“Eu era do Benfica”, disse João Pedro Goulart da Silva com uma certa timidez e como que contra a sua vontade. Depois de uma breve pausa a refletir sobre a parte final da sua resposta, olhou em frente para os pais e para o lado para o irmão mais novo como que a pedir-lhes auxílio, e disparou: “mas agora, se calhar vou ter de ser do Porto, não é?”
Notou-se nas suas palavras que não foi uma decisão fácil, isto porque sempre se identificou com o glorioso Sport Lisboa e Benfica. E, por isso, os encarnados tiveram a primeira oportunidade para inscrever o João Pedro. O Sporting Clube de Portugal e outros clubes também foram contactados, mas este menino de 14 anos e a família acharam a proposta da Dragon Force, escolas de prospecção do Futebol Clube do Porto, “mais convincente”.
Assim sendo, o João Pedro apenas teve tempo para realizar dois jogos com a camisola do Fayal Sport Club antes de partir para Lisboa, onde tem trienado e jogado desde o dia 7 do corrente com a camisola do seu novo emblema.

Se bem que mudar de clube foi difícil, não deixa de ser um problema de menor dimensão em comparação ao ter de deixar os pais e irmão na ilha e ir viver com a tia e a avó em Lisboa. Mas este núcleo familiar sempre o tem ajudado e está decidido a apoiá-lo incondicionalmente neste salto para o patamar dos dragões.
“Vai ser difícil porque vou sozinho para lá e os meus pais vão ficar cá”, disse João Pedro. “Vou sentir muitas saudades de tudo mesmo,” adiantou o miúdo que já vestiu a camisola do Angústias Atlético Clube, Grupo Desportivo do Salão, Fayal Sport Club e da selecção da Associação de Futebol da Horta antes do azul clarinho da Dragon Force.
Agora a mãe, Susana Maria Goulart da Silva, o pai, Pedro Filipe Lemos de Oliveira da Silva, o irmão, Rodrigo Filipe Goulart da Silva, vão poder dormir mais um pouco ao domingo. Pois não vão ter de ir por o João Pedro no Fayal, nem vão ouvir os estrondos da bola a embater contra o muro do pátio da sua casa onde o João Pedro treinava remates pouco depois do rasgar do sol.
Obviamente, que a família continuava a sacrificar a soneca da manhã se o João Pedro pudesse jogar a um nível mais competitivo aqui no Faial. Por saberem que ele gostava de testar o limite das suas capacidades, Susana, e o coordenador-selecionador da Associação de Futebol da Horta, João Rosa, desenvolveram alguns contactos no Continente e dai resultou esta experiência.
“Se não fosse a minha mãe a ligar para eles (Dragon Force), acho que nada disto teria acontecido”, disse João Pedro.
Além da família mais chegada, o defesa central com 1,84 metros, 71 quilos, boa velocidade, recordista do salto em altura (1,67 metros), disse estar muito grato aos amigos, colegas, treinadores e diretores que tem facilitado todo este processo de transição.