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08
maio

MAIO… Mês da MÃE e das mães…

Escrito por  Maria Antonieta Avellar Nogueira
Publicado em Maria Antonieta Avellar Nogueira
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Hoje, dia 1º de Maio, milhentas lembranças se baralham na minha cabeça, pensamentos à toa, meio loucos, perguntas sem resposta, enfim… Cada vez me convenço mais que a nossa memória é uma desarrumação. Com a sua infinidade de gavetinhas é difícil acertar na abertura da que queremos e precisamos no momento. E, pior é que elas também têm os seus caprichos e fazem connosco seu jogo de esconde-esconde ou, pior, abrem-se simultaneamente, pondo tudo em pantanas e… aguente-se quem puder.

Bem, quando isso sucede parto para a ignorância. E tento fazer uma crónica sem rei nem roque, sem esperar que tudo fique bem alinhadinho. Ninguém merece, eu sei, desculpem.

Hoje, 1º de Maio, mês de Maria, mês de mãe, não vou ficar destrinçando o emaranhado de informações que pululam na minha frente. Só deixo aqui uma interrogação: Se hoje é o dia do trabalhador, por que será que o trabalhador não trabalha, para provar que é mesmo trabalhador? Por que será que ele aproveita para ficar numa inércia pungente, barafustando, criticando, mandando culpas para Deus e para o mundo? Apetece gritar: - Descanse, criatura mas cale-se! 

E neste início de maio, mês da mãe, fico tentando ligar um fragmento aqui, um estilhaço acolá, tudo que repousa no cofre das lembranças onde se aninham o amor dos que partiram, os abraços, os beijos, os carinhos e muito especialmente o colo da Mãe! Resquícios de um tempo em que tinha uma mãe presente que me amava e que eu amava. Era um amor com coração saudável! Era o luxo de ter com quem partilhar sorrisos, confidências, alegrias e tristezas, projetos, segredos, dores, receber conselhos. Era ter um colo! Era ter uma certeza!

E, passados séculos continuo sentindo a sua presença, vivendo o livro das nossas vidas, pulando capítulos, como que a querer desafiar a finitude das coisas. Não é fácil. Encontro-me por vezes patinando no gelo da mesma memória. Buscando a peça que falta, no enorme quebra-cabeças, que foi esta jornada. Sem a Mãe. Mas valerá a pena continuar? Ou buscar a senha que fecha as comportas do sentimento e que, espero, desapareça és carreiras, sem dar tempo a agarrá-la. Porque é mais uma ferida na coleção de cicatrizes!

Bastas vezes tenho saudade de ter saudade. Porque é uma das coisas mais difíceis de suportar. Aquela saudade sentida por alguém que hoje não veio, mas amanhã aparecerá é banal, é uma saudade efémera. Mas aquela, a outra saudade sentida em certos momentos da vida sabendo nós de antemão que jamais poderá ser saciada, é terrível. A saudade de sentir as mãos da mãe acariciando-nos. A sua voz calma, qual tranquilizante. O olhar penetrante decifrando os nossos problemas. Talvez pequenos grandes problemas que se dissipavam ràpidamente só com a presença daquela pessoa que nos trouxe ao mundo, para quem sempre somos crianças, adultos carentes, cujos problemas se resolvem ou desaparecem com um simples olhar, um sorriso, uma palavra, um carinho, uma mão carregada de amor, um ombro onde nossas infelicidades se depositam. Repito, isto é uma certeza!

E, véspera do dia da mãe, os meus problemas criados no inventário da inconsciência, lá está na fila da frente aquele dia mais infeliz de todos. O dia em que a mãe partiu, rápido e silenciosamente, como foi seu desejo. E foi no dia em que as minhas asas caíram. Mas na minha memória quase tudo está guardado com maior carinho. Recordo no momento, palavras suas, Mãe, naquele dia em que sentia desabar o mundo sobre mim. A Sra., pegou na minha mão, sentou-se ao meu lado e disse: “Filha, a sabedoria ganha muito com os nossos problemas. Dentro da paisagem tenebrosa somos obrigados a ter coragem. Vamos dividir este problema”. E um beijo selou o nosso acordo.

E ponto final. Feliz mês de maio. Mês de Maria, mês das Mães. Para todos.

 Maria Antonieta Avellar Nogueira

 

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