a banda escolhida para este segundo concerto pratica um pop escorreito, alegre, típico para animar festas de gente com vontade de passar um serão de cantorias e folguedo. Os Virgem Suta alinharam para este seu primeiro concerto em terras faialenses canções do primeiro álbum homónimo, prosseguindo a continuação da apresentação do segundo disco “Doce Lar”, recusando-se de qualquer modo a levantar ponta do véu do terceiro disco pronto para ser lançado no início de Setembro, ainda sem nome. Abriram as hostilidades com “Bem-vindos!”, cantando logo de seguida o tema “Ressaca”, agarrando de imediato o público com “Não Sou Deste lugar”, sobretudo quando puseram toda a gente a cantar a canção: “Levanto agora os ossos do sofá encovado/É hora de eu me mimar/O mundo anda louco/E o meu lugar não é aqui/Estou longe de o encontrar”. Prosseguiram com a versão de Amália “Dá-me um Beijo” e, recuperaram o ensejo com “Exporto Tristeza”, um delicado tema sobre o desconforto com o país e o mundo em que habitamos mas que continha o risco de baixar o tom: “Contra a pobreza exporto a minha tristeza/Contra a miséria já nem faço cara séria/Se estou com fome canto o fado p'ra esquecer”. Recuperaram o fôlego mais tarde com a música “Linhas Cruzadas”, canção que entrou na banda sonora da telenovela portuguesa “Olhos nos Olhos”, reacendendo novamente a chama do público em comunhão com a banda. Após as divertidas e animadas “Beija-me na Boca” e “Maria Alice”, o auge chegaria com as versões de “Absolutamente”, de Carmen Miranda, “Playback”, de Carlos Paião e ainda “Amiga da Minha Mulher”, do brasileiro Seu Jorge. O concerto terminaria com o regresso ao palco para os encores de “Se Deus Quiser”, “Mula da Agonia”, sendo o palco invadido e composto de “mulheres bonitas” para cantar em conjunto “Tomo Conta Desta Casa”.
Porventura, para repousar de tanto folguedo, anunciando assim que a festa já ia bem lançada após uma hora e meia de músicas com refrões simples e directos, tal como se quer quando o objetivo é o divertimento e a partilha.
Antes do concerto houve ainda tempo para abordar em conversa o processo criativo na construção dos temas do grupo bem como abordar a longa travessia até à edição do álbum de estreia, recheado de peripécias e aventuras, bem como a grande viagem que o segundo disco proporcionou e consolidação de uma carreira musical com mais de duas décadas a tocar juntos. Jorge Benvinda e Nuno Figueiredo contaram assim: “Quando terminámos a digressão do “Doce Lar”, constatámos que demos concertos em tudo o que era sítio neste país, realizámos mais de cem concertos, inclusive fomos à Hungria, ao Canadá e ao Brasil. Foi aí que que tivemos uma necessidade muito grande de olhar para dentro, daí o contraste e a ironia na escolha do nome para dar ao disco”, afirmaram.
Os músicos referiram que têm dentro de si uma necessidade profunda e latente de falar do quotidiano e da vida que se encontra à sua volta. Orgulhosos pelo seu cante alentejano ser motivo de preservação, estudo e divulgação ficaram com vontade de voltar aos Açores e ao Faial para tocar e divertir-se ainda mais. Aqui sentimo-nos em casa”, concluíram.
Por fim, foi desvendado a origem do nome do grupo que tem uma tradução imediata a indicar equilíbrio, serenidade, sobretudo quem se entrega e facilmente se envolve na transmissão de canções e emotividade pura das canções, fazendo disso vida e expressão da existência.
Foi a tudo isso a que assistimos e por essa razão devemos fazer um brinde. Um brinde a vós!