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Susana Garcia

Susana Garcia

29
julho

Padre Francisco Vitorino de VasconcelosNascido na freguesia da Lom (1912-1991) Sacerdote e professor

Publicado em José Trigueiro
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 Nascido na freguesia da Lomba, concelho de Lajes das Flores, a 2 de Julho de 1912, era filho de António Vitorino Vasconcelos e de Maria Tomásia de Vasconcelos, ele agricultor e ela doméstica, sendo descendente de uma família de nobres tradições históricas da ilha das Flores.

 Completou o Ensino Primário na escola da sua freguesia natal e viria a ingressar no Seminário de Angra do Heroísmo em Outubro de 1927, onde foi um aluno brilhante, sobretudo na área das ciências geográfico-naturais.

Em 20 de Junho de 1937 foi ordenado sacerdote na Sé Catedral da Angra do Heroísmo.

Nesse mesmo ano, depois de celebrar a Missa Nova na freguesia da Lomba, foi nomeado Prefeito do Seminário de Angra do Heroísmo, onde passou a leccionar.

Acabaria por ser nomeado vigário cooperador da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Angra do Heroísmo em 1940, cargo que viria a exercer durante alguns anos, acumulando-o com as actividades de professor que tinha no Seminário.

Assim, durante 21 anos, e até 1962, leccionou no Seminário de Angra, tendo sido professor emérito de Físico-Químicas e de Ciências Naturais.

Era deste modo um investigador de grande capacidade e conhecimentos, dedicando a essas actividades um dinamismo invulgar que muito contribuiu para o enriquecimento da sua cultura.

 Para desenvolver toda essa actividade, possuía uma excelente biblioteca, bem como um telescópio e outros equipamentos indispensáveis aos seus estudos. Usava esses instrumentos nas suas investigações e na observação periódica dos astros.

            Com esses estudos melhorava os seus conhecimentos e cultura, para assim os transmitir aos alunos e às demais pessoas que com ele conversavam sobre esses temas. Tinha especial predilecção pelo ensino.

            Também desenvolveu importante estudo das actividades fotográficas e de diapositivos, as quais foram realizadas durante vários anos como entretenimento nas suas horas vagas.

Apesar de ter voz monótona na sua forma de expor, preparava muito bem as aulas que dava, dominando com profundidade a matéria que se propunha transmitir. Era também um bom orador, tendo sido, sobretudo quando jovem, muito solicitado para proferir importantes sermões, os quais eram, de igual modo, inteligente e cuidadosamente preparados.

Em Junho de 1962, depois de intensa e utilíssima actividade ligada ao ensino, foi colocado como ouvidor e pároco da Matriz de Santa Cruz das Flores onde, apesar de cansado e doente, assumiu ainda o serviço sacerdotal da paróquia da Caveira e do lugar da Fazenda de Santa Cruz.

            Para além disso, passou a leccionar no Externato da Vila, nomeadamente as disciplinas de Físico-Químicas e Ciências Naturais, tendo-se recusado a exercer as funções de Director, cargo que foi exercido pelo Padre José Alves Trigueiro, certamente devido ao muito trabalho que então tinha a seu cargo. Contudo, fazia parte dos seus órgãos directivos. O Externato havia sido fundado em 1959 sob a orientação da Diocese de Angra, quando era pároco da referida Vila o Padre Maurício de Freitas, natural de Lajes das Flores, que foi o seu primeiro Director. O Externato, que acabou por ser transformado no Ensino Oficial, é hoje a “Escola Padre Maurício António de Freitas”, que ele, quando ali paroquiou, ajudou a manter e a evoluir  para ensino oficial da ilha.

 Durante a sua vida viajou por várias vezes em visitas de estudo e de recreio, praticamente por todos os países da Europa Ocidental, tendo passado por Lourdes e pela Feira Internacional de Bruxelas. Refira-se que, face à sua cultura e ao seu espírito curioso, sempre na ânsia de aumentar os seus conhecimentos, era um grande apreciador de certames dessa natureza.

Visitou também por várias vezes os EUA e o Canadá, países onde tinha familiares e amigos que o receberam com muita consideração e estima. Também aí foi convidado a proferir conferências e sermões.

Mas, para efectuar mais viagens, conhecer novas sociedades e aumentar a sua cultura, realizou, durante algumas das suas férias, viagens como capelão do navio de passageiros “Uige”, da Companhia Colonial de Navegação, tendo então visitado vários países de África, da América do Sul e da América Central, nele prestando os respectivos serviços sacerdotais e proferido conferências e homilias.

Era obstinado, mas inteligente e comunicativo, mostrando-se sempre disposto ou mesmo entusiasmado nos ensinamentos que a sua elevada cultura lhe permitia transmitir. Fazia-o discreta e habilmente, mesmo nas ocasiões em que entendia serem esses ensinamentos úteis ou necessários, sem que tivessem de lhos pedir. Bastava-lhe compreender que o seu interlocutor os desejava receber ou que os desconhecia e que os mesmos lhe poderiam ser úteis. Nós próprios passámos por situações dessa natureza quando, por diversas vezes, desfrutámos da sua amável companhia, pelo que pudemos também testemunhar esse seu gosto pelo ensino.

 Era, por conseguinte, um excelente conversador, conforme o pude constatar em diversas ocasiões.

Envelhecido pela idade e pela doença, em 15 de Agosto de 1987 fixou-se em Angra do Heroísmo, onde passou a residir humildemente em casa de um sobrinho, Rui Reis, que foi sargento do Exército. Aí veio a falecer com 79 anos de idade em 10 de Dezembro de 1991.

Segundo a opinião de Monsenhor Dr. Francisco Caetano Tomás, foi uma injustiça a Diocese de Angra não o ter enviado a Roma licenciar-se, quando ele acabou o seu curso do Seminário, face às sua inteligência e à sua capacidade vocacional para o Ensino.

            Mesmo assim, como Padre viveu, essencialmente, para servir e ensinar, prestando assim relevantes serviços à Igreja Católica, à instrução e à cultura e, designadamente, às populações que com ele conviveram, em face da sua vocação obsessiva para o encino.

__________________

 BIBLIOGRAFIA:

- Jornal “A União” de 11-12-1991.

  - “Jornal do Ocidente” de 10-5-1992.

  “Padres das Flores” (Subsídios Históricos), págs. 75 a 78.

 

 

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23
julho

Governador Dr. José Machado de Serpa

Publicado em Fernando Faria
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Retalhos da nossa história – LXXXI

No Centenário da República Portuguesa (11)

Proclamada a República em 5 de Outubro de 1910 e constituído o Governo Provisório, o novo regime foi telegraficamente comunicado a todo o país, cabendo ao ministro do Interior, Dr. António José de Almeida, escolher as principais autoridades distritais. Nesse histórico dia, assinou ele o decreto que nomeava os 21 governadores civis dos distritos do Continente, Madeira e Açores.

Para chefe do distrito da Horta foi escolhido o Dr. José Machado de Serpa, um picoense nascido na Prainha do Norte em 9 de Março de 1864, filho de José António de Serpa e de Isabel Olinda Leal de Serpa. Ainda criança, veio residir com seus pais e irmãos para a cidade da Horta, cujo Liceu frequentou de 1874 a 1880. Ingressou na Universidade de Coimbra em 1881, onde esteve cinco anos, concluindo a sua formatura, com habilitação para magistrado, em 1886.

Começou a sua carreira oficial como subdelegado no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa, passando de seguida para conservador do registo predial da Ribeira Grande e juiz municipal do julgado de Nordeste, ilha de São Miguel. Em Abril de 1890 regressou definitivamente ao Faial, provido que fora no cargo de Delegado de Procurador Régio na Comarca da Horta. Nesse cargo e no de Juiz de Direito ocupou a sua vida profissional, até que a República o guindou para a ribalta política. Democrata e liberal, havia sido em meados da década de oitenta do século XIX adepto do partido regenerador, chegando a editar e dirigir o semanário político Folha Insulana que teve curta duração. A partir dos anos noventa dessa mesma centúria ter-se-á afastado das lides partidárias, cultivando uma constante independência política e granjeando um vasto prestígio cultural, ético e social que viriam a recomendá-lo para primeiro magistrado do distrito após a instauração da República.

Não se sabe quem indicou o seu nome ao ministro do Interior, mas “alguém em Lisboa, admirador dos seus talentos e do seu carácter, ponderação e bom-senso, acertadamente o indigitou”[1] a António José de Almeida. Não será muito arriscado presumir que essa sugestão possa ter sido feita pelo faialense e histórico republicano Dr. Manuel de Arriaga, grande amigo daquele ministro que generosamente defendera em tribunal quando, em 1890 ele escrevera o libelo contra D. Carlos “Bragança, o último”, ou do ministro da Marinha do dito Governo Provisório, o picoense Amaro Justiniano de Azevedo Gomes.

Como acontecia um pouco por todo o País, o grupo republicano da Horta, existente desde 1885 e que havia editado o semanário O Democrata, distinguia-se pelo seu idealismo e entusiasmo, mas tinha reduzido número de militantes, razão por que não havia nas suas fileiras personalidade que pudesse desempenhar o primeiro cargo político do distrito. Machado Serpa, confrontado com o convite telegráfico do ministro do Interior e intuindo “que o seu temperamento e feitio” se amoldariam “à situação que lhe era criada, além de que lhe desgostaria uma recusa nesse momento histórico que se apresentava a todo o país”[2] aceitou a função. O auto da posse, apesar de sucinto, informa-nos que “aos seis de Outubro do ano de mil novecentos e dez, neste governo civil da Horta, achando-se presente o doutor Urbano Prudêncio da Silva, secretário-geral e o excelentíssimo doutor José Machado de Serpa, nomeado governador civil deste distrito, como consta do telegrama do excelentíssimo Ministro do Interior, com data de hoje, tomou sua excelência posse da administração superior do distrito, a qual lhe foi conferida pelo dito secretário-geral. E para constar se lavrou o presente auto, que vai assinado por sua excelência, por todos os cavalheiros presentes e pelos empregados da secretaria, depois de lido por mim, …”. A posse – no relato do jornal O Telégrafo de 7.10.1910 - foi “extraordinariamente concorrida por indivíduos de todas as classes, não só por simpatia para com o novo sistema de governo implantado em Lisboa, como também por amizade e simpatia para com o sr. dr. José Machado de Serpa, tão bem escolhido para o elevado cargo que vai desempenhar à frente do distrito da Horta”. Diplomata e astuto, Serpa considerou, no discurso que então proferiu, “aderentes ao novo regime todos os presentes àquela reunião, esperando que ninguém lhe criaria dificuldades, e antes tendo a certeza do apoio geral dos seus administrados para levar a cabo uma profícua e progressiva administração local”. Após os festejos que marcaram a posse, Machado Serpa logo cuidou de contactar os autarcas em funções, enquanto escolhia, em estreita ligação com os membros do partido republicano do distrito, os elementos que iria colocar à frente dos destinos dos municípios e das freguesias das ilhas do Faial, Pico, Flores e Corvo.

Assim, e sem esperar por qualquer autorização do poder central, nomeou, no espaço de uma semana, novos administradores para os concelhos do distrito, cujos nomes, profissões e datas dos despachos a seguir se indicam:

- João Pereira Gabriel, proprietário e empregado público, 7 de Outubro, Horta;

- Abílio Augusto Durão, ajudante de farmácia, no mesmo dia 7, Madalena, Pico;

- Joaquim Rocha Bettencourt, aspirante da Fazenda na Horta, dia 8 em comissão de serviço, Lajes do Pico;

 - Manuel Augusto Emílio, professor de ginástica do Liceu da Horta, nomeado no mesmo dia 8 em comissão de serviço, São Roque do Pico;

- Caetano Moniz de Vasconcelos, condutor de Obras Públicas e encarregado dos serviços técnicos da indústria, dia 10 em comissão de serviço, Santa Cruz das Flores;

- Pedro Penedo da Rocha, professor do ensino primário, também dia 10, Corvo;

- Urbano Lino de Freitas, ajudante de farmácia, dia 14, Lajes das Flores.

Em pleno período revolucionário, o governador Machado Serpa, despachou em poucos dias os administradores dos concelhos do distrito e, por sugestão e influência destes, bem como das incipientes secções republicanas locais, as comissões administrativas das Câmaras, os Regedores e as Juntas de Freguesia.

As urgentes e justificadas nomeações dos mencionados administradores de Concelho só seriam ratificadas por decreto de 8 de Novembro assinado pelo ministro do Interior, António José de Almeida, o qual se encontra publicado no Diário do Governo do dia imediato. A explicação para este hiato temporal, entre os despachos do governador e o decreto do ministro, surge-nos num ofício que Serpa dirigiu em 27 de Outubro ao secretário-geral do Ministério do Interior e que aqui se transcreve: “Satisfazendo ao ordenado por V. Ex.ª no seu telegrama de 26 do corrente mês, envio-lhe inclusa a relação dos administradores nomeados para os concelhos deste distrito, com a indicação das datas das respectivas nomeações”. Justifica depois o facto de quatro destes administradores serem funcionários públicos pois, escreve Machado Serpa, “tendo de proceder rapidamente, devendo ser escrupuloso na nomeação das primeiras autoridades republicanas, e não contando o partido republicano ainda neste distrito um pessoal numeroso, no qual pudesse escolher à vontade os meus delegados, tive de lançar mão dos cidadãos que julguei competentes e aptos para estabelecerem e iniciarem nos concelhos o novo regime, embora fossem empregados públicos, considerando nuns a sua qualidade de velhos republicanos, e em todos a honestidade, a elevação de carácter e o estarem limpos da inquinação da antiga política”. A finalizar o ofício o governador esperava que o seu procedimento, “atentas estas circunstâncias e a anormalidade da ocasião”, fosse “superiormente aprovado, e que aqueles funcionários continuassem conservados nas comissões de serviço” para que os requisitara, “enquanto isto se tornar mister para o bem da República”. De todo o modo, “se, porém, isso contrariar quaisquer ideias ou princípios do Governo, tratar-se-á de entrar na normalidade que for estabelecida, à medida que as adesões de bons elementos se vão sucedendo e se possa com segurança ajuizar da sua sinceridade”[3].

Bem acolhida pelo Governo Provisório, a cuidada posição de Machado Serpa revela as dificuldades que o novo regime teve para encontrar dirigentes sérios e competentes, sem se deixar dominar pelos “adesivos” que depressa surgiram, como, aliás, sempre surgem em todos os processos revolucionários.

Com a sua nomeação para governador civil do distrito da Horta, o Dr. José Machado de Serpa, iniciou aos 46 anos de idade, uma carreira política que duraria toda a Primeira República (1910-1926) e que findaria com o triunfo da Revolução de 28 de Maio de 1926.

Esteve à frente dos destinos do distrito apenas seis meses, já que, solicitado pelo Partido Republicano, foi deputado e senador em 1911-1915 e senador nas legislaturas de 1915-1917, 1919-1921, 1922-1925 e 1925-1926.

O decreto da sua exoneração tem a data de 1 de Abril de 1911, foi subscrito pelo ministro António José de Almeida e diz o seguinte: “Hei por bem exonerar, a seu pedido, do cargo de governador civil do distrito da Horta o cidadão José Machado de Serpa que havia sido nomeado por decreto de 5 de Outubro último”. A demissão era indispensável para que Serpa cumprisse uma disposição da lei eleitoral para a Assembleia Nacional Constituinte, que só permitia candidaturas a quem não estivesse ligado ao poder executivo. Aliás, um telegrama do próprio Machado Serpa explica isso mesmo. Dizia ele, na manhã desse dia, ao director geral do ministério do Interior: “Nesta data e pelos motivos que exponho ao exmo. ministro peço minha demissão de governador civil deste distrito e ouso rogar Vexa extrema condescendência de patrocinar meu pedido cujo deferimento importa ser aqui telegraficamente conhecido até terça-feira próxima, para não passar prazo oito dias dentro do qual posso adquirir qualidade elegível”[4]. Exonerado do cargo de governador, Machado Serpa foi escolhido, sem qualquer oposição, conjuntamente com o major Manuel Goulart de Medeiros e com o capitão-tenente Arantes Pedroso Júnior, deputado pelo círculo da Horta à Assembleia Nacional Constituinte, passando a ser, de Agosto de 1911 a Maio de 1926, senador da 1.ª República Portuguesa.

Com o fim desta, Machado Serpa deu por concluída a sua carreira política. Tinha 62 anos quando se retirou para o remanso do seu lar e para o convívio dos amigos, dedicando-se à investigação e à escrita, tornando-se um apreciado colunista dos diários faialenses O Telégrafo e Correio da Horta.

Contava 81 anos quando faleceu, na sua casa da rua Vasco da Gama da cidade da Horta, no dia 17 de Dezembro de 1945.

 

 
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23
julho

Escaravelho: de praga a iguaria (*)

Publicado em Maria Antonieta Avellar Nogueira
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 O escaravelho japonês é um insecto detestável e prejudicial à produção agrícola.

Esta praga terá sido introduzida na Região pelos americanos da Base das Lajes.
Da Terceira rapidamente se alastrou às outras ilhas, onde encontrou um ambiente propício ao seu desenvolvimento
A reprodução deste insecto é galopante, e está incontrolável.

A PRAGA
Mas há quem afirme que o escaravelho não é um problema, e que a melhor forma de o “combater” é com uma “contra-praga”.
Como é uma praga relativamente recente, há que encontrar um predador que passe a incluir na sua dieta alimentar este insecto que tantos males tem causado às produções agro-frutí-florícolas.
As armadilhas iniciais, que tiveram o objectivo de confirmar que a praga existia no Faial,  rapidamente se multiplicaram por jardins e quintais, por hortas e pomares, já com o intuito de combater a sua infestação.
Em 2010, ainda não apareceram!... Porquê?
Porque também há quem pense que é uma questão de “sulfato”. Então, sulfatemo-nos a nós próprios, única forma de nos protegermos deste bichinho que nos cai em cima... no campo, na praia, no mar.

A IGUARIA
Às vezes a solução para os maiores problemas, pragas ou doenças, aparece inesperadamente, designadamente, quando os cientistas descobrem “por acaso” a vacina ou o antídoto  para a cura.
Assim parece acontecer com o combate à praga do Escaravelho Japonês.
Consequência da globalização, e da progressiva adesão aos hábitos alimentares orientais, o escaravelho começa a ser introduzido na nossa gastronomia, havendo já alguns Restaurantes a especializarem-se neste prato, e a promoverem a “Semana do Escaravelho”.
A par das lapas grelhadas e do molho Afonso, dos caracóis e dos tremoços, o escaravelho impõe-se no mercado, das mais diversas maneiras: de aperitivo (frito com sal ou em salmoura), a prato principal (arroz de escaravelho ao grelhado com manteiga e pimenta), terminando numa agradável Aguardente de Escaravelho, que já rivaliza com a tradicional Aguardente de Lagarto.

TÉCNICAS DE PRODUÇÃO
Até aqui, face ao bom desenvolvimento da praga, não havia escassez de produto.
Com o aumento da procura, a oferta começa a escassear, chegando-se já a equacionar apoios à produção intensiva do escaravelho.
Igualmente, com a procura, a refinação do sabor começa a conhecer novos incrementos, que vão deste a produção intensiva de espécies arbóreas, que aumentam o sabor desta iguaria, que, a exemplo do mel, vão das florícolas (hibiscos e canas da Índia) às frutícolas (vinhas e castanheiros) às faias e aos incensos.
Se antigamente o isco/fêmea era suficiente para as contagens administrativas, agora não respondem à procura do consumo, pelo que os produtores biológicos optaram por métodos mais eficazes, que vão desde os bandos de trabalhadores (relembrando a apanha do chá...) que recolhem o escaravelho folha a folha para funis em garrafões plásticos, até à industrialização, importada da apanha da azeitona, em que máquinas sacodem as árvores e arbustos, fazendo cair os escaravelhos para mantas de plástico espalhadas pelo chão, da qual são recolhidos.
De um modo geral, a grande produção é destinada à exportação, quer em congelado, quer em fresco, assumindo neste último caso valores acrescentados significativos, tratados e embalados nas antigas instalações da Cofaco.
Em duas horas de sol, um só trabalhador poderá apanhar até 5 litros, se o campo de arbustos for de boa produção, e se a técnica da apanha estiver bem apurada.
Congelados, valem 10 euros o litro, enquanto que vivos, uma simples embalagem de 250 decilitros chega a ser vendida em lota ao preço de 25 euros.
Mais rentável ainda, será o litro da larva do escaravelho, que poderá atingir os 200 euros, competindo, lado a lado, com o melhor caviar.

PIB
O Verão é sinónimo de mais oportunidades de emprego sazonal, nas pescas, na agricultura, no turismo, nas vindimas, nas praias, etc.
Agora, o escaravelho vem trazer mais uma oportunidade, quer como actividade sazonal, quer como part-time, para estudantes, que assim vêem uma possibilidade de arranjarem mais uns “cobres” para as festas de Verão.
O que até aqui era encarado como um actividade de tempos livres, já é assumida como actividade principal, já com o fisco à perna, obrigando os produtores e apanhadores a registarem-se, e a constituírem-se em Federação Regional.
Confess
o que, apesar de não ser apreciador desta iguaria gourmet, já apanhei alguns litros, e, à conta deles, já cá cantam alguns euros, não declarados... claro!

Agora, já acredito que o escaravelho não é um problema, mas sim uma Nova Oportunidade, assim como as térmitas e as águas vivas.
Os Serviços Oficiais tiveram que se reorganizar rapidamente, passando do combate administrativo à agressividade produtiva, encontrando desta forma uma alternativa ao fim das quotas leiteiras, justificando-se um pacote de incentivos à produção e ao empreendedorismo jovem.
Será uma possível saída para a crise, contribuindo decisivamente para o PIB da Região, motivo pelo qual o Desenvolvimento Agrário defende a sua produção biológica, enquanto o Ambiente se empenha na reflorestação do Monte da Guia com espécies endémicas, tão a gosto do escaravelho, no seu “Berço Natural”.
Aproxima-se um novo ciclo económico para o Faial, reflexo directo de um notável esforço Agro-Ambiental, em parceria com as Câmaras locais.
Saibamos aproveitá-lo, e deixemos de ser sempre Aves Agoirentas, Velhos do Restelo ou... “Arautos da Desgraça”.
Ah, e não se esqueçam.
A próxima passagem de Ano, já será nas “Portas da Ribeira”, com champanhe do Pico e 12 escaravelhos passados.
Bons Desejos!

(*) Artigo de ficção, não recomendável a pessoas sensíveis e/ou “fracas do estômago”

Contributos, para
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23
julho

Lutar pela Verdade

Publicado em Costa Pereira
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 1. Ao ser ouvido pela Comissão de Política Geral da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, o Secretário Regional da Presidência declarou que um dos pressupostos que levavam a que a Estação Radionaval da Horta fosse transferida para S. Miguel era a existência de "estudos de propagação realizados para os Açores que apontam a melhor localização na ilha de S. Miguel deste tipo de infra-estruturas de comunicação".

Face a esta afirmação, no último Plenário da Assembleia, tive a oportunidade de questionar directamente aquele responsável governativo, perguntando-lhe quando haviam sido realizados os estudos a que se referiu, quem havia efectuado esses estudos e se ele os tinha na sua posse.

A resposta que dele obtive foi o silêncio. Não esclareceu uma única daquelas três questões. E a razão do seu silêncio só pode ser uma: ele não conhece estudo nenhum que conclua aquilo que ele disse! Pelo contrário: são públicas as conclusões de um estudo, realizado em 2004, pelos Serviços de Electrotecnia do Instituto Hidrográfico, que conclui que "o Faial, tal como no passado, continua a ter excelentes condições de propagação".

Por isso, aquilo que foi dito por aquele Secretário Regional é uma falsa justificação para deslocalizar a Radionaval da Horta para S. Miguel. Mais uma vez, o Governo Regional não hesita em recorrer à falsidade e à invenção de razões de carácter técnico, para justificar as suas decisões políticas.

2. Em Julho de 2004, a Câmara Municipal da Horta aprovou por unanimidade um "Voto de Protesto" contra as notícias que apontavam para o encerramento da Estação Radionaval da Horta.

Em Agosto de 2004, o Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, a propósito daquele Voto de Protesto, dirigia-se por escrito ao Presidente da Câmara da Horta, comunicando-lhe "a concordância do Governo Regional face ao seu conteúdo".

Portanto, em 2004, o Governo Regional e Carlos César eram contra o encerramento da Radionaval da Horta. Agora, são a favor. O que mudou, entretanto? O que fez Carlos César mudar entretanto de opinião?

Duas circunstâncias, essencialmente. Por um lado, mudou o Governo da República. Enquanto foi o Governo de coligação PSD/CDS-PP a defender este encerramento, Carlos César era absolutamente contra. Agora, que é o Governo do amigo Sócrates a defender esse encerramento, já Carlos César é a favor!

Por outro lado, impuseram-se os interesses de um negócio feito o ano passado entre o Governo Regional e o Ministério da Defesa. Como declarou publicamente o Secretário Regional da Presidência, esse protocolo "garantiu a resolução de algumas pretensões antigas do Governo [regional], designadamente no que diz respeito à transferência de vários imóveis para a Região: Hospital da Boa Nova, Castelinho de Santa Clara e da cedência de uso dos imóveis resultantes da redução de actividade da Estação Radionaval da Horta. O Governo Regional dos Açores, por seu turno, cedeu ao Estado um terreno na Ribeira Seca, concelho da Ribeira Grande, destinado à instalação de infra-estruturas de comunicações navais."

Resulta, pois, claro porque é que Carlos César e o Governo Regional mudaram de opinião acerca da Radionaval da Horta. Resulta claro que, em vez de lutarem para alterar uma opção política da Marinha e do Governo da República, e em vez de defenderem intransigentemente a Estação Radionaval da Horta com esse papel de centro de comunicações navais do Atlântico, Carlos César e o Governo Regional preferiram apoiar os seus correligionários políticos de Lisboa e fazer com eles um negócio de permuta de imóveis e de terrenos. Dessa forma, tornaram-se, censuravelmente, em parceiros e colaboradores activos na transferência da Radionaval da Horta para as novas instalações a construir em S. Miguel.

E ainda há quem no Faial teimosamente não queira ver isto!        

3. A construção do Campo de Golfe do Faial é uma promessa antiga de vários governos regionais. Não cabe agora neste espaço discutir as suas virtualidades, as suas insuficiências ou os seus impactos, pois de todos eles há um pouco. O que é facto é que houve uma decisão política e uma opção por um modelo de investimento, entregando a um privado a sua construção, associada a um investimento imobiliário.

Se tudo tivesse decorrido como o contratualizado, este ano o Campo de Golfe do Faial devia estar a ser inaugurado. Mas a crise bateu-nos à porta e o Grupo SIRAM, em grandes dificuldades económicas, já disse que colocou de lado esse investimento.

Em Novembro passado, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, o Presidente do Governo, Carlos César, referindo-se a este investimento e reconhecendo as dificuldades económicas por que passava a empresa,  afirmou que "já arranjámos [uma solução] e vamos concretizar esse projecto."

Logo nessa data, remetemos ao Governo Regional um requerimento para saber qual era a solução encontrada. Embora esteja obrigado a responder aos requerimentos dos deputados em 60 dias, quase um ano depois ainda não obtivemos resposta.

Por isso, no último Plenário se insistiu no assunto, à espera de uma clarificação.

Desta vez foi o Vice-Presidente do Governo que procurou esclarecer. E o que disse ele? O governo "está a trabalhar uma solução de investimento, numa óptica que não seja a do investimento exclusivamente privado."

Se há um ano Carlos César garantia que já havia uma solução, afinal agora parece que ainda se trabalha "uma solução de investimento", que não se sabe bem qual seja!

4. Tenho aqui repetidamente denunciado esta estratégia do Governo Regional de não olhar a meios para atingir os seus fins, misturando verdade e mentira, recorrendo indiferenciadamente aquela que lhe dá mais jeito e fazendo tábua rasa de muitos dos seus compromissos anteriores.

Aqui ficaram apenas mais dois exemplos.

Sei que pela verdade vale sempre a pena lutar.

E sei que um dia os Faialenses vão acordar para o logro permanente em que este Governo os têm enrolado!

 

 

 

 

 

 

20.07.2010

 

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16
julho

JÚLIO XAVIER SERPA (1909-1990) Carpinteiro, mecânico, electricista e “faz-tudo”

Publicado em José Trigueiro
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Nasceu na freguesia do Lajedo, concelho de Lajes das Flores, em 26 de Novembro de 1909, filho de António Rodrigues Serpa e de Maria Xavier de Mendonça, ele carpinteiro e ela doméstica. Era neto paterno de José Rodrigues Serpa e de Isabel Leonor Serpa e materno de Ana Vitória e de avô incógnito. Foram padrinhos do baptismo Francisco Rodrigues Serpa e Maria Pimentel Coelho, ambos solteiros.

 O pai, que faleceu prematuramente com a idade de 38 anos, ter-lhe-á transmitido o saber, e, sobretudo, o gosto pela arte mecânica e de toda a ciência de improvisação electro-mecânica. Terá, porventura, recebido alguns ensinamentos dos irmãos mais velhos e, nomeadamente, das leituras que terá feito mas, quase tudo o que sabia, não o ficou a dever a ninguém.

Contudo, a sua instrução era pouca, quando muito, limitada ao Ensino Primário. Mas gostava de ler. Foi casado com a professora D. Maria Luísa Serpa, também natural do Lajedo.

Inicialmente trabalhou no Lajedo de carpinteiro, com incursões de marceneiro, fazendo também muita coisa de serralheiro. Assim, fez nesse tempo bastantes móveis e  construiu o altar do Sagrado Coração de Jesus da igreja do Lajedo. Fez também alguns barcos de pesca do tipo dos que se usavam por ali.

Acompanhando a esposa para as localidades onde a mesma ia leccionar, passou por diversas localidades da ilha e, mesmo assim, sempre encontrava formas de realizar com arte a sua profissão de autodidacta extremamente imaginativo.

O casal, depois de deixar o Lajedo, passou pela freguesia da Fazenda, onde ela esteve a leccionar durante os anos de 1944 e de 1945. Aí ele trabalhou de carpinteiro e de reparador de máquinas, sobretudo de costura. Depois fixou residência em Santa Cruz das Flores para onde ela foi leccionar até ao seu prematuro falecimento, o qual ocorreu em 14 de Dezembro de 1951.

Quando apareceram os motores e a electricidade tornou-se um técnico em ambos os sectores. Era considerado na ilha como um artista ou um “engenheiro”.

Aí, como António Caetano de Serpa — empresário com várias embarcações e viaturas — o descobriu, foi um dos seus maiores empregadores já que ele lhe prestava diversos serviços, quer nas oficinas, quer nas embarcações da empresa. Mas outras entidades dessa Vila precisaram também dos seus prestimosos serviços.

 Entretanto, em segundas núpcias casou em 1957, na vila de Santa Cruz das Flores, com Laudalina Lopes Serpa, natural dessa Vila.

Trabalhou também para as Obras Públicas e outras entidades empreendedoras da construção de estradas, evidenciando-se na condução de cilindros mecânicos e nas suas reparações mecânicas. Trabalhou também nas máquinas produtoras de electricidade da Câmara Municipal de Santa Cruz. Realizava esses trabalhos como os melhores engenheiros que por lá apareciam. Chegou a ser chamado para consertar avarias que eles não haviam conseguido.

Tendo trabalhado praticamente toda a sua vida, faleceu aos 80 anos em Santa Cruz das Flores, em 18 de Agosto de 1990, na rua de Santa Catarina, onde vivia com a esposa.

Era simples, prestável, amigo e respeitador de todos os que o conheciam, levando a vida com uma calma impressionante, sempre sem queixumes, críticas ou lamentos como se nota na grande maioria dos seres humanos.

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  Fontes: Elementos fornecidos pelo Monsenhor Dr. Caetano Tomás, arquivados nos meus documentos em 30-11-2008; Elementos recolhidos junto de Serviços Públicos das Flores, telefonicamente, em 28-11-2008; 

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