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24
abril

Coragem dos parlamentares

Escrito por  Nuno Avelar
Publicado em EDITORIAL
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  Nunca como agora é tão evidente e descarada a divisão criada nos Açores, por alguns, daquela que se diz a geração mais bem preparada da história da Autonomia. 

Os Açores vivem hoje uma das fases mais críticas da sua história, para além dos problemas económicos e sociais. Estamos dominados por uma guerrilha entre ilhas, fomentada por um centralismo nunca antes visto e que resulta num bairrismo sem paralelo. 

Desengane-se quem pensa que isto não está efetivamente a acontecer. Lia no Açoriano Oriental um artigo onde o autor se insurgia contra a aprovação por unanimidade de um voto de protesto na ALRAA, pela localização do Curso de Ciências do Mar em São Miguel, onde referia a intromissão dos parlamentares da Casa da Autonomia, na vida da Universidade. 

É esta forma de não ver a região como um todo, é esta forma de atuar, deste centralismo entranhado num conjunto de pessoas, que do dia para a noite se tornaram comentadores, jornalistas e até políticos, onde ser Mulher, do Faial e jovem presidente da Assembleia é um defeito, como tem sido intensamente promovido artificialmente por alguns, mas se for jovem, homem e de São Miguel pode ter o mundo a seus pés. 

É este incentivo ao bairrismo, à divisão entre ilhas, fomentada por pequenos grupos que só pensam no desenvolvimento do seu quintal, que promovem despojadamente este centralismo, desrespeitam o sistema autonómico, sem humildade, nem respeito pelos açorianos que vivem nas restantes oito ilhas. 

O Curso de Ciências do Mar deve estar na Horta, como o Curso de Gestão devia continuar na ilha Terceira, como o Centro de Vulcanologia deve estar no polo de São Miguel. Foi assim que foi concebida a Universidade dos Açores, assente na tripolaridade e com tão bons resultados ao longo de décadas, como é bom exemplo o DOP. Quem tem agora o direito de colocar tudo em causa?

Não será com certeza o critério economicista ou de eventual qualidade num sítio ou noutro a prevalecer sobre tudo e todos. Não pode. Não é matemática simples ou equações feitas num qualquer café em São Miguel, senão ainda hoje andávamos descalços e a riqueza da nossa autonomia não seria um exemplo a seguir… 

A Casa da Autonomia é na Horta, sede do Parlamento Açoriano, não é um qualquer museu ou um capricho de 3 milhões em São Miguel que pode substituir o que quer que seja.

A TAP nunca devia ter saído da Horta, sobretudo em jogatanas políticas pouco esclarecedoras. Muito bem esteve o Parlamento Açoriano, aprovando por unanimidade um voto de protesto contra o abandono da TAP da rota da Horta. E que a luta continue porque debaixo desta ponte ainda muita água vai correr. 

A Estação Radio Naval da Horta nunca devia ter saído da Horta, mas com tão generosa oferta de terrenos para a sua instalação em São Miguel foi inevitável … A cidade Mar, por muito que custe a alguns, é a Horta. Apesar das construções faraónicas em São Miguel e das muitas tentativas para retirar esse título (não teremos duvidas que tudo farão para o conseguir, seja através de uma eventual instalação do Museu do Mar por 3 milhões de euros, ou outro tipo de promoção ou acção). 

Chega de dividir, chega de bairrismo.

Ser açoriano é ver a harmonia e complementaridade de cada uma das nove ilhas.   

 

 

 

 

 

 

 

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