Sábado, dia 12, o palco do Teatro Faialense recebe, a partir das 21h30, a Companhia do Chapitô, com a peça “Édipo”.
Trata-se de uma reinvenção feita pela Companhia da imortal tragédia grega de Sófocles, que apresenta “a cómica fuga de Édipo ao seu terrível destino”. Este trabalho inspira-se assim ma história do Rei de Tebas que, ao cumprir a profecia em que assassina o pai e casa com a mãe, faz com que a tragédia se abata sobre a sua cidade.
Por oposição ao Édipo de Sófocles, o Chapitô apresenta um Édipo “azarado, desajeitado, escorraçado, assediado, vilipendiado, enxovalhado, aleijado, e mais uma grande quantidade de ‘puns!’, ‘aus!’,‘ais!’, ‘trunges!’ e ‘fsssts!’”. A companhia, única no país pela forma como explora o teatro do ponto de vista físico e da relação com o corpo, dá assim uma visão cómica e moderna da obra de Sófocles.
Com direcção artística de José Carlos Garcia, esta peça é encenada por John Mowat, estando a interpretação a cargo de Jorge Cruz, Marta Cerqueira e Tiago Viegas.
“Édipo” é a mais recente criação da Companhia, tendo estreado em Janeiro passado.
A situação de impasse que se vive na Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH) continua a causar polémica. Recorde-se que, depois de duas reuniões da Assembleia-geral, as eleições nunca se concretizaram, estando agora agendadas para o dia 17 de Maio.
A primeira reunião, a 30 de Março, contou com uma participação massiva de sócios, no entanto não trouxe resultados, uma vez que a actual Direcção não tinha apresentado as contas da instituição. Um mês depois, nova reunião, e nova afluência de sócios (apesar de ligeiramente inferior à da primeira). Desta feita, aprovaram-se as contas da CCIH, no entanto as eleições voltaram a ficar “penduradas”, desta feita por terem sido encontradas anomalias em ambas as listas, lideradas por Ângelo Duarte, actual presidente da instituição, e António Pimentel.
Aberto novo período para apresentação de listas, o acto eleitoral ficou marcado para 17 de Maio. Ficou também decidido que as votações seriam apenas presenciais, ou seja, foi impossibilitado o voto por credencial, com a necessidade dos sócios se apresentarem nas urnas no momento da votação, votação essa que será realizada nas ilhas do Faial, Pico e São Jorge.
No final da tarde de ontem, altura em que, supostamente, terminava o período para apresentação de listas, a lista liderada por António Pimentel convocou uma conferência de imprensa para dizer que “devido às irregularidades, manobras e favorecimentos, cometidos pelo presidente da Mesa da Assembleia geral, todas contraditórias ao estipulado nos estatutos desta Câmara de Comércio”, decidiu “impugnar judicialmente as descabidas decisões”.
A lista de António Pimentel condena a atitude de Victor Silva, actual presidente da Assembleia-geral da CCIH, ao aceitar credenciais e presenças de novos sócios admitidos depois da primeira convocatória para a Assembleia-geral, bem como o facto deste ter deliberado passar a votação a exclusivamente presencial sem ter comunicado à sua lista. António Pimentel entende que anulação do voto por credencial comprova “o manifesto conluio entre os presidentes” dos órgãos sociais da CCIH, já que a sua lista dispunha de 83 credenciais de associados, estando por isso “em maioria absoluta”.
António Pimentel também não se conforma com a anulação da sua lista na última Assembleia-geral. Recorde-se que foi então entendido que um dos associados que assinava pela lista de Pimentel não teria condições para o fazer. No entanto, o candidato diz que, em Fevereiro passado, foi utilizada uma credencial vinda da mesma empresa em nome da direcção cessante sem que a Mesa da Assembleia-geral tenha detectado qualquer anomalia.
Apesar de não haver qualquer indicação de ter dado entrada outra lista até ao fim do período limite para apresentação das mesmas, António Pimentel garante que não tem “qualquer problema” com a apresentação de mais listas. Para o candidato, o importante é que acabe este impasse para que se possa começar a trabalhar para resolver os graves problemas da CCIH, com destaque para os salários em atraso dos funcionários.
Quanto à situação financeira da instituição, António Pimentel refere que, após a análise dos últimos números conhecidos, esta “foi agravada com um aumento do passivo no último triénio para valores que ultrapassam em 345 mil euros o activo, com um resultado líquido de 2011 verdadeiramente desastroso, estando assim numa situação muito delicada”.
A finalizar, Pimentel apelou à presença dos associados na próxima Assembleia-geral, mesmo que seja por vídeo conferencia nas ilhas do Pico e Flores. Garantindo que os seus apoiantes estão mobilizados, o candidato aconselhou a que reunião se realize numa sala maior que o salão da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Faialenses, onde se realizou a última reunião.
Humberto Goulart substitui Ângelo Duarte
De acordo com notícia ontem publicada no diário Incentivo, Ângelo Duarte, actual presidente da CCIH, não vai liderar a lista que se opõe a António Pimentel nestas eleições. Recorde-se que a última lista entregue, anulada pela Mesa da Assembleia-geral, era encabeçada por Ângelo Duarte, no entanto esse lugar foi agora ocupado por Humberto Goulart, a quem coube a função de braço direito do ainda presidente da CCIH durante o seu mandato. O diário faialense avança ainda com o nome de Evaristo Brum, que também inclui a Direcção cessante, como número dois da lista.
Recorde-se que uma das dúvidas levantadas sobre a lista anteriormente liderada por Ângelo Duarte se prendia precisamente com a possibilidade da sua recandidatura, pelo facto de já ter sido presidente da CCIH durante dois mandatos consecutivos.
Entretanto, Humberto Goulart confirmou ao Tribuna das Ilhas a apresentação de uma lista por si liderada, onde, além de Evaristo Brum, marcam presença Carlos Morais, da empresa Aerohorta, Eva Claúdia, empresária do Pico, e Dário Silva, da empresa Foto Cine Filme.
Quem o diz é Ana Margarida Cavaleiro, psicóloga da Associação Alzheimer Portugal, que esteve no Faial na passada sexta-feira para a última tertúlia da Unisénior do presente ano escolar, desta feita subordinada ao tema “Doença de Alzheimer – Sintomatologia e Intervenção”, que decorreu no auditório da Biblioteca Pública. Antes da tertúlia, que decorreu na Biblioteca Pública da Horta, Ana Margarida esteve à conversa com o Tribuna das Ilhas sobre a importância de se desmistificarem alguns mitos relacionados com a demência associada a esta doença.
Como pode ler-se no sítio da Internet da Associação Alzheimer Portugal, “a Doença de Alzheimer é um tipo de demência que provoca uma deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas (memória, atenção, concentração, linguagem, pensamento, entre outras). Esta deterioração tem como consequências alterações no comportamento, na personalidade e na capacidade funcional da pessoa, dificultando a realização das suas actividades de vida diária”. Ora, uma maior dificuldade nas actividades do dia-a-dia não é sinónimo, como refere Ana Margarida, da impossibilidade do doente com demência as realizar: “é preciso reduzir o estigma; a ideia pré-concebida que muitas pessoas têm de que ter demência é um rótulo que indica que acabou a vida”, explica.
A psicóloga garante que “devemos continuar a investir nas pessoas com demência, para estimulá-las, porque elas ainda conseguem fazer muita coisa”. Ir ao cinema, sair para jantar e fazer uma série de outras coisas é algo que a demência enquanto patologia não deve impedir.
Aos participantes nesta tertúlia, Ana Margarida veio dizer que “não devemos desistir da pessoa com demência”, e desmistificar a ideia que existe de que estes pacientes deixam de perceber as coisas que os rodeiam: “a pessoa com demência percebe o que se passa à sua volta, apenas existem momentos em que não tem tanta lucidez”, explica. Para a psicóloga, o facto das pessoas que estão à volta do doente não terem noção disso faz com que, por vezes e ainda que de forma involuntária, firam a sua dignidade. Nestas situações é normal que o paciente agrida essas pessoas. Ana garante que isso não significa que o paciente é agressivo, mas sim que se sentiu ofendido com alguma atitude e, uma vez que não tem já a capacidade de auto-censura, que lhe permitiria conter-se, partiu para a agressão. “A pessoa com demência tem os mesmos direitos que nós, de não ser humilhada, de ser respeitada…”, lembra.
A psicóloga alerta para o facto de nem toda a demência remeter para o Alzheimer. “A Doença de Alzheimer surge normalmente em pessoas a partir dos 65 anos, e com a idade vai aumentando a probabilidade de a desenvolvermos. Há, no entanto, outros tipos de demência, que surgem em faixas etárias mais jovens, como a demência de corpos de Lewy ou a demência frontotemporal”, explica.
Segundo Ana Margarida, há alguns sinais a que as pessoas devem estar atentas no que à demência diz respeito. Esquecermo-nos de onde guardamos as coisas não é grave, segundo diz, se formos capazes de ter o pensamento retrospectivo de reconstituir os nossos passos para nos lembrarmos de onde as colocámos. “As perdas de memória, não conseguir dizer palavras que estava habituada a dizer, não conseguir nomear os objectos, tudo isto são sinais que, ao tornarem-se recorrentes, devem levar-nos a procurar um diagnóstico”, refere.
A psicóloga garante que “a pessoa com demência é a primeira a aperceber-se de que algo não está bem, até porque começa a disfarçar”. “Por exemplo, quando não consegue nomear os objectos, substitui o nome por um sinónimo. Em vez de dizer telemóvel diz telefone. Se se esquece do recado que ouviu diz que estava a fazer outra coisa ao mesmo tempo e não tomou atenção”, exemplifica.
Quando o diagnóstico confirma a demência, a psicóloga garante que “é preciso fazer medicação”, mas, para além disso, há que dar atenção à “estimulação cognitiva” como forma de travar evolução da demência e prolongar a qualidade de vida. “Esta pode ser feita com um psicólogo ou um terapeuta ocupacional mas também nas actividades do dia-a-dia. É preciso é que a pessoa não deixe de fazer as coisas. Até as coisas mais simples, como dobrar panos, ajudam. Tudo o que meta os neurónios a funcionar é útil e estimulante”, refere.
O deputado do PCP na Assembleia da República Bernardino Soares esteve hoje no Faial, onde participou num debate sobre a actual situação socioeconómica do país, que decorreu na sede do partido, na cidade da Horta, e onde também marcou presença Aníbal Pires, deputado do PCP na Assembleia Regional.
A anteceder a troca de ideias com os militantes e simpatizantes do PCP que marcaram presença neste debate, Bernardino Soares chamou a atenção para as consequências do acordo assinado por PS, PSD e CDS-PP com a Troika, destacando o aumento do desemprego, o aprofundamento da recessão e, principalmente, a degradação dos direitos dos trabalhadores. O parlamentar condenou vivamente o corte dos subsídios de férias e Natal, e as intenções legislativas no sentido de reduzir o valor das horas extraordinárias e de facilitar os despedimentos. Além disso, alertou para o que considera ser a tendência de “substituir trabalhadores com direitos por trabalhadores precários”.
Bernardino Soares entende que a recessão económica não é a melhor solução para fazer face à dívida, antes pelo contrário: “a única forma de pagar a dívida e ao mesmo tempo pôr o país a crescer é investir em prol do crescimento económico”, alerta.
Para o PCP, as dificuldades financeiras do país resultam das más opções políticas tomadas nas últimas décadas pelos governos do PS, do PSD e do CDS-PP, que levaram “à destruição do aparelho produtivo nacional”, muito por força da entrada na União Europeia, que implicou a aceitação de determinadas regras que contribuíram para tal, como acontece agora com o fim das quotas leiteiras.
Apesar da crise, Bernardino Soares entende que existe “algum dinheiro” disponível, mas que é utilizado “para o que não devia ser”. O deputado condena, por exemplo, que 12 mil milhões de euros do dinheiro emprestado a Portugal seja utilizado para a recapitalização da banca, valor que representa mais que todas as pensões de velhice que a Segurança Social paga num ano. Também os gastos com o BPN “serviriam para tornar gratuitos todos os medicamentos receitados no país durante 4 anos”, refere. “O dinheiro que existe está a ser dado aos mesmos de sempre e retirado à maioria da população”, alerta.
Para os comunistas, a saída desta situação passa forçosamente por uma renegociação da dívida, reduzindo “juros agiotas” estabelecidos e dilatando os prazos de pagamento. Bernardino Soares garante que só reservando algum capital para investir no crescimento económico e na criação de emprego é que o país vai poder reunir condições para fazer face às despesas da dívida.
A par da renegociação da dívida, o parlamentar entende que é necessária uma nova política de produção, que contribua, simultaneamente, para o aumento das exportações e para a dinamização do mercado interno. Além disso, entende, é necessário melhorar os direitos laborais. A este respeito, deixa um alerta: “os direitos fundamentais conquistados com o 25 de Abril estão a ir por água abaixo”.
Região não está a usar competências próprias para minorar efeitos da crise
Quem o diz é Aníbal Pires, deputado do PCP na Assembleia Regional e primeiro candidato do partido às eleições legislativas de Outubro. Lembrando que as medidas de austeridade tomadas pelo Governo da República têm “efeitos mais perversos” numa economia limitada e dependente do exterior como os Açores, onde, por exemplo, o salário médio é inferior ao do Continente, o deputado entende que os órgãos de governo próprio da Região não estão a utilizar devidamente as suas competências para salvaguardar os direitos dos açorianos. A este respeito, recorda uma iniciativa legislativa do PCP recentemente chumbada na Assembleia Regional, que visava a criação de um apoio extraordinário para devolver aos trabalhadores da administração regional o valor dos cortes nos subsídios. Para Aníbal Pires, era evidente que existia essa possibilidade, uma vez que a lógica é a mesma que prevê a atribuição da remuneração compensatória.
O parlamentar alertou para os reflexos da crise na Região, que agora se agravam, com destaque para os números do desemprego, que ultrapassa já a média nacional.
A passagem de Bernardino Soares pelo Faial insere-se num conjunto de visitas que vários parlamentares do PCP na Assembleia da República fizeram à Região. Na Terceira esteve António Filipe e em São Miguel esteve Agostinho Lopes. Os três deputados estarão presentes segunda-feira no Centro de Trabalho do PCP em Ponta Delgada.
No Faial, para além deste debate, Bernardino Soares levou a cabo uma acção de contacto com a população, onde apelou ao voto na CDU para que a defesa dos interesses dos açorianos seja reforçada na Assembleia Regional.
Na tarde de ontem os deputados socialistas na Assembleia Regional eleitos pelo Faial visitaram as instalações da Cáritas na ilha, na antiga Casa do Gaiato. Alzira Silva e Lúcio Rodrigues conversaram com Luís Paulo Garcia, presidente da Cáritas no Faial, que falou aos parlamentares dos projectos actualmente em curso na instituição, com destaque para a apoio às famílias, através do banco de roupa e de alimentos, e para a formação, em áreas como a agricultura, a culinária ou a costura, de modo a tornar os seus utentes o mais auto-sustentáveis possível.

No final da visita, em declarações aos jornalistas, Alzira Silva salientou a preocupação dos deputados socialistas no que à acção social diz respeito, tendo em conta o cenário actual que o país atravessa. Sobre o trabalho de instituições como a Cáritas, a deputada alertou para a importância da criação de sinergias. Segundo Alzira Silva, é importante que as diferentes instituições de voluntariado criem “parcerias, complementaridade e articulação” entre si para criar “um serviço em que os participantes no voluntariado se sintam comprometidos e responsabilizados e em que os utentes também sintam que estão, não a ser objecto de ‘caridadezinha’, mas de uma ajuda que tem por objectivo valorizá-los, do ponto de vista das qualificações profissionais, para conseguirem um maior rendimento familiar e a sua auto-sustentabilidade”.
Por sua vez, Lúcio Rodrigues salientou as parcerias desenvolvidas pelo Governo Regional com várias instituições de solidariedade social. Para o deputado socialista, esta realidade reflecte o que considera ser a “sensibilidade social” do Executivo do PS que, na sua opinião, contrasta com o comportamento do actual Governo da República, que classifica como “o Governo com mais insensibilidade social da história da Democracia”.
Para Lúcio Rodrigues, medidas como o complemento regional de pensão, o fundo social de compensação ou a suspensão do aumento das mensalidades das creches são exemplo de políticas sociais que mostram que o PS pretende “proteger as famílias e as empresas, custe o que custar”.
O deputado socialista teceu duras críticas ao PSD/Açores, criticando Berta Cabral pelo facto de compactuar com os cortes impostos pelo Governo social-democrata de Passos Coelho ao mesmo tempo que, na campanha para as legislativas regionais de Outubro “anuncia aumentos nos apoios sociais”. “É claramente uma atitude demagógica, a que já assistimos no passado, com o actual primeiro-ministro, que dizia uma coisa antes das eleições e depois fez o contrário”, refere.
