Um grupo de 23 alunos, dois professoras e uma psicóloga da Escola Secun-dária Manuel de Arriaga, dos quais 18 são menores, deslocaram-se a Bruxelas entre os dias 12 e 15 de outubro, para realizarem uma visita de estudo ao Parlamento Europeu.
Segundo os acompanhantes dos alunos, no dia 14 de outubro, ao iniciarem a viagem de regresso à cidade da Horta, efetuaram o check-in em Bruxelas dos voos Bruxelas/Lisboa e Lisboa/Horta, mas ao chegarem a Lisboa, verificaram no placar informativo de que o voo Lisboa/Horta tinha sido cancelado.
No balcão da SATA foram informados que o voo Lisboa/Horta tinha sido cancelado devido às condições de mau tempo, facto que mais tarde apuraram não ser verdade, na medida em que o cancelamento se ficou a dever à falta de condições mínimas de tripulação para operar.
Para obviar a que passassem a noite em Lisboa, a SATA informou-os que tinham um voo de ligação Lisboa/Ponta Delgada às 21h50 no dia 14 de outubro e Ponta Delgada/Horta no dia seguinte, passando a noite em Ponta Delgada num hotel, com os transferes e o pequeno-almoço a serem assegurados pela companhia.
Os responsáveis pertencentes à Escola Secundária Manuel de Arriaga aceitaram esta solução, apesar de saberem que as previsões meteorológicas não eram muito favoráveis para o voo e que a probabilidade de ser cancelado era muito elevada.
Receberam um voucher no valor de 10€ para uma refeição quente a consumir no aeroporto e os respetivos bilhetes de embarque. Todavia, esse voo também foi cancelado, pelo que se dirigiram à SATA para solicitar o alojamento a que tinham direito, ao que um funcionário da companhia informou que os hotéis em Lisboa estavam cheios e que a SATA não conseguiria assegurar a estadia deles.
De acordo com os responsáveis, naquele momento o funcionário da SATA deu-lhes apressadamente os bilhetes para os voos Lisboa/Ponta Delgada e Ponta Delgada/Horta do dia seguinte e desapareceu, deixando todos os alunos (23) e eles próprios (3) sem local para pernoitar e ao completo abandono em pleno aeroporto de Lisboa.
Os alunos da ESMA e os seus acompanhantes tiveram que passar a noite a dormir no chão do aeroporto, sem quaisquer condições e tipo de assistência. A SATA não se preocupou com o bem-estar destes seus passageiros, agindo de má fé e desresponsabilizando-se das suas obrigações legais. Por isso, os alunos da ESMA e os seus acompanhantes exigem uma explicação da SATA e a sua responsabilização nesta situação, e por parte de quem devia fiscalizar os seus serviços e não fiscalizou.
O Conselho de Ilha do Faial(CIF) na sequência de um parecer solicitado pelo Governo Regional dos Açores considerou como “reduzidas” as taxas de execução observadas em antepropostas de planos e afirmou que “a credibilidade destes documentos é cada vez mais duvidosa”
O Conselho de Ilha do Faial, reuniu no passado dia 13 de outubro de 2017, nos Paços do Concelho, com vista a emitir um parecer sobre o Plano Regional para 2018.
Em resposta à solicitação do Governo Regional dos Açores, através da Direção Regional do Planea-mento e Fundos Estruturais, o CIF considerou que perante “as reduzidas taxas de execução genericamente observadas nas anteriores antepropostas de planos apresentadas, “não pode emitir um parecer favorável relativamente ao presente documento”, afirmando mesmo que “a credibilidade destes documentos é cada vez mais duvidosa”.
Para os conselheiros e observando “a grande parte das ações propostas e respetivas dotações financeiras, não se compreende qual a estratégia definida e que objetivos se pretendem atingir”.
Segundo o CIF “existem ações com dotações absolutamente irrisórias, outras que transitam de ano para ano com incompreensíveis variações nos valores e outras que desaparecem das intenções do governo sem que verdadeiramente se compreenda”.
O CIF, cumprindo a sua função de órgão consultivo, constata ainda “que as suas preocupações não são acolhidas pelo Governo Regional, mantendo-se sempre inalterado o planeamento das ações e respetivas dotações orçamentais”.
De acordo com o documento enviado ao governo, este órgão consultivo tem “optado metodologicamente por dividir os seus pareceres “ações positivas” e “preocupações consideradas”, e verifica que “aquelas ações que se consideram positivas para a ilha muitas vezes não são executadas ou apenas são referenciadas para se manter a rubrica aberta sem que tenham efetiva concretização”.
No documento, o CIF regista como positivas para a ilha as obras em curso, nomeadamente a “Construção do Matadouro”, a “Adaptação da fábrica da baleia de Porto Pim”, a “Remodelação da creche “O Caste-linho” e a “Escola do Mar”, no entanto, entende que “as ações consideradas, embora também importantes para a ilha, não têm dotações adequadas encontrando-se há anos nos planos e sem concretização”.
No parecer o órgão consultivo manifesta a sua preocupação com a obra do Porto da Horta e defende que deve ser “reforçada a verba destinada ao novo quartel dos bombeiros cujo projeto se encontra concluído”.
No que se refere a outros investimentos relevantes para a ilha de que são exemplo a Variante à cidade da Horta, o Novo Corpo C do Hospital da Horta, a 2ª fase da EBI da Horta, a estrada Largo Jaime Melo/Ribeira do Cabo, a Remodela-ção da Sede do CNH e outras, o CIF “mantém as preocupações afirmadas e reafirmadas nos anteriores pareceres”, lê-se.
Uma equipa de 55 elementos de sete corpos de bombeiros de S. Miguel e da Terceira partiram esta semana para o continente para ajudar a combater os fogos.
O SRPCBA após um pedido de ajuda nacional, prontificou-se de imediato para entrar em contacto com os bombeiros da Região e reunir uma unidade especial para prestar o devido apoio no combate aos vários incêndios.
“Esta Unidade Especial de Bombeiros inclui 16 elementos da ilha Terceira, sendo cinco dos voluntários de Angra do Heroísmo e 11 da corporação da Praia da Vitória, e 39 elementos oriundos da S. Miguel, dos quais 14 de Ponta Delgada, oito da Ribeira Grande, sete de Vila Franca do Campo, seis do Nordeste e quatro da Povoação”, revela o Gabinete de Apoio à Comunicação Social, (GACs).
Segundo a mesma fonte “a equipa é comandada pelo Inspetor Coordenador de Bombeiros do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), Luís Paulo Andrade, que terá como adjuntos os comandantes dos bombeiros de Vila Franca do Campo, Ruben Franco, e o da Praia da Vitória, Alexandre Cunha”.
“Desta forma, o Governo dos Açores demonstra a sua solidariedade e disponibilidade para prestar o auxílio possível a todos os bombeiros que combatem os fogos que estão a lavrar no território nacional”, avança o GACs).
Luto nacional adia por um dia parlamento açoriano
O luto nacional levou a Assembleia Legislativa Regional a adiar para quarta feira o plenário de outubro do parlamento dos Açores.
Em comunicado, o parlamento regional esclarece que, "tendo sido decretado três dias de luto nacional devido aos incêndios que assolam o país", e considerando que o período legislativo de outubro se iniciava na terça-feira, pela qual os deputados regionais já se encontram na Horta, "a conferência de líderes deliberou iniciar os trabalhos" no dia seguinte, às 15:00 locais e apenas com a ordem do dia.
Os trabalhos da sessão plenária de outubro começaram com a leitura de um voto de pesar, subscrito por todos os grupos e representações parlamentares, seguido de um minuto de silêncio pelas vítimas dos incêndios, revelou a ALRAA.
De salientar ainda, que o Conselho de Ministros aprovou, o decreto que declarava luto nacional nos dias 17, 18 e 19 de outubro como forma de pesar e solidariedade com toda a população nacional devido às centenas de incêndios que deflagraram no domingo, e que segundo as autoridades, provocaram pelo menos 36 mortos e dezenas de feridos.
A Atlantis Cup – Regata da Autonomia é a principal regata de vela de cruzeiro realizada no mar açoriano e uma das mais importantes de Portugal.
Este evento náutico que se realiza no mar dos Açores, vai já na sua 30.ª edição e conta com Alto Patrocínio da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores
Em 2018 realizar-se-á o 3.º percurso do conjunto de três que se destinam a tocar em todas as ilhas dos Açores, que tem como itinerário as ilhas do Pico, Graciosa e Terceira.
A 30.ª edição da Atlantis Cup – Regata da Autonomia, a principal regata de vela de cruzeiro nos Açores, decorrerá em 2018 no Grupo Central do Arquipélago.
Com início a 29 de julho do próximo ano e chegada à meta, na cidade da Horta, prevista para dia 5 agosto. A regata divide-se em três etapas pelas ilhas do Pico, Graciosa e Terceira.
“No próximo mês de novembro será divulgado o Programa Provisório da Regata, com indicação do porto de largada, dos portos de escala e do circuito de cada perna, sendo que a chegada será, como habitualmente, no Porto da Horta, aquando do início da 43ª Semana do Mar”, informa o Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta.
Esta edição da Atlantis Cup é o terceiro e último percurso do objetivo, lançado em 2013 pela Presidente da Assembleia Legislativa e iniciado em 2016, de esta regata alcançar todas as ilhas dos Açores.
O primeiro percurso, em 2016, começou na ilha das Flores, passou pelo Corvo e por São Jorge terminando no Faial.
Em 2017, o segundo percurso, iniciou-se em São Miguel e teve como meta a Ilha do Faial, fazendo antes escala em Santa Maria.
A Atlantis Cup – Regata da Autonomia é organizada pelo Clube Naval da Horta com o apoio do Governo dos Açores e tem como objetivo atrair participantes, promover os Açores e dignificar a Autonomia.
As candidaturas ao novo regime de apoios à comunicação social do Governo dos Açores, Promédia 2020, abriram no passado dia 13 de outubro, anunciou o Secretário Regional Adjunto da Presidência para os Assuntos Parlamentares.
“Com a publicação, em Jornal Oficial, do despacho normativo que regulamenta o Promédia 2020 estão reunidas as condições para que a comunicação social privada possa concorrer aos apoios previstos no Decreto Legistativo Regional, recentemente aprovado no Parlamento Açoriano”, afirmou Berto Messias.
Segundo o Secretário Regional Adjunto da Presidência para os Assuntos Parlamentares “a partir de 13 de outubro os órgãos de comunicação social privada dos Açores terão 20 dias para concorrer a apoios relativos ao ano de 2017”, acrescentando que “durante o mês de novembro, os mesmos poderão ainda candidatar os seus projetos para o ano de 2018”.
Berto Messias adiantou ainda que “o Promédia 2020 mantém todos os apoios que constavam no anterior programa e introduz novas medidas de apoio, mantendo a perspetiva da importância de uma comunicação social privada independente, imparcial, que presta um importante serviço público, fator fundamental para a qualificação da nossa democracia”, sustentou.
O novo Promédia 2020, que conta com meio milhão de euros contempla o apoio ao desenvolvimento digital; o apoio à difusão informativa; acesso à informação para cidadãos com necessidades especiais; a valorização dos profissionais da comunicação social; apoio especial à produção e apoio a iniciativas de formação na área da comunicação que contribuam para a promoção dos Açores.
O Comando Territorial dos Açores, através do Núcleo de Investigação da Horta, deteve no passado dia 15 de outubro, um homem de 35 anos por tráfico de estupefacientes.
A detenção ocorreu durante um patrulhamento da equipa cinotécnica da GNR no aeroporto da Horta.
Segundo o comunicado do Comando Territorial dos Açores, a equipa cinotécnica da GNR “detetou droga numa das bagagens que se encontrava na sala das chegadas, o que levou os militares a abordarem o proprietário. Ao fiscalizarem a bagagem do indivíduo suspeito, foram detetadas 360 doses de haxixe dissimuladas em embalagens de produtos de higiene, as quais foram apreendidas”, avança.
De acordo com a mesma fonte, “o detido foi constituído arguido” e presente a tribunal.
John Burton, co-founder and President of the International Pole and Line Foundation, came to Faial to participate in the World First One by One Tuna Fishing Conference, organised by the Regional Secretariat of the Sea, Science and Technology.
“Pole and line fishing is the most responsible way to catch tuna” and its bigger threat “is the increasing use of Fish Aggregating Device (FAD) over the years”, said John Burton
Tribuna das Ilhas - What is the main goal of the International Pole and Line Foundation?
John Burton - The main goal of the Foundation is to bring together fisheries and the market whereby creating marketing demand we could assist to fishing communities to get a good and premium price for that fish. We are all about looking after the future of fishermen and their communities.
TI- Is pole and line fishing a way to reach tuna sustainability? How can this art enable sustainability in the tuna market?
JB - Pole and line fishing is the most responsible way to catch tuna. Whereas pole and line fishing is very selective and there is very little bycatch, other fishing methods such as purse seining that catch juvenile tuna and other species are more destructive. Pole and line fishing only represents 10 % of the world’s catch, but not all off those 10 % finds its way to the market. Therefore, our first objective is to try to get all those 10 % to the market as pole and line in order to fishermen can get a premium price.
TI- Can pole and line fishing alone fully meet the global demand for tuna?
JB - Like I said before, pole and line fishing represents 10 % of the world’s catch and we are trying to put it all on the market to the benefit of fishermen, but there are other developing fisheries around the world, for instance, in East Africa and in the Pacific, that we would like to encourage to catch with more pole and line.
TI- Do you consider that the removal of large amounts of bait fish can cause an impact on the ecosystem?
JB - I think a simple way to answer that question is no, because we use various species for bait fish in pole and line tuna fishing that reproduce very quickly. For example, the Maldives’ fisheries are 900 years old and we have always found sufficient bait to support the pole and line fishing.
TI- Are FADs (Fish Aggregating Device) a real threat to one by one fisheries?
JB - We have been talking, over lunch, about the problems with stable and reducing catching of pole and line and one of the major contributively factors is the increasing use of FADs over the years. If we look, for instance, at the Maldives’ fisheries, one of the biggest pole and line fisheries in the world, where no nets are allowed, in the Indian Ocean at large, we see an increase in deployment in FADs, making it more difficult for the Maldivian fishermen to find fish. 40 years ago, before industrial purse seining, Maldives accounted for 80 % of the catch in the Indian Ocean, but now accounts for only 20 %. Within the Indian Ocean we now got limits on the number of FADs, a step in the right direction, but the limits are too high. In other tuna fisheries, there are no limits. In the last five years, in the Western Ocean Pacific, the biggest tuna fishery in the world, the number of FADs has increased from 30.000 for 80.000. This said, FADs are a problem.
TI- Do you consider that pole and line fishing reduces bycatch when compared with other fishing methods?
JB - Although I keep talking about the Maldives, it is the cleanest and greenest tuna fishery in the world and the home of pole and line. We have done observer work in the Maldives to prove that the bycatch in pole and line is significantly lower than the bycatch, particularly, with purse seining which is the main area of competition for tuna.
TI- What is missing to get people to consume products from more sustainable fishing methods?
JB - I have been in this industry of pole and line fishing for 33 years and I have seen, in the last ten years, an increasing demand for pole and line around the world since is the most responsible way of catching tuna and the consumers are becoming more and more aware of that. The Maldives are the home of pole and line fishing, but my country, the UK, was the home of the market of pole and line, the very first market demanding pole and line. However, that was 10 years ago and now the demand is becoming worldwide as retailers and consumers become more concerned. Consequently, what is missing is not enough pole and line and a bit more of consumer awareness, but we are trying to drive that consumer awareness by the Foundation and by our retail members.
TI- The certification system gives customers the impression that purchasing certain products helps the ocean more than it really does. Are the actual certification systems delivering on their promises?
JB -There is only one credible certification system in the world of fisheries and that is the Marine Stewardship Council (MSC). For many years they have been helping fisheries to develop and prove themselves and become MSC certified. Nevertheless, in recent times, they have seen to be putting profit and certified fisheries that are probably not sustainable before sustainability . In the world of tuna, there is a big fishery in the Western Pacific, where fishers catch free swimming schools and FADs on the same trip, on the same vessel, and the free swimming school element is MSC certified, but the FAD element isn’t. So, is it right that the vessel fishes sustainably and unsustainably on the same trip? No, sustainable plus unsustainable doesn’t equal sustainable. The standard has been lowered to enable more fisheries to become certified.
John Burton, cofundador e presidente da Fundação Internacional de Salto e Vara, esteve no Faial para participar na I Conferência Internacional de Salto e Vara, organizada pela Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia.
Numa entrevista ao Tribuna das Ilhas o responsável pela Fundação revelou que “o salto e vara é a forma mais responsável de pescar atum” e a sua maior ameaça “é o aumento da utilização de dispositivos de concentração de peixes”
Tribuna das Ilhas - Qual é o principal objetivo da Fundação Interna-cional de Salto e Vara (IPNLF)?
John Bruton - O principal objetivo da fundação é juntar as indústrias pesqueiras e o mercado através da criação de um mercado de procura em que podemos ajudar as comunidades pesqueiras a ter um preço bom e premium pelo seu peixe. Só queremos proteger o futuro dos pescadores e das suas comunidades.
TI - O salto e vara é uma forma de alcançar a sustentabilidade do atum? Como é que esta arte pode permitir a sustentabilidade do mercado do atum?
JB - O salto e vara é a forma mais responsável de pescar atum. Este é muito seletivo e as capturas acessórias são escassas, enquanto outros métodos tal como a pesca de cerco que apanha atum jovem e outras espécies são mais destrutivos. O salto e vara representa apenas 10 % de toda a pesca no mundo, mas nem todos os 10 % vão até ao mercado como pescados por salto e vara. Portanto, o nosso primeiro objetivo é tentar levar esses 10 % para o mercado como pescados por salto e vara a fim de os pescadores conseguirem um bom preço.
TI - Conseguirá o salto e vara responder à procura mundial de atum?
JB - Como já referi, o salto e vara representa 10 % da pesca mundial e estamos a tentar levá-lo todo para o mercado para beneficiar os pescadores, mas existem outras indústrias pesqueiras em desenvolvimento como, por exemplo, na África Oriental e no Pacífico, que gostaríamos de encorajar a pescar mais com salto e vara.
TI - Considera que a pesca de grandes quantidades de peixe para isco pode ter impacto no ecossistema?
JB - Penso que uma maneira simples de responder a esta questão é não, visto que usamos variadas espécies de peixe para isco na pesca de salto e vara do atum que se reproduzem rapidamente. Por exemplo, as indústrias pesqueiras das Maldivas têm 900 anos e sempre tivemos isco suficiente para a pesca de salto e vara.
TI - Os dispositivos de concentração de peixes (FADs) são uma ameaça para as indústrias pesqueiras one by one?
JB - Durante o almoço, estivemos a falar dos problemas da pesca de salto e vara que está estável e concluímos que um dos principais fatores é o aumento da utilização de dispositivos de concentração de peixes nos últimos anos. Se virmos o exemplo das Maldivas, uma das maiores indústrias pesqueiras de salto e vara do mundo, onde não são permitidas redes, por todo o oceano Índico, notamos um aumento na utilização de FADs, fazendo com que os pescadores maldivanos tenham dificuldade em encontrar peixe. Há 40 anos, antes da pesca de cerco industrial, as Maldivas contabilizavam 80 % da pesca do oceano Índico, mas contabiliza agora apenas 20 %.
TI - Considera que a pesca de salto e vara reduz a captura acessória em comparação a outros métodos de pesca?
JB - Sei que continuo a falar das Maldivas, mas é o país com as indústrias pesqueiras mais limpas e mais ecológicas do mundo. Fizemos trabalho de observação nas Maldivas para provar que a captura acessória é significativamente mais baixa na pesca de salto e vara do que a captura acessória na pesca de cerco que é a maior área de competição do atum.
TI - O que falta para que as pessoas consumam produtos provenientes de métodos de pesca mais sustentáveis?
JB - Estou nesta indústria da pesca do atum há 33 anos e tenho assistido, nos últimos 10 anos, a um aumento na procura de salto e vara por todo o mundo por ser a forma mais responsável de pescar atum e pelo o facto de os consumidores estarem cada vez mais conscientes disso. As Maldivas são a casa da pesca de salto e vara, mas o meu país, o Reino Unido, era a casa do mercado de salto e vara, o primeiro mercado que procurava por salto e vara. No entanto, isso foi há dez anos e agora é cada vez mais global devido à preocupação dos retalhistas e dos consumidores. Isto é, o que está em falta é mais pesca de salto e vara e um pouco mais de sensibilização por parte dos consumidores, mas estamos a tentar dar este conhecimento às pessoas através da fundação e nos nossos retalhistas.
TI - O sistema de certificação dá aos consumidores a impressão de que adquirir certos produtos ajuda mais o oceano do que realmente faz. Os sistemas de certificação atuais estão a cumprir com as suas promessas?
JB - Há apenas um sistema de certificação credível no mundo nas indústrias pesqueiras, o Marine Stewardship Council (MSC). Durante muitos anos, este sistema ajudou a desenvolver indústrias pesqueiras para que se provem merecedoras da certificação MSC. Porém, recentemente, o sistema parece estar a pôr o lucro e as indústrias pesqueiras certificadas que provavelmente não são sustentáveis antes da sustentabilidade. No mundo do atum, existe uma grande indústria pesqueira no Pacífico Ocidental onde os pescadores apanham atum que nada livremente e atum preso em FADs na mesma viagem, na mesma embarcação, e que a parte da pesca do atum livre é certificada e a pesca através de FADs não é. É correto que a embarcação pesque de forma sustentável e insustentável na mesma viagem? Não, sustentável mais insustentável não equivale a sustentável. O nível tem sido reduzido para permitir que mais indústrias
A I Conferência Mundial de Salto e Vara (CIPSV), que se realizou na cidade da Horta, nos dias 16 e 17 de outubro, contou com a presença de representantes de 15 países, entre os quais da África do Sul, Cabo Verde e do Japão, os quais têm a pesca de atum de salto e vara entre as suas principais pescarias.
Atenta a sua importância, a sessão de abertura contou com a presença do Ministro das Pescas e da Agricultura das Maldivas, Mohamed Shainee, do Presidente da Fundação Internacional de Salto e Vara (IPNLF), John Burton, para além dos anfitriões o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia Gui Menezes, do Diretor Regional das Pescas, Luís Rodrigues e do Presidente da Câmara Municipal da Horta José Leonardo e que reproduzimos nestas páginas
Luís Rodrigues satisfeito com a realização da I Conferência Internacional de Pesca de Salto e vara

A ideia de organizar este evento surgiu de contatos entre o Governo Regional dos Açores, a Fundação Internacional de IPNLF e o Programa para a Observação das Pescas dos Açores, revelou o Director Regional das Pescas na sessão de abertura do evento.
Segundo Luís Rodrigues o “objetivo era valorizar e discriminar positivamente a pesca de salto e vara, nas suas dimensões ambiental, social e económica”.
Na sua intervenção o diretor avançou que “a ideia foi de imediato acarinhada pela Federação das Pescas dos Açores, pela APASA e da PÃO DO MAR”.
Rodrigues explicou que “A APASA é a Associação de Produtores de Atum e Similares dos Açores, e a Pão-do-Mar é a Associação da Industria Conserveira dos Açores. Tanto a APASA como a Pão-do-Mar são associadas da Fundação Internacional IPNLF.
De acordo com o responsável “desafio não foi fácil, com tantos constrangimentos de quem vive em ilhas, de quem vive no meio do Oceano Atlântico, até com um furacão tivemos que saber agir, ainda assim, foram 15 países que aderiram a esta causa a esta iniciativa e que contribuíram para que aqui hoje estivéssemos”.
No seu discurso, o diretor salientou que “a pesca do atum de salto e vara, faz parte da identidade dos Açores, é uma atividade artesanal, seletiva e que ocupa na fileira da pesca entre investigadores, pescadores e Industria Conserveira, comerciantes, milhares de postos de trabalho. Nos últimos cinco anos, em cada ano que passa pescamos metade do que pescamos no ano anterior”, deu a conhecer.
“Como sabem os tunídeos são migradores, antes de chegar aos Açores no seu percurso, existem sistemas de pesca altamente intensivos, que capturam quase tanto, permitam-me o exagero, capturam num lance quase tanto quanto os Açores capturam num ano”, neste sentido defendeu que “é importante estarmos atentos, estarmos de alerta, temos a responsabilidade de agir”.
Para o governante “este problema, sabemos pelos nossos parceiros da IPNLF que é também vivido por outros países, por outras comunidades piscatórias, e também é essa a razão de estarmos aqui hoje”.
“Serão dois dias e meio de trabalho, procuramos um modelo dinâmico, de dar voz ao maior número de projetos, de realidades, de experiências, apelo por isso à capacidade síntese dos oradores, apelo também ao profissionalismo dos moderadores, apelo aos senhores tradutores, e à vossa paciência, isto de facto o programa está condensado”, afirmou na ocasião.
O director referiu que no segundo dia foi feita a “leitura da declaração Açores, a favor das pescarias do atum por salto e vara”. “Informo a todos que esta declaração está disponível em quatro línguas, disposta aqui pelas salas. Quem não concordar com a declaração que se trata apenas de um código de conduta, mas quem por ventura não concordar com a declaração queira dar essa indicação no secretariado, caso contrário todos seremos signatários subescritores dessa declaração”, frisou.
Para este evento, a APASA preparou um pequeno filme sobre o salto e vara, que esteve em lup numa das salas. Estiveram também disponíveis diversos espaços para reuniões bilaterais. No fim da tarde do segundo dia teve lugar um cocktail, degustação de produtos da indústria conserveira.
No último dia (quarta-feira) foi efetuada uma visita à Lotaçor, “local onde se faz a venda do peixe, tenho a indicação de que talvez não seja o dia mais favorável em termos de quantidade de peixe, mas as instalações estão disponíveis para visita, não só as instalações da Lota como embarcações atuneiras, portanto que fazem a pesca do atum por salto e vara”, informou.
O primeiro painel e de abertura foi constituído pelo Ministro das Pescas e da Agricultura das Maldivas Dr.Mohamed Shainee, pelo Secretário Regional do Mar Ciência e Tecnologia Gui Meneses, pelo Presidente da Câmara Municipal da Horta, José Leonardo, e pelo Presidente da Fundação Internacional de Salto e Vara John Burton.
CIPSV afirma a Horta enquanto Capital Mar dos Açores, defende José Leonardo Silva

“Sejam todos bem-vindos à ilha do Faial, onde a nossa baía está incluída no clube das mais belas baías do Mundo. É uma honra para o nosso Concelho, receber um encontro Internacional desta dimensão, ainda mais por estar ligado ao setor das pescas, que representa uma área económica significativa para a economia desta ilha e da Região Autónoma dos Açores”, afirmou José Leonardo Silva na sessão de abertura da I Conferência Internacional de Pesca de Salto e vara, que decorreu esta semana na Horta.
O presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH) salientou que “ao longo dos anos nos Açores fomos traçando e alcançando objetivos importantes no setor das pescas, que nos conduzissem a uma pescaria mais sustentável, selectiva e de qualidade que diferencie o nosso produto, valorize os nossos pescadores e empresários, e traga mais qualidade e retorno económico ao produto capturado”.
Segundo o autarca, “hoje nos Açores fruto também das políticas levadas a efeito pelo Governo Regional dos Açores, dos contributos da Universidade dos Açores através do Polo Universitário da Horta, das parcerias com as várias Associações e pescadores, temos uma pesca não massificada que protege os ecossistemas e que procura a qualidade em detrimento da quantidade”, defendeu.
José Leonardo Silva, louvou a realização desta iniciativa, considerando que esta “permitirá com certeza analisar as últimas tendências do setor e o comportamento dos mercados assim como no caso dos Açores, traçar um código de conduta que defenda ainda mais o nosso esforço de pesca”.
“Para a Ilha do Faial, a vossa presença é um sinal do percurso que temos realizado em conjunto com diversas entidades públicas e privadas, bem como com muitos particulares, na afirmação da Horta enquanto Capital do Mar dos Açores, onde está justamente a nascer uma escola do mar, que trará certamente grandes contributos para a formação e discussão científica que ainda importa continuar para o futuro”, frisou.
O presidente considerou ainda que o “conhecimento é a melhor arma de defesa de um setor, que tem as suas fragilidades, mas que tem também alternativas importantes e valorizadoras, que pode e deve percorrer. Por essa razão as pescas foi um dos temas escolhidos para um dos fóruns do projeto municipal Mar Nostrum, que ilustra bem as preocupações que nos assistem a todos e o caminho que temos de continuar a trilhar em conjunto”, disse.
“Durante os próximos dois dias, sairão desta sala importantes contributos para a política Mundial da pesca de atum de salto e vara, um pescado de referência, que distingue os melhores pratos dos melhores restaurantes nos quatro cantos do mundo”, sustentou o presidente do executivo camarário.
A finalizar o autarca referiu que: “resta-nos aguardar, pelo resultado dos vossos trabalhos, e desejar por isso que eles decorram de forma o mais proveitosa possível, associando-se também a Câmara Municipal da Horta, a este evento que mais uma vez projeta a ilha do Faial e os Açores, num setor muito importante que é o setor das pescas”.
John Burton reconhece a necessidade de desenvolver soluções específicas para a indústria pesqueira

Na sessão de abertura da I Conferência Internacional de Pesca do Atum de Salto e Vara, que decorreu esta semana na cidade da Horta, o Presidente da Fundação Internacio-nal de Salto e Vara (IPNLF), deu os parabéns e agradeceu aos anfitriões, o Governo dos Açores e a Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia por juntarem tantas partes interessadas na mudança do fornecimento de atum one by one, a fim de partilhar práticas, de discutir soluções, de partilhar desafios, de avaliar o potencial do marketing das dinâmicas social e económica das indústrias pesqueiras one by one e explorar formas de colaboração para o progresso do setor.
John Burton salientou que está “envolvido no mundo das indústrias pesqueiras one by one do atum há mais de 30 anos. Ou seja, tem tido um enorme papel na sua vida e é, realmente, a sua paixão, ligar pescadores responsáveis e com o mesmo negócio, assegurar-lhes preços apropriados aos produtos premium e mostrar-lhes os benefícios que têm nas suas comunidades”, disse.
Para aqueles que, talvez, não estão familiarizados com a Fundação Internacional de Salto e Vara, explicou, durante alguns minutos, quem são e o que fazem.
“A IPNLF é uma fundação registada no Reino Unido há seis anos. Trabalha para demonstrar e melhorar o valor das indústrias pesqueiras one by one do atum para as comunidades costeiras que dependem deles”. “Quando nos referimos à pesca one by one, estamos a falar de técnicas que incluem um anzol e uma linha para pescar um atum de cada vez”, explicou.
Segundo Burton “muitas regiões costeiras têm uma longa e orgulhosa história da pesca tradicional do atum, incluindo os Açores. A indústria pesqueira é muito centrada nas pessoas, visto que sustentam bairros e comunidades costeiras por todo o mundo, oferecendo postos de trabalho, nutrição e um modelo para sustentar a indústria pesqueira do atum e o ambiente maninho”.
O Presidente da IPNLF considerou que a “fundação tem um papel duplo. Promove em todo o mundo os benefícios ambientais e socias que derivam da indústria pesqueira one by one e ajuda, desenvolve e apoia esta pesca a melhorar a longo prazo a sua viabilidade e sustentabilidade”.
“Em suma, o seu objetivo não é só ambiental como também é social. Luta para ajudar a melhorar as vidas de pescadores one by one de atum que, muitas vezes, acham difícil competir numa indústria dominada pela pesca industrial. Trabalham, por isso, com pescadores, companhias, ONGs e governos para garantir que a indústria pesqueira mantenha uma cultura de integridade e de trabalho para ver os seus esforços reconhecidos e recompensados no mercado”, esclareceu na ocasião.
Na sua intervenção o presidente da IPNLF, adiantou que a associação “é apoiada por uma rede de organizações e partes interessadas de todo o mundo, desde cadeias de restaurantes, a retalhistas, a processadores, a distribuidores e a associações de pescas que, tal como eles, querem assegurar uma fonte sustentável de atum que sustenta a vida e o bem-estar”.
“De momento, tem 48 membros por todo o mundo e acolheu no ano passado o primeiro membro dos Açores, a APASA, Associação de Produtores de Atum e Similares dos Açores. Mais recentemente, a associação de produtores Pão-do-Mar e a Federação de Pescas dos Açores também se tornaram membros”, deu a conhecer o responsável pela associação.
Burton adiantou ainda que “no início do ano, a Woolworths tornou-se o primeiro membro revendedor da IPNLF em África. Esta adesão não só foi um marco significante no seu progresso como também foi outro passo importante para o apoio que a Woolworths dá para melhorar a gestão do atum em todo o mundo”, frisou.
O orador, após a projecção de um vídeo produzido pela Woolworhs com o apoio da IPNLF para o lançamento do atum das Maldivas pescado a salto e vara na Woolworths, na África do Sul que demonstra a importância desta indústria pesqueira para as pessoas das Maldivas e para o mercado, mostrou a sua satisfação pela presença nesta conferência de Mohamend Shainee, Ministro das Pescas e Agricultura da República das Maldivas.
De acordo com Burton, “as Maldivas são conhecidas por muitos com a casa do salto e vara e como a indústria pesqueira mais limpa e mais ecológica do mundo, onde o atum é pescado da mesma maneira há mais de 900 anos”. No seu entender, o Ministro das Pescas da Maldivas “tem mostrado uma liderança inspiradora no setor da pesca sustentável, tanto no seu país como nos compromissos com a gestão internacional de indústrias pesqueiras one by one de atum, proporcionando uma plataforma para o seu país e para outras nações de pesca one by one para capitalizar a enorme procura internacional por atum pescado one by one de forma sustentável”, salientou.
Sobre os mercados de atum pescado one by one em crescimento, referiu que “o mercado internacional está a acompanhar as indústrias pesqueiras que apoiam”. Ele próprio tem sido testemunha de muitas mudanças na indústria ao longo das últimas três décadas. “Vi o crescimento do apetite do mercado por produtos de atum pescado one by one em todo o mun-do. A indústria sugere que a procura global por atum pescado one by one vai continuar a aumentar, em grande parte, devido às nações e mercados líderes sustentáveis”, alertou.
“Esta é a procura, mas o que fornecer? Questiona Burton, respondeu que “as indústrias pesqueiras one by one de atum têm de fornecer mais do que fornecem atualmente. Portanto, existe uma pressão para procurarmos formas de aumentar o total de atum sem contribuir para sobrepesca”, frisou.
Juntamente com os seus membros, a IPNLF reconhece a necessidade de desenvolver soluções específicas para a indústria pesqueira. Por isso, está envolvida num número de projetos por todo o mundo.
Burton vê a colaboração como uma importante forma para o progresso do setor pesqueiro one by one e para resolver alguns dos desafios que enfrentamos. “Juntar pessoas para partilhar experiências, para aprender uns com os outros e para trabalhar em conjunto em soluções comuns aos problemas”, sustentou .
De acordo com o presidente da IPNLF “esta conferência é o caso perfeito para realçar o tipo de impacto que podemos ter quando trabalhamos juntos. Estamos todos aqui com a intenção de facilitar discussões e abrigar colaborações multinacionais do setor entre indústrias pesqueiras e partes interessadas”, lembrou.
Para concluir, o Burton relembrou os presentes da “importância e da popularidade do atum como um peixe e como uma fonte saudável e acessível de proteína, esperando que muitas das partes interessadas sigam o exemplo do nosso anfitrião em progredir com os planos para a indústria pesqueira one by one, dando as ferramentas para capitalizar as indústrias pesqueiras na grande procura internacional por atum one by one sustentável, enquanto salvaguardam o futuro de muitas comunidades costeiras para muitas gerações que estão para vir”, concluiu.
“Pesca do atum com artes de salto e vara faz parte do património social e cultural dos Açores”
Quem o afirmou foi Gui Menezes, na sessão de abertura da I Conferência sobre o tema, que decorreu esta semana na Horta e que trouxe à ilha representantes de 15 países.
“Esta é uma técnica utilizada desde sempre pelos nossos pescadores e representa uma das pescarias mais importantes nos Açores, é também fundamental para a indústria conserveira, que emprega cerca de 900 trabalhadores e labora por ano cerca de 20 mil toneladas de pescado”, referiu o governante, salientando que “esta é uma indústria que gera, anualmente, cerca de 66 milhões de euros, e que tem sabido criar novas linhas de produtos que se têm revelado determinantes na nossa afirmação nos mercados internacionais e cuja qualidade é amplamente reconhecida”.
O Secretário Regional Mar Ciência e Tecnologia (SRMCT) considerou “a frota atuneira dos Açores como a nossa maior frota, mas que ainda hoje em dia continua a desenvolver a sua atividade exclusivamente com artes de salto e vara, utilizando pequenos pelágicos, como o chicharro, como isco vivo. A nossa frota atuneira é a única com capacidade de operar em toda a nossa ZEE”, sustentou.
“Num momento em que a comunidade internacional se preocupa com a utilização de artes demasiado intensivas e não seletivas, como as redes de emalhar e de cerco, a pesca do atum de salto e vara deve ser reconhecida como uma pescaria altamente seletiva e "amiga" do ambiente, dado que não apresenta capturas acessórias”, defendeu.
De acordo com Gui Menezes, o “Governo dos Açores propôs, junto da Comissão Europeia, a adoção de medidas que descriminem positivamente as frotas que capturam atum com artes de pesca artesanais, menos lesivas para os recursos e para os ecossistemas pelágicos”.
O governante realçou que “nos Açores, as nossas pescarias são devidamente certificadas, desde 1998, com o estatuto Dolphin Safe, pela organização não governamental Earth Island Institute, através do nosso Programa de Observação para as Pescas, o POPA, sendo que também somos uma das primeiras frotas do mundo a cumprir os critérios Friend of the Sea”, destacando ainda “a importância do POPA, a par de outros programas de monitorização das pescas que existem nos Açores, para a produção de conhecimento científico sobre os nossos recursos marinhos”.
A este respeito Gui Meneses lembrou que “embora a gestão dos tunídeos seja realizada a nível internacional, o Governo dos Açores elencou um conjunto de medidas que podem contribuir para uma melhor gestão do stock de atuns em várias regiões”, apontando que “a criação de faixas marítimas livres de dispositivos agregadores de peixe, orientadas de sul para norte, poderá ser uma boa medida para minimizar o efeito dos FAD, que poderá aferir o efeito destes dispositivos nos hábitos migratórios dos atuns”.
O SRRMT alertou que “a proliferação a que se tem assistido do uso de dispositivos agregadores de peixe, especialmente na costa africana, tem um impacto imprevisível no futuro de alguns stocks e é por isso que temos defendido a implementação urgente de medidas precaucionarias, bem como o estudo real do efeito destes dispositivos”.
“Nos últimos anos, temos assistido a uma deslocalização massiva das embarcações que pescam atum com a arte de cerco e que, acreditamos, também está a afetar a abundância de tunídeos nas nossas águas”, disse o secretário adiantando que “pretendemos, pois, que a Comissão Europeia proponha uma restrição no que respeita ao número de embarcações licenciadas a operar com a arte de cerco destinadas à captura de tunídeos em todo o Atlântico”.
Segundo o titular da pasta “a elevada qualidade natural do atum selvagem dos mares açorianos é reconhecida mundialmente. O facto de as artes de salto e vara permitirem capturar os peixes mantendo a sua qualidade, potencia as perspetivas de valorização, através de mercados mais nobres, como é o caso dos mercados de venda de peixe fresco”, registou.
Gui Menezes espera que o selo de qualidade “Marca Açores” seja “um contributo importante para a promoção do nosso atum em mercados internacionais. E também que alguns dos nossos atuneiros comecem a adotar novas técnicas de conservação de atum, de modo a valorizarem cada vez mais estas espécies”, frisou.
Mohamend Shainee garante que o seu país tem sido rigoroso em banir todas as formas de pesca de cerco comercial

O Ministro das Pescas e Agricultura da República das Maldivas esteve presente na Primeira Conferência Internacional de Salto e Vara, para discursar sobre esta arte e dar o exemplo do seu país.
“A República das Maldivas tem sido rigorosa ao banir todas as formas de pesca de cerco comercial para assegurar que os métodos da pesca one by one são preservados”, afirmou o ministro.
No seu discurso, na sessão de abertura da Primeira Conferência Internacional de Salto e Vara, o Ministro das Pescas e Agricultura da República das Maldivas começou por falar da pesca de Salto e Vara do seu país, conhecido como a casa desta arte. “Evidências históricas remetem a pesca de salto e vara nas Maldivas ao ano de 1153, que é a principal atividade económica do país”, disse Mohamed Shainee.
Mohamend Shainee realçou que apesar de outras formas de pesca serem mais rentáveis, “a República das Maldivas tem sido rigorosa ao banir todas as formas de pesca de cerco comercial para assegurar que os métodos da pesca one by one são preservados”, explicando que “este tipo de pesca é mais ecológico visto que é bastante seletivo e que evita a captura acessória”.
O ministro acrescentou ainda que a pesca one by one também acarreta benefícios económicos e socias para a comunidade. “Uma típica indústria pesqueira de salto e vara emprega entre 20 a 25 pessoas e pesca cerca de 3 ou 4 toneladas numa viagem e o lucro é dividido igualmente pelos pescadores. Em contraste, uma indústria maior emprega cerca de 50 pessoas e apanha entre 40 e 50 toneladas de peixe numa boa viagem, mas a maioria dos lucros é do dono da embarcação e uma pequena parte é distribuída pela tribulação”, relata Mohamed.
“90 % das exportações das Maldivas são peixes e produtos derivados do peixe. É estimado que exportamos aproximadamente 160 milhões de dólares de atum e seus derivados”, dá a conhecer o ministro.
Mohamed refere ainda que “muitas das suas indústrias pesqueiras aderem a sistemas de certificação para demonstrar a sustentabilidade dos seus produtos aos consumidores, apesar do custo destas certificações e o custo de mantê-las”. No entanto, lamenta o facto de estes sistemas estarem a apoiar, recentemente, métodos de pesca não sustentáveis.
Por fim, o ministro maldívio agradece a oportunidade de discursar sobre este tópico e agradece ainda à Secretaria Regional e aos organizadores da conferência “por tomarem a iniciativa de realizar uma conferência para promover e demonstrar os benefícios ambientais, económicos e social da pesca one by one de atum.
O Diretor Regional da Juventude destacou a importância da parceria entre o Governo Regional e os Centros de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil dos Açores para os jovens.
Numa visita ao Centro de Desenvolvimento da APADIF, Lúcio Rodrigues salientou que são “importantes o diálogo e a participação dos diferentes atores sociais e da sociedade em geral no processo de inclusão social dos jovens”.
O Diretor Regional da Juventude, numa visita realizada no passado fim de semana, ao Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil da APADIF – Associação de Pais e Amigos dos deficientes da Ilha do Faial, afirmou que a inclusão social dos jovens continua a ser “uma forte aposta e uma alta prioridade” do Governo Regional, destacando que são “importantes o diálogo e a participação dos diferentes atores sociais e da sociedade em geral no processo de inclusão social dos jovens”.
Lúcio Rodrigues, realçou também a importância de “entender as preocupações e necessidades junto dos jovens, para que seja possível dar uma resposta mais adequada às suas expetativas”.
Segundo Rodrigues, os Centros de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil dos Açores serão “grandes parceiros do Governo dos Açores, uma vez que, em parceria, irão dar continuidade ao trabalho na área de inclusão social dos jovens”, disse.
O Diretor Regional da Juventude relembrou que a promoção da inclusão social dos jovens em situação de vulnerabilidade tem sido alcançada através de “ações de sensibilização e prevenção, proporcionadas pelo Governo dos Açores, concretamente através do apoio da Direção Regional da Juventude ao Empreendedorismo Social Jovem”, e através de programas como o Antes de me Discriminares Conhece-me, Ocupação de Tempos Livres para Jovens (OTLJ) e a iniciativa Inspira-te, Aprende e Age, que para Lúcio Rodrigues são “uma ferramenta válida para o encaminhamento positivo de jovens para patamares cada vez mais exigentes de inclusão, capacitação e satisfação”.