A menos de um mês do Natal, o comércio tradicional faialense prepara-se para a época de maior afluência de clientes. Em mais um ano marcado pela crise e pela falta de dinheiro das famílias, Tribuna das Ilhas esteve à conversa com alguns comerciantes locais para saber quais as suas expetativas para o Natal 2013. Conversámos também com o presidente da Mesa Setorial do Comércio da Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH), Desidério Machado.
Com o Natal à porta, Desidério Machado está otimista num melhor desempenho do comércio tradicional faialense nesta quadra, comparativamente ao ano passado: “este Natal poderá ser um pouco melhor que o de 2012, porque as pessoas começaram a perceber que as coisas estão, de facto, difíceis, mas é possível continuar a viver, embora com mais restrições e dificuldades”, entende o responsável pela Mesa Setorial do Comércio da CCIH.
Desidério recorda 2012 como um “ano negro” para o comércio local. À crise junta-se o facto do “mercado no Faial está um pouco saturado com espaços que não pertencem ao comércio tradicional, como as lojas chinesas e as grandes superfícies”. “Isso vem dificultar a vida dos comerciantes que, a trabalhar sozinhos e não inseridos numa grande cadeia, têm mais dificuldades em investir e em responder a esta crise”, explica.
Para ajudar os comerciantes locais, a CCIH tem procurado realizar workshops e reuniões, “no sentido de fazer com que as pessoas se sintam mais apoiadas”. Além disso, volta este ano a montar uma campanha de Natal, que, em simultâneo com o programa de animação da autarquia, pretende aliciar os faialenses a procurar o comércio tradicional para as suas compras, premiando-os, como é habitual, através do sorteio de prémios. Para incentivar os comerciantes a trabalhar para cativar os clientes, a CCIH aposta novamente no concurso de montras, que tem contribuído para, a 8 de dezembro, transformar as ruas da cidade num centro comercial gigante e num ponto de encontro da população.
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Arranca a 1 de dezembro o programa de animação natalícia da autarquia faialense, prolongando-se até 4 de janeiro. Ao todo, serão promovidos 29 eventos num programa onde à Câmara Municipal da Horta (CMH) se juntam vários parceiros, com o objetivo de incentivar os faialenses a comprarem no comércio tradicional e a estarem na baixa citadina nesta quadra natalícia. Em tempo de crise, o programa vai, no entanto, além da vertente económica, pretendendo ser também um pretexto para um Natal mais solidário. A apresentação do “Natal com Tradição” decorreu esta tarde, no Teatro Faialense.
Coube ao presidente da CMH apresentar o programa “Natal com Tradição” para 2014. José Leonardo Silva destacou a importância destas atividades para a dinamização do comércio tradicional, apelando aos faialenses para que transformem a baixa citadina “num grande centro comercial” durante o mês de dezembro.
Nem só de economia vive, no entanto, o Natal. José Leonardo Silva destaca a vertente solidária que a autarquia quer imprimir neste programa, de modo a fazer face à crise atual. As receitas do Festival de Sopas do Mercado, que acontece a 7 de dezembro por iniciativa da Adeliaçor, vão reverter a favor do Centro de Recursos e Apoio à Emergência Social. Além disso, a 7 e a 8 de dezembro a Praça da República recebe a Feira e o Palco das Boas Vontades.
Integrada neste programa está também a Horta Lan Party, que se realiza a 13, 14 e 15 de dezembro, no Teatro Faialense. O evento servirá para estimular a solidariedade junto dos mais jovens já que, como explicou o presidente da CMH, aqueles que trouxerem um produto para o cabaz solidário não precisarão de pagar a inscrição para participar nos torneios.
O “Natal com Tradição” aposta em força nos mais novos, promovendo novamente a casa do Pai Natal, um espaço de animação infantil no Banco de Portugal e atividades infantis na Biblioteca.
O desporto também marca presença, com a realização do 18.º Grande Prémio de Natal em Atletismo, no dia 11 de dezembro, de um torneio de Natal em Vela Ligeira e de uma regata de Natal em Vela de Cruzeiro, no dia 21.
A 8 de dezembro haverá, como é hábito, o Dia das Montras, com animação de rua e o tradicional concurso de montras.
Está prevista também uma exposição de automóveis clássicos, no Dia das Montras, e a 15 de dezembro haverá o V Encontro de Natal de Automóveis Clássicos do Faial. No dia 22 de dezembro decorre a também já habitual volta à ilha do Pai Natal, um passeio de motas organizado pelos motards da ilha.
Quanto a espetáculos, as alunas do Corpo em Movimento apresentam-se a 7 de dezembro no Teatro Faialense com “Música no Coração”, e a 21 de dezembro o INATEL promove, também no Teatro, um Concerto de Natal, pela Sociedade Filarmónica Unânime Praiense e pela Big Band. A 4 de janeiro o Teatro recebe o Encontro de Ranchos de Natal, como é hábito.
A iluminação de Natal é inaugurada este domingo, 1 de dezembro, dia em que haverá também animação de rua e animação cultural a cargo do Coral de Santa Catarina.
No dia 22 de dezembro será ainda promovida a iniciativa “Natal a Dançar”, no Teatro Faialense.
Na passagem de ano haverá animação no Largo do Infante, com a banda Desbunda, e no dia 1 de janeiro não faltará o primeiro banho do ano, em Porto Pim.
O município não foge à regra no que toca à necessidade de apertar o cinto durante esta quadra natalícia. Segundo José Leonardo Silva, a CMH vai gastar cerca de 15 mil euros no programa de animação de Natal, o que representa um corte de 10% em relação a 2012.
Ainda assim, o presidente da CMH está satisfeito com o programa que foi montado, garantindo que é possível manter o nível dos últimos anos, reduzindo os custos. Para tal, salientou, contribuem as parcerias com que a autarquia conta. Este ano, são 14 os parceiros envolvidos neste programa, com instituições como a Câmara do Comércio e Indústria da Horta, a AFAMA ou o Clube Naval a darem os seus contributos.
Uma das marcas da contenção na comemoração desta quadra no Faial volta a ser, como tem sido hábito, a ausência de fogo de artifício na passagem de ano. Segundo José Leonardo, neste momento de crise não é comportável para o município arcar com uma despesa tão elevada.
Intervir no abastecimento público de água do concelho para sanar as suas fragilidades e melhorar a rede viária municipal são algumas das ações que vereadores e deputados municipais da coligação PSD/CDS/PPM querem ver inscritas no Plano de Atividades da Câmara Municipal da Horta (CMH) para 2014. Ilídia Quadrado e Luís Garcia apresentaram esta tarde, à comunicação social, sete contributos do partido para os documentos orientadores da autarquia no próximo ano. Requalificar o Mercado, criar um Centro Municipal de Explicações, elaborar a Carta Social do concelho e tornar mais justo o tarifário de água para a agricultura são outros objetivos da coligação, que pretende também ver concluído o polivalente de Pedro Miguel e iniciado o processo para a construção do da Feteira.
No que diz respeito ao abastecimento público de água, a coligação quer que a CMH assegure a proteção e a segurança de todos os reservatórios de água e adquira um sistema de tratamento em função do caudal consumido e de controlo da qualidade da água. Substituir as condutas que possam conter amianto e introduzir procedimentos que garantam maior transparência e informação à população sobre a qualidade da água são outros dos objetivos da coligação, que quer ainda ver rentabilizada a água das nascentes, através de um reforço da sua manutenção.
De acordo com Ilídia Quadrado, deputada municipal a quem coube elencar as sugestões da coligação para o Plano e o Orçamento da CMH em 2014, esta é a forma de restaurar a confiança dos consumidores no sistema de abastecimento público de água, depois dos recentes casos de contaminação.
Quanto à rede viária municipal, PSD, CDS e PPM entendem que a CMH deve “definir, em articulação com as juntas de freguesia, um plano de reabilitação a nível ilha”, que pressuponha intervenções “mais completas”, garantindo “a substituição da rede de águas, o adequado escoamento de águas pluviais” e ainda aproveitando para embelezar as estradas “através da reabilitação dos taludes e muros”.
Os deputados municipais e vereadores da coligação querem também uma intervenção global no Mercado Municipal “que o torne mais moderno, adequado e atrativo para comerciantes e consumidores” e defendem a criação de um Centro Municipal de Explicações que funcione de forma descentralizada nas freguesias. Para a implementação deste centro, sugerem parcerias com ATL’s, professores ou até com a Universidade Sénior.
Na vertente social, destaque para a elaboração da Carta Social do concelho, que a coligação considera “fundamental” na atual conjuntura de crise. Esta deve fazer “o diagnóstico da situação social do Faial” e ajudar a definir e operacionalizar a política social municipal, entre outras coisas através da definição do papel de cada interveniente social e do fomento do trabalho em rede entre eles.
O PSD, agora inserido nesta coligação, volta este ano a bater o pé pela conclusão do polivalente de Pedro Miguel e pelo evoluir do processo quanto ao polivalente da Feteira. Além disso, a coligação quer também ver alterado o tarifário de água para a agricultura, de modo a torná-lo mais justo. De acordo com Ilídia Quadrado, existem neste momento dois escalões, um para os consumidores ligados na lagoa artificial, que pagam 0,71 euros por metro cúbico; e outro para os consumidores ligados na rede, que pagam 1,02 euros. A coligação quer que todos os agricultores paguem 0,71 euros por metro cúbico de água.
As medidas agora propostas foram defendidas pela coligação durante a campanha e algumas delas, como o polivalente da Feteira, também constavam do programa eleitoral do atual presidente da CMH, o socialista José Leonardo Silva.
De acordo com o vereador Luís Garcia, a coligação espera que as ideias agora apresentadas sejam acolhidas pela maioria socialista na CMH, a fazer fé “na grande abertura apregoada durante a tomada de posse” pelo atual presidente da autarquia.
Arranca hoje, na Horta, a reunião plenária de novembro da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, onde serão debatidos e aprovados o Plano e o Orçamento do Governo Regional para o ano de 2014.
A proposta apresentada pelo Executivo açoriano prevê um ligeiro aumento do investimento na Região em relação a 2013 – mais cerca de 3 milhões de euros. No entanto, o investimento previsto para o Faial cai 19% por comparação com o ano anterior: dos 656,4 milhões de euros que o Governo vai investir no próximo ano, 54,1 milhões dizem respeito ao Faial. A ilha Azul perde 12,5 milhões em relação a 2013.
Depois da redução no investimento entre 2012 e 2013, o Governo Regional decidiu aumentar ligeiramente em 2014 o valor destinado a investir no arquipélago. Ainda assim, os 656,4 milhões de euros previstos para o próximo ano estão aquém dos 734,4 milhões investidos em 2012.
Quanto ao Faial, passou de terceira para quarta ilha mais contemplada. Com 54,1 milhões de euros previstos, apenas Pico, Terceira e São Miguel têm mais investimento previsto para o próximo ano. Com 54.118.745 euros de investimento previsto – cerca de 3.593 euros por habitante -, o Faial conta em 2014 com menos 12.5 milhões, o que representa uma queda de 19%.
Quanto aos investimentos que o Governo planeia para o Faial em 2014, correspondem na sua maioria a obras em curso ou a projetos que têm figurado nos últimos planos mas que nunca saíram do papel. De facto, uma rápida análise aos níveis de execução orçamental dos últimos Planos regionais mostram que nem 50% do investimento previsto para o Faial chega a ser executado: em 2009 a execução orçamental para o Faial ficou-se pelos 49%, em 2010 pelos 44% e em 2011 pelos 43%.
A continuidade das principais obras actualmente em curso no Faial é o que mais se destaca no Plano em relação à ilha, como a conclusão da primeira fase das obras da Escola Básica Integrada, com uma verba atribuída de 1.547 mil euros, e a revisão dos projetos da segunda fase.
Também a conclusão da empreitada de construção do Corpo C do Hospital da Horta figura no Plano, com um investimento previsto de 2.219 mil euros, assim como o reordenamento do Porto, Marina e Baía da Horta, com uma verba de 3.089 mil euros, da qual apenas 663 mil euros dizem respeito a investimento direto do Governo, destinada à “requalificação urbana da Frente Mar da cidade da Horta”, à “reabilitação e adaptação do edifício de exploração do Porto da Horta”, à “reabilitação e adaptação de infraestruturas e melhoria do sistema de proteção contra incêndios do Porto” e à “aquisição de equipamentos de forma a permitir melhoria da qualidade de serviço e eficiência operacional”.
Ainda no lote de obras que se iniciaram anteriormente e têm continuidade em 2014 está a creche dos Flamengos, com 272 mil euros.
A remodelação e beneficiação do Museu da Horta volta a estar inscrita no Plano. Em 2013 previa-se um investimento de cerca de 50 mil euros nesta rubrica, que volta a aparecer no Plano para 2014, mas com uma verba de 5 mil euros. Também a recuperação das Igrejas do Carmo e São Francisco voltam a marcar presença no documento, com uma verba de 5 mil euros.
O protocolo com a Diocese de Angra, com vista à reconstrução das igrejas destruídas pelo sismo de 1998 volta a figurar no documento orientador da atividade governativa no próximo ano, assim como a recuperação da lancha Espalamaca, que já no ano passado incluía o Plano.
O Executivo prevê canalizar 50 mil euros para intervenções nas estradas regionais da ilha e disponibiliza também uma verba de 208 mil euros para intervenções costeiras nas ilhas do Triângulo. Destaque também para a habitual rubrica de apoio ao desenvolvimento tripolar da Universidade dos Açores, contemplada com 350 mil euros, mais 100 mil euros que em 2013.
Neste Plano aparece pela primeira vez a concretização do Matadouro do Faial, com uma verba inscrita de 210 mil euros, dos quais apenas cerca de 95 mil dizem respeito a um investimento direto do Governo Regional. Outra novidade é a remodelação da creche “O Castelinho”, com 40 mil euros.
Destaque também para a inclusão de uma verba destinada à Escola do Mar, de 100 mil euros, dos quais, no entanto, apenas 15 mil dizem respeito a investimento direto do Executivo.
Se o Plano do Governo Regional para 2014 mantém algumas promessas de outros tempos que nunca foram concretizadas e inclui até outras, que aparecem este ano pela primeira vez, também é verdade que, no que diz respeito ao Faial, deixa cair investimentos que figuravam habitualmente nos documentos orientadores do Executivo e que agora saem de cena, sem nunca terem sido concretizados.
O caso mais preocupante será o da segunda fase da Variante à cidade da Horta, projeto que nos últimos anos tem vindo referenciado no Plano e que em 2014 não teve direito a qualquer menção.
De fora volta a ficar a recuperação das Termas do Varadouro (que figurou no Plano para 2011 tendo depois caído para não mais regressar). Também a ampliação da pista do Aeroporto volta a não ter qualquer referência no Plano. Recorde-se que em 2010 o Governo tinha previsto 100 mil euros para o projeto, no entanto este investimento nunca se concretizou.
A Pousada da Juventude e o Campo de Golfe do Faial são outros investimentos que têm sido reivindicados para a ilhas mas que há vários anos não são incluídos no Plano Regional.
O estalar da garrafa de champanhe, à primeira, contra o casco do novo navio é bom agouro para as muitas viagens que se espera que o Mestre Simão venha a fazer entre as ilhas do Grupo Central. Coube a Fernanda Ramos, filha de Manuel Alves – o “mestre Simão”, figura de referência do transporte marítimo entre o Faial e o Pico -, ser a madrinha do barco do qual o seu pai é patrono, que foi benzido e apresentado ao público no passado domingo.

Com capacidade para 333 passageiros e oito viaturas, o Mestre Simão deverá começar a operar em 2014, altura em que também já deverá estar nos Açores o Gilberto Mariano, o outro navio para o transporte marítimo no Grupo Central, com capacidade para 287 passageiros e 12 viaturas, que deverá chegar em dezembro.
Os dois navios representam um investimento de 18,5 milhões de euros e vêm substituir os velhinhos cruzeiros, que contam com quase 30 anos de atividade. De acordo com o presidente do Governo Regional, os novos navios são essenciais para a “revolução tranquila” que considera que se está a operar no transporte marítimo regional. Nesta lógica, Vasco Cordeira lembra também os investimentos que têm sido feitos nos portos do Triângulo, zona da região onde a realidade arquipelágica é mais visível, e anunciou para breve o lançamento do processo de construção de mais dois ferries para o transporte de viaturas e pessoas, maiores que estes, que irão servir todo o arquipélago.

O investimento no transporte marítimo, diz o presidente do Executivo Regional, visa “concretizar a criação de um verdadeiro mercado interno açoriano”, até porque o Mar “é a única resposta possível como caminho para o cumprimento desse desígnio”.

Vasco Cordeira destaca a melhoria das condições do transporte de passageiros que os novos navios vêm trazer. A possibilidade de transporte de viaturas, que não existe nos cruzeiros, vai ao encontro do objetivo de “construção de um mercado interno com inegável benefício para a economia” do Triângulo. Além disso, passará a ser possível embarcar ambulâncias, o que permite mais conforto aos doentes que viajam entre o Pico e o Faial. Nos casos em que não seja necessário o transporte de ambulância, o Mestre Simão conta com uma enfermaria devidamente preparada.

