Tem-se discutido muito nos últimos anos acerca das questões relacionadas com a nossa História e, em particular, com o Património. Há uma consciência cada vez maior em relação a estas temáticas e várias entidades têm-se empenhado no seu desenvolvi-mento. A título de exemplo, lembre-se o trabalho realizado em várias áreas pela Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta e a obra Manual de restauro e recuperação editada pela Câmara Municipal para indicar estratégias de manutenção do património construído, que tem até sido estudada e citada em trabalhos académicos como um exemplo a seguir. Nesta sequência, surgiu recentemente um grupo público na rede social Facebook com o título «Horta a Património Mundial da Humanidade?», que pretende ser um pólo de diálogo e discussão de ideias em torno do tema.
Mas antes de mais, é preciso ter em conta algumas considerações. Primeiro, Património tanto são os imóveis, o espaço urbano e os objectos históricos e artísticos, como os elementos naturais, os documentos, as “estórias”, as tradições, os valores e tudo o que constitua um registo da nossa identidade cultural, passível de se transmitir às gerações futuras. Segundo, a inserção de um local ou monumento na Lista de Património da Humanidade é feita pela UNESCO, na sequência de um complexo processo de candidatura, que poderá ser ou não aceite consoante cumpra, preferencialmente, mais de um dos critérios de candidatura (veja-se a ligação no final do texto).

O facto de o Faial ter uma História e um Património bastante rico levou já vários especialistas a afirmar que tínhamos todas as hipóteses de receber tal reconhecimento, mas que, para que tal fosse possível, seria necessário um grande trabalho a nível local, sobretudo envolvendo a comunidade no projecto. E é aí que está o grande problema do nosso Património. Não faltam exemplos de boas iniciativas, actividades, obras de recuperação, publicações…, mas falta envolver a população e ensinar a sua importância e o seu significado, a começar pelas escolas e outras instituições e associações. Qualquer “título” que se receba deve ser um reconhecimento do que se é e se tem, não do que se persegue. E já recebemos alguns, como o galardão de «Uma das Mais Belas Baías do Mundo». Mas, se queremos fazer alguma coisa pelo nosso Património, a primeira reflexão e acção que se deve ter é no sentido de consciencializar e educar, o resto acontecerá naturalmente. Um exemplo de uma iniciativa deste género, que infelizmente são raras, foi a abertura da Capela dos Terceiros da Igreja do Carmo. Na impossibilidade de um restauro e funcionamento integral do templo, um grupo de pessoas reuniu-se e “pôs mãos à obra”. Daí vem a noção da importância mas sobretudo da responsabilidade e das dificuldades inerentes à manutenção de um edifício como aquele. Enquanto se discutiu a sua importância e o facto de não haver dinheiro para o recuperar ele continuou no estado em que se sabe. Podia ter recebido dinheiro de um qualquer fundo que financiasse a obra total (que seria o ideal), mas de pouco valeria se depois não tivesse um plano de utilização que permitisse a sua sustentação.
É isto que é necessário: envolver a comunidade, transmitir as ferramentas e os conhecimentos que existem, aprofundá-los mais ainda e depois agir “no terreno”. Se isso resultar nalgum prémio ou título melhor ainda.
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