Ao analisar-se, em termos globais, o turismo, justifica-se indagar os porquês dos faialenses não investirem em infra-estruturas turísticas, concretamente em hotéis! Paradoxalmente, reúnem algumas condições essenciais, todavia não se revelam suficientes para alavancar este tipo de investimento. Vejamos, os faialenses têm consciência da beleza da sua ilha e dos seus pontos fortes (alguns já referenciados em artigos anteriores), têm amor à sua terra e não lhes falta espírito empreendedor.
Ora, qual a razão dos faialenses não construírem hotéis? O motivo deve-se à imperfeição do mercado de capital, ou seja, à conjuntura económico-política instalada.
Para um investidor local fazer uma unidade hoteleira, esta teria de ser proporcional à sua capacidade de investimento, logo, de pequena dimensão, na medida em que a sua capacidade está relacionada com os capitais que obteve da atividade económica do mercado pequeno de uma ilha; assim, o capital que terá para investir será sempre dentro dessa exígua dimensão.
Pode-se fazer um hotel com 20 quartos, mas isso implica investimentos em áreas produtivas e sociais que podem servir mais quartos, isto é, há uma economia de escala que torna o investimento mais competitivo. Mas, mais quartos implicam mais investimento, que requer capital intensivo, do mesmo modo que serão igualmente intensivas as necessidades dos recursos humanos com formação, o que constitui mais um problema.
A imperfeição do capital está presente também no financiamento, pois para fazer este investimento pesado será necessário recorrer à banca, a qual, analisando o risco e uma recuperação de capital que será, sem dúvida, mais longa do que noutras paragens onde o turismo está mais maduro, facilmente dificultará a operação de financiamento.
Mas outros problemas conjunturais se adicionam; ter apenas uma unidade hoteleira num extremo da Europa, seria ficar à mercê das operadoras, sem falar que os preços dos hotéis no actual tempo de crise comprometem a viabilidade e o período de recuperação do capital.
Ao nível da atratividade, é importante reconhecer que tem havido alguns investimentos de qualidade atrativos, de que é exemplo o Centro Interpretativo, mas falta o golfe, e as limitações do Aeroporto da Horta perduram…
Outro problema que se coloca é o licenciamento. Qualquer unidade hoteleira tem de obedecer a requisitos legais de áreas sociais, de áreas de retaguarda, e possuir um número mínimo de quartos que lhe permita pagar esse investimento, o que implica uma certa volumetria. Ora, o Plano Diretor Municipal e o Plano de Urbanização vigentes são verdadeiramente castradores de qualquer iniciativa de construção de uma unidade hoteleira, porquanto impõem um volume arquitectónico que constitui uma barreira ao investimento.
Em resumo, temos uma política com instrumentos de ordenamento do território e sistemas de incentivos que, na verdade, de pouco servem, pelo menos para que os faialenses invistam em unidades hoteleiras.
Esta mesma política constrangedora aplica-se a outras ilhas com problemas idênticos, só que agravados, de tal modo que o governo, sem fazer este diagnóstico (pois os tutelares da pasta da economia de economistas nada têm), é o próprio a fazer hotéis na Graciosa e nas Flores.
Na prática, a política em vigor é castradora do empreendedorismo hoteleiro de capitais de Faialenses. Mais grave ainda foi o fato de um hotel faialense, pertença da Região, ter sido retirado aos faialenses, quando, mesmo com a tutela de uma grande marca, poderia ser gerido por empresários locais, que ganhariam know-how e depois poderiam expandir-se com negócio próprio. Além disso, seria muito importante que a Estalagem tivesse outras valências, nomeadamente que fosse adaptada a escola de formação hoteleira, ao serviço das ilhas do Triângulo.
Em suma, é necessário mudar políticas e de políticas de incentivos, pois estas não são eficazes para o desenvolvimento de capital empreendedor dos Faialenses no ramo hoteleiro, é preciso que se reconquiste para os Faialenses as unidades hoteleiras da ilha e que se lhes atribua mais funções, nomeadamente na área da formação profissional. Finalmente, urge libertar o Faial deste plano de urbanização, e dotá-lo de outro adaptado à real capacidade dos potenciais investidores e empregadores desta ilha.
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O turismo, para ser bem sucedido em qualquer região, está inevitavelmente ligado ao património, à cultura de um povo e ao seu ambiente.
Quer o património, quer o ambiente são, independentemente da sua propriedade, na sua essência, bens públicos, pelo que a responsabilidade da sua manutenção recai sobre a Região.
Deste modo, quando alguém, público ou privado, investe em ambiente ou recupera património arquitectónico todos beneficiam, e com a particularidade de o investidor poder vir a não ter recompensa pelo seu investimento.
Desde já chegamos a duas conclusões óbvias, que todos beneficiam com o esforço de investimento no património e no ambiente e que, duma forma directa ou indirecta, o sector público deve financiá-lo, na totalidade ou parcialmente.
No panorama regional, são diversas as secretarias governamentais que possuem património, que anualmente conservam e investem e, embora não seja com uma afectação percentual elevada, de alguma forma vão respondendo à imensa tarefa que constitui a manutenção e recuperação do património regional. Na ilha do Faial, destaca-se a recuperação do edifício da actual biblioteca e a reabilitação do complexo junto do Porto Pim.
Os privados e público-privados não têm ficado atrás, a recuperação do Palacete de Santana pela Santa Casa da Misericórdia da Horta, as novas instalações do DOP no antigo Hospital Walter Bensaúde, a reconstrução das igrejas por parte da diocese, são disso bons exemplos, mas denota-se uma dependência de dinheiros públicos para a sua realização, facto que necessita de ser alvo de reflexão. Dos porquês dos privados não investirem, como supostamente “deviam”, na sua ilha, tratarei em artigo futuro.
Mas nem tudo são rosas, a parte pública tem cometido erros, o mais grave é ser corresponsável pela desertificação das baixas urbanas, como acontece na Horta, que tem mais de 100 prédios muito degradados e apoia a habitação em betão novo, sem qualquer característica patrimonial, em terrenos fora do tecido urbano, que tem vindo a desertificar-se.
Concorrem para este facto a emigração, a falta de entendimento em questões de partilhas e heranças, as dificuldades económicas de muitos proprietários, as exigências e aspirações actuais de outros em termos de habitação, a facilidade crédito e a pouca atratividade do centro urbano, pelo que se assiste à preferência das novas gerações por uma habitação moderna nas zonas limítrofes da cidade.
No que toca à componente privada empresarial, o Faial sofreu um rude golpe com a desactivação da fábrica da COFACO, (na qual o governo teve responsabilidades), deixando ao abandono milhares de metros quadrados, numa zona nobre. Quiçá o balanço da recuperação feita nos últimos anos não supera esta perda, se tivermos em conta a área.
Ao nível legislativo, as autarquias têm poderes para actuar em património degradado reabilitando-o. A nossa autarquia é sócia de uma empresa que tem esse objecto social há alguns anos, apenas isso. Adquiriu o edifício do Banco de Portugal, onde eram feitas algumas exposições sem custos para o público que as pretendia ver, agora pagamos todos e temos uma actividade semelhante, assim o impacto arquitectónico foi nulo e resultou em mais uma dívida para a autarquia.
A recuperação do património para a atividade museológica é, sem dúvida, outra área em que a Horta está a apostar, porque tem efetivamente história, mas também porque neste âmbito muito há ainda a fazer.
A Casa Arriaga, o museu dos Dabney, o museu do Porto, o dos cabos submarinos, o da baleação são projectos que, ao concretizarem-se, vêm valorizar o nosso património e dar mais qualidade arquitectónica à nossa cidade, aumentando a oferta à disposição do nosso turista.
Carecem, todavia, de reflexão algumas questões. Se é indiscutível a importância da valorização do nosso património, sobretudo na fase de desenvolvimento embrionário em que nos encontramos neste âmbito, há que não perder de vista a necessidade de criar oportunidades de emprego nas áreas em que os nossos jovens se estão a formar, assim como a premência de incrementar os investimentos reprodutivos na ilha do Faial.
Nasceu em 2 de Janeiro de 1835, no lugar da Ribeira dos Barqueiros, freguesia e concelho de Santa Cruz das Flores.
Emigrou para os Estados Unidos da América, onde chegou a Boston em 1848, tendo, portanto, a tenra idade de 13 anos. Era habitual, nesse tempo, os jovens florentinos emigrarem com idades semelhantes, geralmente apoiados por familiares ou amigos, embora sem ser na companhia dos pais. Aí aprendeu a profissão de barbeiro e certamente terá procurado aprender a língua inglesa, frequentando alguma escola nocturna, como geralmente o faziam os jovens emigrantes desse tempo, aumentando dessa forma a sua instrução, bem como a precária cultura com que saíra das Flores.
Em 1861 muda-se para a Califórnia, pouco tempo depois de casar com Rosa Freitas. Aí entusiasma-se pela corrida ao ouro e dedica-se à exploração desse minério, actividade essa que o ocupa durante os anos que se seguiram, numa época em que ainda era frequente nela se fazerem fortunas rapidamente. Esses árduos e intensos trabalhos, sempre dependentes da sorte de cada um, seriam localizados nas proximidades do Estado de Nevada. Mesmo assim, não deverá ter descurado a sua formação.
Após conseguir reunir considerável capital, decide mudar-se para San Francisco, onde abre um hotel e um restaurante situado na Rua Jackson, os quais são por ele geridos durante cerca de quatro anos. Mais tarde, passa para Hayward onde abre uma barbearia no Hotel Hayward, a primeira no género nessa cidade californiana, que se situa nas proximidades de San Leandro.
Quando em 1876 essa cidade é incorporada e elevada a município, torna-se membro da primeira comissão instaladora camarária, ficando ligado a vários departamentos. Assume, simultaneamente, funções de Juiz de Paz e de Vereador municipal, cargos que desempenha durante vários anos. Em 1892 é então nomeado Juiz de Paz efectivo. Após esse cargo se tornar electivo, demite-se do lugar de Vereador, sendo então oficialmente eleito por um período de oito anos, mantendo-se assim ligado à Câmara Municipal até ao seu falecimento, o qual ocorreu em 7 de Dezembro de 1900.
Mas a acção de José Pimentel não se limitou ao exercício de actividades profissionais e políticas. Distinguiu-se também no exercício de cargos de interesse social, geralmente não remunerados.
Em Agosto de 1880, aderiu à U.P.E.C. - União Portuguesa do Estado da Califórnia - sociedade de interesse social, cultural e recreativo que a comunidade portuguesa fundou
O seu primeiro Presidente foi o picoense António Fonte, natural da Praia do Galeão, freguesia de S. Mateus, concelho da Madalena do Pico, que lhe confiou a organização do 3.º Conselho levado a efeito
A seguir àquele picoense, José Pimentel foi eleito, em 1893, Presidente Supremo da U.P.E.C., tendo nela desenvolvido importantes empreendimentos, salientando-se a organização da Convenção que, em Outubro do ano seguinte, essa associação realizou em Watsonville, sob a sua presidência.
A U.P.E.C., durante a sua presidência, aumentou grandemente os seus associados, nela recebendo cerca de 202 membros e organizando o seu 15.º Conselho.
Os fundos activos da U.P.E.C., quando ele deixou a presidência, atingiam $7,826.81 e a instituição contava com 1.353 membros. Exerceu funções de Director entre 1887 e 1889 e entre 1895 e 1898, tendo sido Mestre de Cerimónias em 1890, e Vice-Presidente durante um período de dois anos, entre 1891 e 1892.
Foi também responsável por uma vasta legislação ou regulamentos implementados nos primórdios da existência daquela Instituição.
Interessa referir que, quando em 1984, estive na California, visitei a U.P.E.C.,
Após o falecimento do florentino José Pimentel, a revista americana “Hayward Review”, de 14 de Dezembro de 1990, dedicou-lhe um editorial intitulado “The life of José Pimentel” — “A Vida de José Pimentel” — onde dele se pode ler o seguinte: “... serviu para demonstrar onde é possível chegar através da determinação e da diplomacia. Nasceu humilde em terras longínquas e veio para o Estados Unidos, em busca de vida melhor. Sem instrução, procurou ultrapassar esta lacuna, tornando-se auto-didacta, aproveitando todo o tempo livre que a profissão de barbeiro em Boston lhe proporcionava para estudar, por forma a conseguir os conhecimentos que tanto desejava possuir. Intrínseco a esse homem, um espírito inquieto, digno daqueles que movem a humanidade para grande feitos. Líder nato, a sua palavra foi lei para muitos. Imbuído do espírito da conquista do Oeste, parte então à conquista do ouro e dirige-se para a Califórnia onde se tornaria parte integrante do Estado”.
José Pimentel era um “Freemason” — isto é, um mação, pertencente à Maçonaria americana — e foi membro da “Odd Fellows”, e da A.O.U.W. da “Alameda Encampment”, de Hayward, organização humanitária (talvez secreta) de grande prestígio que ali então existia.
Nessa instituição deve-se ter relacionado com altas figuras da vida política, económica e social americana, o mesmo acontecendo, certamente, nos diversos cargos políticos que exerceu.
Do seu casamento nasceram sete filhos, com os seguintes nomes: Will, Alfred O., Charles, Louis H., Ada, Edward, e John G. Dassell, que foi figura importante no Estado da Califórnia.
Não sabemos se na ilha das Flores existem ou não parentes deste ilustre florentino que, como acima referimos, nasceu no lugar da Ribeira dos Barqueiros, da vila de Santa Cruz.
BIBLIOGRAFIA: “Portuguese Immigrants - (The Centennial Story of the Portuguese Union of the State of Califórnia)”, pág. 157, de Carlos Almeida; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Florentinos que se Distinguiram”, 2004, p.
Nos últimos artigos dedicados ao turismo, centrei a minha atenção sobre os transportes. Outra componente fundamental deste sector económico estratégico é a promoção.
A Região tem forçosamente que se promover lá fora, apostando fortemente, com custos por cama superiores a outras regiões que estão já mais desenvolvidas e são mais competitivas no mundo do turismo.
Esta obrigação tem várias justificações. Primeiro, quando a Região se promove turisticamente, leva consigo, em teoria, todos os operadores privados, beneficiando-os a todos; em segundo lugar, se os privados se coordenarem para se promoverem, será sempre um sector turístico e nunca o global, e os operadores que não se associarem podem inclusivamente ficar de fora. Em terceiro lugar, deve caber à Região conceber a mensagem a passar a nível global, para bem posicionar os Açores nos mercados turísticos, garantindo assim a eficácia pretendida.
Esta eficácia será o retorno que os operadores, todos, obterão, e que será, obviamente, superior ao esforço que eles mesmos, em organização ou isolados, conseguiriam obter, para além do valor turístico e social que a Região ganha com esta promoção.
Contudo, esta promoção regional não deve servir de desculpas para os operadores não investirem em promoção, devem estes, duma forma sábia, potencializar esta facilidade e fazer as suas acções de marketing, se possível coordenadas com as regionais, obtendo assim mais ganho evidente.
Entretanto, também os privados constituíram associações regionais e sectoriais para promover os seus produtos, facultando às empresas ferramentas de promoção que isoladamente não obtinham, para além de incentivarem o desenvolvimento de um conceito muito importante numa região pequena como a nossa, co-petição, em vez de competição. As empresas têm de perceber que devem cooperar entre si, e não competir, em atitudes que só perdem valor.
Outro aspecto importante da promoção em associações são as sinergias que são disponibilizadas, que permitem perceber a cadeia de valor e construir produtos competitivos. É o que acontece quando se sentam à mesma mesa hoteleiros e similares, transportadores, agências de viagens, marítimo-turísticas, entre outros.
Ora, no actual estado de desenvolvimento do turismo dos Açores, onde já dispomos de unidades de hotelaria, de transportes aéreos e de associações de promoção, deve-se colocar a questão de qual é o papel e o peso do Faial neste contexto. Estamos, infelizmente, muitos furos abaixo!
Ao nível da associação de turismo dos Açores, as quotas são muito altas para os empresários faialenses poderem ser associados em grande número e serem beneficiados com as inúmeras acções que esta associação promove, quer ao nível nacional, quer ao nível internacional. Há, pois, que baixar as jóias e os valores das quotas, se não, não chegamos lá, nem como associados, muito menos ao nível da direcção.
Ao nível da associação regional de turismo, que tem feito um trabalho louvável de organização do sector de animação turística, que em muito tem dado valor às nossas empresas, continua com o poder centrado na ilha Terceira, não se conseguindo ter poder para desenvolver o produto Triângulo.
Com o objectivo de colmatar esta lacuna, foi criada uma associação de promoção da marca Triângulo, todavia os empresários faialenses ainda não colheram qualquer fruto das sementes lançadas por esta associação.
Apesar da Direcção Regional de Turismo estar sedeada na Horta, o seu director exerce mais – e muito bem – a sua actividade fora de portas, num esforço hercúleo de nos promover. Esse vazio poderia ser compensado com um delegado de ilha de turismo, que - pasme-se! – não existe e muita falta faz para coordenar e potencializar determinadas oportunidades.
A associação de municípios das ilhas do Triângulo parece padecer da mesma virose de ausência de iniciativa e de intervenção para a qual foi criada. Quanto ao nosso município, o desnorte é grande, não possui estratégia definida, encomenda estudos a terceiros que depois não segue, faltando assim orientação e inovação.
Em resumo, até na promoção turística o Faial precisa de se encontrar, precisa de agentes, de pessoas que, dentro destas organizações, quer governamentais, quer associativas, públicas e privadas, tenham o Faial como ilha fundamental para o turismo dos Açores e o defendam com eficiência, para sairmos deste colete-de-forças.
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Sabe-se que esse lugar da Costa, constituído por um extenso vale de terras de pão ou de lavradio e por várias casas, no século XIX era em grande parte propriedade do 1.º Barão da Costa, Manuel Pedro Furtado de Almeida, e que depois recebeu o título de Visconde do Vale da Costa, o qual casara em 28 de Abril de 1864 com Jessie Mackay, que seria filha do Dr. James Mackay (1790-1874) (6). O Dr. James Mackey, que era escocês foi o primeiro médico das Flores. Nasceu na Escócia em 1790, formou-se na Universidade de Edimburgo e serviu como tenente no Exército Britânico que, em 1815, venceu e prendeu o Imperador Napoleão Bonaparte na Batalha de Waterloo. Assim, foi encarregado de acompanhá-lo à sua prisão na Ilha de Santa Helena, no Sul do Atlântico. Quando regressava a Inglaterra parou nas Flores e ficou tão encantado com a ilha e com as suas gentes que, anos depois, em 1828, veio com sua mulher Ana Hart, fixar-se ali, onde foi médico e vice-cônsul britânico, e aonde constituiu família. Ali faleceu, deixou filhos e prédios, e está sepultado com a mulher no cemitério de Santa Cruz, em cuja campa consta uma lápide que sintetiza a sua história e a história de sua mulher. Teve vários filhos e filhas, entre os quais a Jessie casada com o Visconde da Costa atrás mencionado, e James Mackey (filho), importante empresário
Rica em terrenos aráveis, o lugar da Costa chegou a ter excelente produção cerealífera e agora possui muito boas pastagens para o gado bovino. Sobre esses terrenos conta-se que terão sido recuperados a uns charcos que lá existiriam e onde invasores mouros terão sido desbaratados pela população local, por desconhecerem a existência e profundidade desses chaços. Diz-se até que alguns desses mouros poderão ter sido raptados e que por lá terão ficado. Daí a designação dos “marrocos”, dada a descendentes desses povos africanos, cuja constituição física era de baixa estatura, muito divergente da dos demais habitantes da localidade, que seriam essencialmente de origem anglo-saxónica.
O lugar da Costa, que pertence à freguesia do Lajedo, de cuja localidade está dividido por um cerro, também possui a sua Irmandade do Espírito Santo.
Mas, citando novamente o Padre Camões que, como se disse, escreveu entre 1815 e 1822, e acompanhando-o nas suas “Coisas notáveis que há na ilha”, refere ele que “junto ao mar (no lugar da Costa), e ao pé de uma rocha que terá de
Posteriormente, sobretudo depois do 25 de Abril, alguns políticos aventureiros e oportunistas chegaram a fazer promessas, aos habitantes da Costa, de irem estudar o aproveitamento dessas águas, facto que nunca ocorreu, nem eram compromissos feitos com seriedade. De resto, águas semelhantes existem em diversas ilhas do arquipélago que não estão a ser aproveitadas para fins terapêuticos ou medicinais, apesar de serem muito mais fáceis de aproveitar e de, nalgumas, já existirem investimentos de vulto nelas realizados. Isto acontece em ilhas muito mais populosas e servidas por melhores transportes do que as Flores.
Julgo que aquelas promessas não passaram mesmo de simples oportunismos políticos para enganar as populações locais. (Fim)
Bibl: Macedo, António Lourenço da Silveira, (1871), “História das Quatro Ilhas que Formam o Distrito da Horta”, 1981, V.1, pp. 273, 183, Angra do Heroísmo, Reimpressão Fac-Similada da Secretaria Regional da Educação e Cultura; Camões, José António de (1815-1822), “Obras – Memória da Ilha das Flores”, 2006, p. 57, Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores; Silveira, João Augusto da, (1848-1849), “Anais do Município das Lajes das Flores”, 1970, edição própria, p. 58 , 73, 75 e 123 (continuado pelo Padre João Augusto da Silveira e anotados por Pedro da Silveira e Jacob Tomaz); Bullar, Joseph e Henry, (1839), “Um Inverno nos Açores e um Verão no Vale das Furnas”, 2001, p. 225, Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada; Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, (2006), “Casais das Flores e do Corvo - extractos dos assentos de casamento 1655-
(6). Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, (2006), “Casais das Flores e do Corvo - extractos dos assentos de casamento 1655-
(7). Camões, José António de (1815-1822), “Obras – Memória da Ilha das Flores”, 2006, p. 57, Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores.
(8). Silveira, João Augusto da, (1848-1849), “Anais do Município das Lajes das Flores”, 1970, edição própria, p. 73 e 123, (continuado pelo Padre João Augusto da Silveira e anotados por Pedro da Silveira e Jacob Tomaz).