O escaravelho japonês é um insecto detestável e prejudicial à produção agrícola.
Esta praga terá sido introduzida na Região pelos americanos da Base das Lajes.
Da Terceira rapidamente se alastrou às outras ilhas, onde encontrou um ambiente propício ao seu desenvolvimento
A reprodução deste insecto é galopante, e está incontrolável.
A PRAGA
Mas há quem afirme que o escaravelho não é um problema, e que a melhor forma de o “combater” é com uma “contra-praga”.
Como é uma praga relativamente recente, há que encontrar um predador que passe a incluir na sua dieta alimentar este insecto que tantos males tem causado às produções agro-frutí-florícolas.
As armadilhas iniciais, que tiveram o objectivo de confirmar que a praga existia no Faial, rapidamente se multiplicaram por jardins e quintais, por hortas e pomares, já com o intuito de combater a sua infestação.
Em 2010, ainda não apareceram!... Porquê?
Porque também há quem pense que é uma questão de “sulfato”. Então, sulfatemo-nos a nós próprios, única forma de nos protegermos deste bichinho que nos cai em cima... no campo, na praia, no mar.
A IGUARIA
Às vezes a solução para os maiores problemas, pragas ou doenças, aparece inesperadamente, designadamente, quando os cientistas descobrem “por acaso” a vacina ou o antídoto para a cura.
Assim parece acontecer com o combate à praga do Escaravelho Japonês.
Consequência da globalização, e da progressiva adesão aos hábitos alimentares orientais, o escaravelho começa a ser introduzido na nossa gastronomia, havendo já alguns Restaurantes a especializarem-se neste prato, e a promoverem a “Semana do Escaravelho”.
A par das lapas grelhadas e do molho Afonso, dos caracóis e dos tremoços, o escaravelho impõe-se no mercado, das mais diversas maneiras: de aperitivo (frito com sal ou em salmoura), a prato principal (arroz de escaravelho ao grelhado com manteiga e pimenta), terminando numa agradável Aguardente de Escaravelho, que já rivaliza com a tradicional Aguardente de Lagarto.
TÉCNICAS DE PRODUÇÃO
Até aqui, face ao bom desenvolvimento da praga, não havia escassez de produto.
Com o aumento da procura, a oferta começa a escassear, chegando-se já a equacionar apoios à produção intensiva do escaravelho.
Igualmente, com a procura, a refinação do sabor começa a conhecer novos incrementos, que vão deste a produção intensiva de espécies arbóreas, que aumentam o sabor desta iguaria, que, a exemplo do mel, vão das florícolas (hibiscos e canas da Índia) às frutícolas (vinhas e castanheiros) às faias e aos incensos.
Se antigamente o isco/fêmea era suficiente para as contagens administrativas, agora não respondem à procura do consumo, pelo que os produtores biológicos optaram por métodos mais eficazes, que vão desde os bandos de trabalhadores (relembrando a apanha do chá...) que recolhem o escaravelho folha a folha para funis em garrafões plásticos, até à industrialização, importada da apanha da azeitona, em que máquinas sacodem as árvores e arbustos, fazendo cair os escaravelhos para mantas de plástico espalhadas pelo chão, da qual são recolhidos.
De um modo geral, a grande produção é destinada à exportação, quer em congelado, quer em fresco, assumindo neste último caso valores acrescentados significativos, tratados e embalados nas antigas instalações da Cofaco.
Em duas horas de sol, um só trabalhador poderá apanhar até
Congelados, valem 10 euros o litro, enquanto que vivos, uma simples embalagem de
Mais rentável ainda, será o litro da larva do escaravelho, que poderá atingir os 200 euros, competindo, lado a lado, com o melhor caviar.
PIB
O Verão é sinónimo de mais oportunidades de emprego sazonal, nas pescas, na agricultura, no turismo, nas vindimas, nas praias, etc.
Agora, o escaravelho vem trazer mais uma oportunidade, quer como actividade sazonal, quer como part-time, para estudantes, que assim vêem uma possibilidade de arranjarem mais uns “cobres” para as festas de Verão.
O que até aqui era encarado como um actividade de tempos livres, já é assumida como actividade principal, já com o fisco à perna, obrigando os produtores e apanhadores a registarem-se, e a constituírem-se
Confess
Agora, já acredito que o escaravelho não é um problema, mas sim uma Nova Oportunidade, assim como as térmitas e as águas vivas.
Os Serviços Oficiais tiveram que se reorganizar rapidamente, passando do combate administrativo à agressividade produtiva, encontrando desta forma uma alternativa ao fim das quotas leiteiras, justificando-se um pacote de incentivos à produção e ao empreendedorismo jovem.
Será uma possível saída para a crise, contribuindo decisivamente para o PIB da Região, motivo pelo qual o Desenvolvimento Agrário defende a sua produção biológica, enquanto o Ambiente se empenha na reflorestação do Monte da Guia com espécies endémicas, tão a gosto do escaravelho, no seu “Berço Natural”.
Aproxima-se um novo ciclo económico para o Faial, reflexo directo de um notável esforço Agro-Ambiental, em parceria com as Câmaras locais.
Saibamos aproveitá-lo, e deixemos de ser sempre Aves Agoirentas, Velhos do Restelo ou... “Arautos da Desgraça”.
Ah, e não se esqueçam.
A próxima passagem de Ano, já será nas “Portas da Ribeira”, com champanhe do Pico e 12 escaravelhos passados.
Bons Desejos!
(*) Artigo de ficção, não recomendável a pessoas sensíveis e/ou “fracas do estômago”
Contributos, para
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