O ciclista faialense Miguel Nunes particiou num estágio da seleção nacional de Ciclismo de Estrada, que decorreu no final de março, no Centro de Alto Rendimento de Sangalhos, em Anadia. Tribuna das Ilhas esteve à conversa com o jovem atleta sobre esta experiência e sobre a sua dedicação ao ciclismo. Conversámos também com Inácio Russo, delegado da Associação de Ciclismo dos Açores na ilha, que falou sobre as dificuldades e desafios da modalidade na ilha.
Com ar franzino, estilo descontraído e olhar irrequieto, próprio dos miúdos possuidores do tão célebre “bicho carpinteiro”, Miguel Nunes, 16 anos, não engana ninguém: à primeira vista percebemos que é adepto dos desportos radicais, daqueles mais propensos a provocar rasgões na roupa, nódoas negras e aflições nas mães. O cabelo, espetado e rebelde, denuncia-lhe o estilo radical mas também um coração verde: Miguel é leão, como confessa no início da conversa, quando se trocam opiniões sobre futebol para quebrar o gelo. Os desgostos que o clube do coração lhe tem trazido não são, no entanto, a principal razão para preferir, desde pequeno, as rodas à bola. A razão é outra e é genética.
Sobrinho do campeão regional David Morais, Miguel não duvida de que o gosto pelo ciclismo está no ADN: “ver o meu tio estes anos todos em cima da bicicleta virou-me para os desportos radicais. Através dele comecei a fazer BTT e depois ciclismo de estrada e até hoje tem sido assim”, conta.
Quando competiu pela primeira vez Miguel tinha 9 anos. Ficou em terceiro lugar. Desde então nunca mais parou de pedalar. Há alguns anos federou-se e começou a competir integrado em equipas: primeiro pela Junta de Freguesia de Pedro Miguel e mais tarde pela Sportzone, sua equipa atual.
Inicialmente o ciclista competia apenas em BTT. Só depois dos 15 anos começou a fazer ciclismo de estrada. Talvez por isso o BTT seja a sua vertente preferida e é nela que se tem fartado de dar cartas: Em 2011 e em 2012 sagrou-se campeão regional de Cadetes, em São Miguel e na Terceira, respetivamente. Agora, o objetivo é revalidar o título, até porque este ano o Campeonato Regional disputa-se no Faial, em junho, e Miguel quer ganhar em casa: “sempre que penso nesse dia penso em ganhar. Estou a trabalhar muito para estar no máximo das minhas forças. Espero que tudo corra bem, sem quedas e sem furos, e que as minhas pernas estejam a 100%”, diz.
Apesar do BTT ser a sua vertente de eleição, foi no ciclismo de estrada que o atleta teve recentemente uma experiência inesquecível. Miguel foi o ciclista indicado pela Associação de Ciclismo dos Açores (ACA) para integrar um estágio da seleção nacional, que decorreu nas férias da Páscoa, em Anadia.
Ao longo de quatro dias, o faialense correu ao lado dos melhores, experimentou o velódromo local, fez testes médicos... Em suma, fez tudo o que um atleta de seleção faz. “Correu tudo bem, foi uma experiência incrível. Nas provas não fui dos piores nem dos melhores. Foi bom. Gostava muito de voltar; de ir trabalhar com o grupo para competir”, refere, confessando que “adorava ser chamado para representar o país a nível internacional”.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 12.04.2013 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário