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16
julho

TURISMO – Porque os Faialenses não fazem hotéis?

Escrito por  Susana Garcia
Publicado em Parque Natural do Faial
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 Ao analisar-se, em termos globais, o turismo, justifica-se indagar os porquês dos faialenses não investirem em infra-estruturas turísticas, concretamente em hotéis! Paradoxalmente, reúnem algumas condições essenciais, todavia não se revelam suficientes para alavancar este tipo de investimento. Vejamos, os faialenses têm consciência da beleza da sua ilha e dos seus pontos fortes (alguns já referenciados em artigos anteriores), têm amor à sua terra e não lhes falta espírito empreendedor.

Ora, qual a razão dos faialenses não construírem hotéis? O motivo deve-se à imperfeição do mercado de capital, ou seja, à conjuntura económico-política instalada.

Para um investidor local fazer uma unidade hoteleira, esta teria de ser proporcional à sua capacidade de investimento, logo, de pequena dimensão, na medida em que a sua capacidade está relacionada com os capitais que obteve da atividade económica do mercado pequeno de uma ilha; assim, o capital que terá para investir será sempre dentro dessa exígua dimensão.

Pode-se fazer um hotel com 20 quartos, mas isso implica investimentos em áreas produtivas e sociais que podem servir mais quartos, isto é, há uma economia de escala que torna o investimento mais competitivo. Mas, mais quartos implicam mais investimento, que requer capital intensivo, do mesmo modo que serão igualmente intensivas as necessidades dos recursos humanos com formação, o que constitui mais um problema.

A imperfeição do capital está presente também no financiamento, pois para fazer este investimento pesado será necessário recorrer à banca, a qual, analisando o risco e uma recuperação de capital que será, sem dúvida, mais longa do que noutras paragens onde o turismo está mais maduro, facilmente dificultará a operação de financiamento.

Mas outros problemas conjunturais se adicionam; ter apenas uma unidade hoteleira num extremo da Europa, seria ficar à mercê das operadoras, sem falar que os preços dos hotéis no actual tempo de crise comprometem a viabilidade e o período de recuperação do capital.

Ao nível da atratividade, é importante reconhecer que tem havido alguns investimentos de qualidade atrativos, de que é exemplo o Centro Interpretativo, mas falta o golfe, e as limitações do Aeroporto da Horta perduram…

Outro problema que se coloca é o licenciamento. Qualquer unidade hoteleira tem de obedecer a requisitos legais de áreas sociais, de áreas de retaguarda, e possuir um número mínimo de quartos que lhe permita pagar esse investimento, o que implica uma certa volumetria. Ora, o Plano Diretor Municipal e o Plano de Urbanização vigentes são verdadeiramente castradores de qualquer iniciativa de construção de uma unidade hoteleira, porquanto impõem um volume arquitectónico que constitui uma barreira ao investimento.

Em resumo, temos uma política com instrumentos de ordenamento do território e sistemas de incentivos que, na verdade, de pouco servem, pelo menos para que os faialenses invistam em unidades hoteleiras.

Esta mesma política constrangedora aplica-se a outras ilhas com problemas idênticos, só que agravados, de tal modo que o governo, sem fazer este diagnóstico (pois os tutelares da pasta da economia de economistas nada têm), é o próprio a fazer hotéis na Graciosa e nas Flores.

Na prática, a política em vigor é castradora do empreendedorismo hoteleiro de capitais de Faialenses. Mais grave ainda foi o fato de um hotel faialense, pertença da Região, ter sido retirado aos faialenses, quando, mesmo com a tutela de uma grande marca, poderia ser gerido por empresários locais, que ganhariam know-how e depois poderiam expandir-se com negócio próprio. Além disso, seria muito importante que a Estalagem tivesse outras valências, nomeadamente que fosse adaptada a escola de formação hoteleira, ao serviço das ilhas do Triângulo.

Em suma, é necessário mudar políticas e de políticas de incentivos, pois estas não são eficazes para o desenvolvimento de capital empreendedor dos Faialenses no ramo hoteleiro, é preciso que se reconquiste para os Faialenses as unidades hoteleiras da ilha e que se lhes atribua mais funções, nomeadamente na área da formação profissional. Finalmente, urge libertar o Faial deste plano de urbanização, e dotá-lo de outro adaptado à real capacidade dos potenciais investidores e empregadores desta ilha.

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